
Neste momento, Rafa Castro está em turnê na Europa divulgando seu trabalho mais recente, Em Silêncio o Afeto Cresce. Desta vez, o artista mineiro radicado em São Paulo tem na agenda apresentações em Portugal, Alemanha, Espanha e Itália. Dois dias antes de embarcar para a viagem, Rafa me recebeu em sua belíssima casa no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, para falar sobre a nova fase. Lançado em julho, o novo disco é o quinto de sua carreira e sucede Teletransportar, de 2020.
“Caminho é se perder” foi o primeiro single lançado do projeto, ainda no ano passado, e conta com as participações de Lucas Caram e Paulo Novaes, dois amigos do artista que assinam junto com ele a composição da faixa. Depois disso, o próprio Lucas relançou a canção em seu disco, O Que Me Traz Aqui?, desta vez num dueto com Pedro Altério, do 5 a Seco.
Ambas as gravações imprimem sensibilidade, cada uma de sua forma, com seus respectivos arranjos, apesar de habitarem o mesmo ambiente. As duas me ganharam.
Se em Teletransportar Rafa lançava seu olhar sobre o mundo, da política ao meio ambiente, agora o movimento é o contrário. “É um trabalho super íntimo e biográfico. Sou eu olhando para dentro e tentando entender o meu mundo interior”, define.
E foi também o mais demorado, levando dois anos e meio para ser concluído, devido a uma questão pessoal: o pai do cantor, que enfrentou um câncer por cerca de oito anos, morreu no final do ano passado. Entre idas e vindas a Minas Gerais para ficar mais perto dele, Rafa foi construindo o álbum. “O processo do disco foi acompanhado lado a lado com essa despedida”, revela.
Mas se o ponto de partida é solitário, o resultado é coletivo. Rafa e seus amigos formam um daqueles grupinhos que a gente vê sempre junto por aí, e o disco reflete isso. “É uma celebração de encontros”, resume. Além de Paulo Novaes e Lucas Caram, o álbum tem participação de Tó Brandileone, parcerias com Jota.pê e Rodrigo Alarcon, e produção musical dividida com Vitor Cabral.
A turma, no entanto, vai além da música. Rafa se diz encantado por juntar canções com outras linguagens, como a moda, o audiovisual e a estética de forma geral. “Foi feito a muitas mãos e muitos olhares”, diz.
Isso ficou claro no show de lançamento no Sesc Pompeia, no mês passado, com direção de Camilla Molica e Beta Harada. No palco, além de projeções, havia uma obra do artista visual Rafael Ski: um tecido de voal conectado a uma cinta que, por meio de ventiladores, se movimenta conforme a respiração de quem a veste.

O figurino ficou por conta de Yumi Kurita. Rafa se declara apaixonado pelas artes visuais, algo que, cá entre nós, dá para perceber só de olhar para a decoração de sua casa.
Segundo ele, a ideia era oferecer ao público aquilo de que ele mais gosta na música: mergulhos e imersões.
“A gente está vivendo num mundo muito veloz, muito desconectado. E eu acredito no poder da música, de nos fazer acessar lugares muito íntimos, de uma dimensão mais poética da vida.”
Após cinco shows no Brasil logo após o lançamento, o disco agora leva Rafa a palcos europeus. Quando ele me contou o roteiro, não resisti: “Chique”. E, ao lembrar que, provavelmente, ele ainda estaria por lá quando esta conversa chegasse ao público, ele riu: “Estão nos vendo do futuro”.
Para o artista, viajar é uma forma de virar a chave. “Quando viajo, tenho um tempo diferente de olhar as coisas, de enxergar, de amadurecer”, explica. E já adianta o que deve trazer na bagagem: “Vou voltar mais a fim de fazer música”.
Você pode assistir a um trecho da entrevista em vídeo com Rafa Castro no Instagram, na coluna Sintonize de outubro.
*Felipe Tellis é jornalista e apresentador de rádio. Além da Rádio Eldorado, já passou por 89, a Rádio Rock, Rádio Disney e Rádio Alpha, e pela redação do site Tenho Mais Discos Que Amigos. Agora, também assina a coluna mensal Sintonize, aqui no site da Revista Noize.







