
Desde o surgimento da música gravada, a indústria do disco se esforça para que o som chegue aos ouvidos do público da forma mais fiel possível, refletindo na evolução dos aparelhos de som. Um equipamento de alta fidelidade tem a proposta de reproduzir o áudio da forma mais fiel possível à gravação original, com o mínimo de interferência. Alguns listening bars, como o Formosa Hi-Fi, em São Paulo, priorizam uma audição de qualidade em seu espaço. Mas, é possível ter um sistema de som de qualidade caseiro?
Claro que o sistema precisa ser aperfeiçoado para uso doméstico — a depender também do nível de engajamento e investimento do consumidor —, mas, na essência, é possível. Marcos Abreu, engenheiro de áudio do Noize Record Club, nos lembra que, nem sempre os altos preços determinam a qualidade do sistema: “A combinação e a escolha dos equipamentos faz toda a diferença. Você pode optar por um sistema 'vintage' de excelente qualidade, ou um sistema moderno e compacto, sem que isso interfira na qualidade. Escolher mal os equipamentos pode ser um erro fatal. Conexões bluetooth, por exemplo, são práticas, mas tem perdas no som”.
Mais do que um único aparelho, um sistema hi-fi é definido pelo equilíbrio do conjunto. Fonte de áudio, amplificação e caixas acústicas precisam conversar entre si para garantir uma reprodução fiel. Nesse processo, a qualidade dos cabos e da fonte — como o toca-discos, no caso do vinil — também influencia diretamente o resultado final. Mesmo com orçamento limitado, a recomendação é construir o sistema aos poucos, priorizando escolhas coerentes em vez de soluções imediatistas.
Outro ponto fundamental é a acústica do ambiente. “É preciso ter uma sala adequada para a reprodução. Pode ser o melhor equipamento do mundo, mas em um espaço com acústica ruim não tem como funcionar. A ideia é que o som reproduzido pelas caixas sofra a mínima interferência da sala”. A disposição das caixas, o tamanho do cômodo e a presença de superfícies refletoras ou absorventes fazem parte dessa equação.
Por fim, identificar se um sistema é realmente de alta fidelidade também passa pela escuta. Por mais que o hi-fi ainda seja visto como um território restrito a especialistas, o ouvido pode — e deve — ser treinado. “Se a busca é por fidelidade, procure conhecer como são os sons de instrumentos. Por exemplo, se você é fã de música erudita e quer colecionar discos do tipo frequente concertos". Quanto maior a familiaridade com o som “real”, mais fácil se torna reconhecer quando a reprodução se aproxima — ou se afasta — daquilo que foi gravado.
Discos para testar seu sistema de som
Durante nossa entrevista, pedimos a Marcos Abreu dicas de testes para avaliar um aparelho. Ele sugere a audição de vinis que ajudam a identificar a qualidade do som, reconhecidos por ele pela alta qualidade da gravação. O especialista elencou 20 discos que podem te ajudar a compreender melhor seu sistema de som. Confira:
Donald Fagen — The Nightfly
Dire Straits — Brothers in Arms
Tracy Chapman — Tracy Chapman
Steely Dan — Aja
Norah Jones — Come Away With Me
Pink Floyd — Dark Side of the Moon
Jennifer Warnes — Famous Blue Raincoat
Miles Davis – Kind Of Blue
Stevie Wonder – Innervisions
Frank Sinatra – L.A is my Lady
Marvin Gaye – What's Going On
Dave Brubeck - Time Out
Eagles - Hotel California
John Abercrombie - Timeless
Joni Mitchell – Blue
Caetano Veloso - Meu Coco
Paul McCartney - Kisses On The Bottom
Vitor Ramil - Ramilonga
Jean Pierre Rampal - Suite for flute and jazz piano
Astor Piazzolla - Lumiere








