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Clara Nunes: 6 discos para começar a ouvir a cantora


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Wilton Montenegro

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Se estivesse viva, Clara Nunes completaria 84 anos em 2026. Ao longo dos anos 1970, Clara construiu uma identidade artística cada vez mais associada ao samba e às tradições populares. Discos como Alvorecer (1974), Claridade (1975), Canto das Três Raças (1976) e Brasil Mestiço (1980) - todos lançados pela Odeon - mostram parte dessa transformação, combinando compositores de diferentes gerações e gêneros como samba, partido-alto, ijexá.

Mais de quatro décadas depois de sua morte, a memória de Clara continua sendo revisitada em diferentes linguagens. Nos palcos, o musical Clara Nunes – A Tal Guerreira, idealizado por Vanessa da Mata, ganhou uma nova temporada em 2025, com Emanuelle Araújo no papel da cantora.

Agora, a história de Clara também chegará ao cinema: em julho deste ano, Camila Pitanga anunciou que interpretará a cantora na cinebiografia Clara, que terá como foco a trajetória da artista no Rio de Janeiro dos anos 1970.

Confira abaixo os álbuns essenciais para conhecer a discografia da cantora:

Clara Nunes (1971)

Após uma temporada cantando boleros, Clara Nunes entendeu que sua voz pertencia a outro lugar: o resgate de uma sonoridade afro-brasileira. "Ê Baiana" foi sucesso nas rádios, estabelecendo o som que Clara perseguiria na década, numa mistura de samba com jongo e choro. Produzido por Adelzon Alves, que arquitetou a imagem de sambista adotada por Clara a partir de 1971, com direito a um figurino estilizado, o disco foi arranjado por maestros como Orlando Silveira e Lindolpho Gaya.

Clara Nunes (1973)

Já consolidada nas rádios, Cláudia Nunes repete a parceria com Aldezon, também se consolida como intérprete de grandes compositores. Destaque para 'Tristeza pé no chão' (de Armando Fernandes), um dos grandes sucessos do LP. O disco ainda conta com "Minha Festa" de Nelson Cavaquinho, "Umas e Outras" de Chico Buarque, "O Mais Que Perfeito" de Jards Macalé e Vinicius de Moraes, "É Doce Morrer no Mar" de Dorival Caymmi e "Amei Tanto" de Baden Powell e Vinicius de Moraes. O arranjo mantém a leveza da interpretação da cantora no samba em equilíbrio com canções mais intimistas.

Claridade (1975)

O disco de maior sucesso de Clara Nunes, abre simplesmente com"O Mar Serenou", de Candeia, irretocável na interpretação da mineira, além de outros sucessos como "Juízo Final" (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares), "Que Sejas Feliz" (Cartola) e "A Deusa dos Orixás" (Romildo Bastos e Toninho Nascimento). Foi lançado após outro grande sucesso, Alvorecer (1974), quando Clara bateu o famoso recorde de 300 mil cópias vendidas, feito inédito para uma mulher no Brasil.

Canto das Três Raças (1976)

Numa proposta de miscigenação também sonora, desta vez, a cantora se une a Paulo César Pinheiro, que assume a direção artística do disco — a essa altura, os dois já eram casados. Clara gravou dez músicas formatadas em estúdio sob direção musical de Lindolpho Gaya, maestro também responsável por parte dos arranjos e regências, ao lado de Orlando Silveira, Francis Hime e Nelsinho. Aqui, Clara Nunes ja expande mais sua sonoridade, mantendo o samba como guia.

Esperança (1979)

Produzido por Renato Corrêa e Paulo Cesar Pinheiro, o disco traz composições de Paulinho de Viola, Candeia, Wilson Moreira, Adoniran Barbosa e João do Vale. Começa alto astral com "Banho de Manjericão" (de João Nogueira e Paulo César Pinheiro), um samba festivo que fala de rezas e simpatias populares para afastar o azar, fazendo jus ao título do álbum. Já a capa é um registro espontâneo da relação da cantora com seu público: o fotógrafo Wilton Montenegro simplesmente acompanhou um passeio da cantora pelo bairro da Saúde, no Rio de Janeiro, quando de repente ela foi cercada por crianças. Estava feito o clique que entraria para a história da discografia da cantora.

Brasil Mestiço (1980)

Uma das capas mais memoráveis na discografia de Clara Nunes mostra a cantora dançando alegremente o jongo com a ialorixá Vovó Maria Joana, tendo ao fundo o Mestre Darcy do Jongo tocando atabaque. A sessão de fotos aconteceu no Morro da Serrinha, no Rio de Janeiro, também sob o comando do fotógrafo Wilton Montenegro. Ao botar o disco pra girar, ouve-se a inconfundível voz de Clara Nunes entoando "Morena de Angola", música composta por Chico Buarque especialmente para ela. O disco ainda equilibra sambas de raiz com samba-canção e arranjos de Geraldinho Vespar, Gaya e Sivuca, sob a percussão de Wilson das Neves.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Wilton Montenegro

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