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Ana Cacimba referência a ancestralidade em obra dividida em dois atos


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação/Flora Negri

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Em comemoração aos dez anos de carreira, Ana Cacimba lança Luminosa Vol.1 (2025). O projeto é dividido em dois atos: Lua e Sol, partindo da espiritualidade para chegar à realização pessoal e à retomada da autoestima. O trabalho é produzido por Los Brasileros e por Dmax, com participação de Alessandra Leão

De origem quilombola, Ana Cacimba ainda traz na discografia o álbum Mergulho (2023) e a estreia com Azeviche (2022). Nos projetos, ela frequentemente explora a percussão africana e o diálogo com a cultura popular brasileira.

Pop, samba-rock, MPB e afrobeat são ferramentas para contar uma história ancestral, que atravessa Ana diretamente. Na Lua, primeiro ato do projeto, o foco está na fé, com canções referenciando Orixás como Exú, Xangô, Oxóssi, Oyá, Oxalá, Preto Velho e Padê Onã

“O nome Luminosa veio até mim como uma ideia de falar sobre autoestima, sobre valorizar o próprio brilho, pessoal e espiritualmente num mundo que nos faz exigir cada vez mais de nós mesmos. Metade de mim é o que creio e a outra metade é o que eu sinto — e o disco traduz exatamente isso”, explica a artista. Já Sol, ainda sem data de lançamento, expande esse universo. “Com Luminosa, quero mostrar a riqueza cultural da afro religiosidade brasileira, que tem raízes profundas na nossa música popular”. 

Confira Luminosa Vol.1 faixa a faixa:

“1 e 2 Exu / Padê Onã”: Padê Onã é uma música muito importante durante a minha vida, me deu forças em momentos complicados. Era a canção que eu ninava meu filho no puerpério, sempre me ajudava a me conectar com a força de Exu. Ter a participação da Alessandra foi extremamente especial, porque ela é uma inspiração gigante para o meu trabalho, tanto na cultura popular como na música de terreiro, o que faz esse disco ser muito mais especial.

“Pombagira / Dona da Casa / Maria Mariá”: fala sobre a força e sobre o sagrado feminino por meio do arquétipo da Pombagira, a guardiã, aquela que é sagrada mesmo tendo conhecido o profano, aquela que simboliza tudo o que a sociedade espera de uma mulher: a que fuma, que bebe, a que ri alto, a mulher livre. Pombagira inicia com uma poesia que é uma reza pessoal da artista e continua com duas cantigas tradicionais afro-religiosas, com uma sonoridade potente e cativante.

“Oyá”: uma música que carrega a energia da rainha dos ventos e tempestades, um afropop com influência do kuduro angolano, fazendo uma conexão com a cultura afro-brasileira e africana.

"Ponto de Oxum": apresenta uma cantiga tradicional de umbanda para a Yabá das Águas Doces, juntamente com uma parte autoral da artista como forma de saudar a sua mãe de cabeça, aquela que governa seu Ori. A sonoridade da canção revela o doce mistério da rainha das cachoeiras, com arranjo de piano e presença marcante do Asalato.

"Canto de Iemanjá": a canção apresenta uma cantiga tradicional para a rainha do mar, com sonoridade que lembra os cantos de sereia, trazendo o mistério do mar para o single.

"Preto Velho": é uma cantiga tradicional de domínio público, interpretada pela artista utilizando o Asalato como instrumento principal. A canção é um lamento ancestral que nos faz lembrar daqueles que vieram antes e lutaram para sobreviver.

"O Sino da Igrejinha": cantiga tradicional que já faz parte do samba de macumba, uma forma de homenagear seu Tranca-Rua, entidade presente nos terreiros afro-religiosos do país.

"Se Meu Pai é Ogum": evoca o orixá da guerra e da vitória em som de samba rock, com referências da música brasileira dos anos 70. A canção é cheia de balanço e ancestralidade.

"Oxóssi": é uma música com muita energia, assim como o orixá das matas e da caça. A canção transporta o ouvinte para o coração da mata, evocando sensações de renovada energia e harmonia com a natureza.

"Oxalá": música de Jonathan Silva, Oxalá é uma súplica por paz e poesia, uma faixa contagiante que muda o astral de quem ouve.

"Xangô": é uma junção de cantigas de defumação cantadas pelas mulheres da minha família materna, natural de Caitutu do Meio, comunidade quilombola no Vale do Jequitinhonha. Por esse motivo, a música traz referências de música caipira e congada mineira, como forma de continuar as tradições e eternizá-las.

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Fotos: Divulgação/Flora Negri

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