
Lançado no mês do orgulho, o EP VND - Viados do Bairro marca o nascimento de uma rede de apoio artística. Encabeçado pela rapper Cesanne, o projeto apresenta uma nova cena LGBTQIA+ no Rio de Janeiro, contando com a participação dos artistas Dornelles, WES, Lexxie, Oly, DJ Swag do Complexo, Yung Peachie, Freaky J, Rothyer, Preta Queen B Rull, Leyblack, HEYJIMMYJAY, Jump, Kunty e Erotes.
“Esse EP é sobre juntar todas as LGBTs e criar algo que não tem aqui na cena do RJ”, conta Cesanne:
“No rap daqui, uma coisa é eu chegar sozinha, abrindo esse espaço — chegar com vários outros artistas LGBTs que já estão se movimentando na mesma cena, é outra coisa”.
Oficialmente, o projeto nasceu após a viralização do episódio de Cesanne, Dornelles, Yung Peachie e DINIBOY no Brasil Grime Show, com rimas explícitas que chocaram o público mais nichado do rap. “Depois daquele boom, eu queria movimentar a galera, não ficar parada, mas ainda não sabia quem convidar ou o que fazer”, relata a artista: “Fui pesquisando na cena e entrei em contato com todo mundo em quem via potencial e vontade de fazer acontecer”.
Antes do atual projeto, Cesanne já tinha lançado os EPs Favela Chique (2023), em parceria com FLHdaPXT, Versos de Fogo (2023) e Filosofia Obscura (2024).
Curiosamente, ninguém além da rapper sabia que o Viados do Bairro viraria um EP: “Falei para todo mundo que seriam singles, mas, quando tinha tudo pronto, sentei eles e apresentei o projeto completo”.
Com nome inspirado no desenho A Turma do Bairro, o projeto se encontra na junção entre rap, funk, ballroom e pop, criando um EP que se conecta diretamente com a comunidade por trás dele.
“A cena LGBT aqui no Rio é muito nichada, ou é pop ou funk, no rap só tem algumas pessoas”, Cesanne aponta: “E a gente sabia disso. Grande parte do público consome pop e funk, e mesmo que a gente tenha vindo nessa vertente mais do rap, sabíamos que ia dar para conectar tudo”.
“Sinto que além de uma cena, criamos uma rede de apoio, né?”, afirma Cesanne, explicando que, após fechar o lançamento com a Fresh Records, ela se reuniu com todos os artistas envolvidos para reforçar a importância de se moverem como um grupo. “Em alguns ambientes, a gente sabe que tem olhares tortos, a gente sabe que tem comentários, por isso, a gente se juntou e falou: ‘Se uma pular, todas vão pular’”.
Conheça os artistas envolvidos no projeto:
CESANNE
Transitando entre o rap, funk, pop e R&B, Cesanne é uma artista que preza muito pela versatilidade artística em sua obra - seu projeto “Fragmentado” materializa esse conceito: cada persona representa uma faceta diferente de sua identidade. A participação no Brasil Grime Show reforça seu impacto e relevância na cena, consolidando seu nome como uma presença inovadora e em ascensão.
DORNELLES
Apelidado princeso do funk, Dornelles nasceu em Sufoco de Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O artista mescla o funk carioca com ritmos latinos, trazendo uma lírica que equilibra o agressivo e o melódico com rimas sobre suas vivências como homem gay, e englobando perseguição, sexo, preconceito e amor em suas temáticas.
WES
Da Baixada Fluminense, WES narra suas vivências enquanto artista negro, favelado e LGBTQIA+ como suas pautas principais. Após o hit “KAWASAKI”, o cantor tem conquistado o cenário musical, sendo abraçado na cena queer brasileira, trazendo sua experiência como ator, produtor cultural, stylist e DJ como fortes para sua visão artística única.
YUNG PEACHIE
Emergindo no cenário do rap e grime brasileiro, Yung Peachie é reconhecido por seu flow marcante e participação notável no Brasil Grime Show. Com 7 anos de carreira e contando, o artista - negro, queer e LGBTQIAPN+ - utiliza a música como forma de expressão pessoal, abordando vivências próprias e trazendo representatividade.
PRETA QUEENB RULL
Da favela da Maré, no Rio, Preta QueenB Rull é drag queen, cantora, dançarina, compositora e atriz, com uma trajetória de oito anos de carreira. Com feats com nomes como Tati Quebra Barraco, a artista se inspira em suas vivências periféricas e ancestralidade para criar música que é inspirada pela cultura ballroom e a sonoridade do funk.
ROTHYER KALI
Cria de São Gonçalo, no RJ, artista Rothyer Kali mescla música, dança e a cultura ballroom em suas performances. Cantando desde os 10 anos, Rothyer começou carreira no meio do trap e se descobriu no RnB, narrando sua trajetória de vida em sua lírica.
OLY
Cantor, ator, dançarino, compositor e dono dos virais “Eu Já Sentei pro Teu Marido” e “Tudo pra Mamar Você” que acumulam mais de 3 milhões de views. Nascido na Baixada Fluminense, o artista também é instrumentista e começou sua trajetória na música ainda novo, usando do funk como sua sonoridade principal.
KUNTY
Reconhecido na cena ballroom brasileira, Kunty é um artista multidisciplinar nos campos da performance, música e moda. Sua produção artística fundamenta-se na fusão da cultura ballroom, com o hip hop e o funk, criando composições autorais que evidenciam uma linguagem contemporânea, potente e culturalmente situada.
JUMP
Jump é multiartista, MC, rapper, poeta, palestrante, produtor cultural, e, além da carreira musical, é autor do livro “Revolucionários pelo poder da voz” (2024). Atua como mestre de cerimônias em rodas culturais, slams e eventos artísticos, além de realizar palestras e formações voltadas à juventude negra e periférica.
FREAKY J
Freaky J é um artista queer da Baixada Fluminense, cuja sonoridade transita entre o rap e o trap underground, incorporando influências do hip hop com elementos da música pop. Mais do que música, Freaky J utiliza sua arte como ferramenta de representatividade e fortalecimento da autoestima de jovens gays, afeminados e suburbanos.















