
O Vitrola Aberta, projeto carioca formado pelas DJs Bibi Grácio, Tha Redig e Yasmin Lisboa, quer fortalecer a presença feminina na discotecagem com os bolachões. Nasceu de uma constatação simples: a cultura do vinil ainda é atravessada por barreiras de gênero, classe e raça. “A maior parte [dos DJs] são homens brancos”, resumem.
Tha começou sozinha, mas rapidamente percebeu que o projeto precisava ser coletivo. “Uma mulher sozinha já é difícil. Precisamos de mais mãos”, conta. Bianca e Yasmin entraram ainda na estreia, e as três entenderam, ali, a força da união. A quarta edição já tem data marcada: neste domingo (8/3), Dia das Mulheres, no Havana 59, com roda de conversa com Eliana Pittman [saiba mais abaixo].
Mais do que uma festa, o Vitrola Aberta se propõe a ser espaço de troca, acolhimento e formação. “Eu já fiz parte de coletivos de vinil, mas era a única mulher”, lembra Bibi, experiência compartilhada pelo trio. A ausência de mulheres nesses espaços não é falta de interesse, mas falta de acesso.
Tocar vinil exige equipamento específico, caro e pouco acessível. Daí o nome: Vitrola Aberta. A proposta é literal e simbólica: abrir o equipamento para que outros possam experimentar, errar, aprender e ganhar confiança. O gesto pode ser pequeno — trazer um único disco de casa —, mas pode mudar realidades. “De repente, isso vira uma chavinha e a mulher decide ocupar esse espaço.”
“Não precisa ser DJ. É sobre o amor pela cultura do vinil.”
A expectativa não é apenas casa cheia, mas participação ativa de mulheres nos momentos de escuta, nas rodas de conversa e no “momento colecionadoras”. O crescimento é gradual, que elas definem como “trabalho de formiguinha” e, muitas vezes, feito com investimento próprio.
“Dói no bolso. A gente investe. Mas quando vemos mulheres chegando, seguindo, comentando, isso aquece o coração", diz Bibi. O coletivo também busca editais e apoios para ampliar a atuação, trazer DJs de outros estados e fortalecer a rede nacional. “Queremos ocupar espaços pelo Brasil e nos conectar com coletivos femininos de outros lugares.”
A ideia é criar um ambiente seguro para experimentar, compartilhar repertório, discutir construção de set e mercado, além de fortalecer nomes femininos no line-up. Abrir a vitrola é abrir caminho para que mais mulheres possam tocar, e, sobretudo, se reconhecer no som.
Vitrola Aberta - 4ª edição
Data: 8 de março (domingo)
Local: Havana 59 - Rua do Lavradio, 168 - Lapa, Rio de Janeiro
Ingressos: via Shotgun






