
Após a primeira edição com Vitor Brauer e Chococorn and the Sugarcanes passando pelo Sul do Brasil, Buenos Aires e Montevidéu, a +um Tour retornou com nova temporada na estrada, desta vez, com Dinho (vocalista do Boogarins) e Ottopapi. Ao longo de junho e julho, os artistas percorreram São Paulo (25/6), Sorocaba (26/6), Belo Horizonte (28/6), Goiânia (1/7), Brasília (2/7), Uberlândia (3/7) e Campinas (5/7), levando a proposta de um projeto que fortalece o circuito independente brasileiro ao expandir para cidades que costumam ficar fora dos roteiros tradicionais. Ao longo dos shows, os dois foram recebidos por atrações locais de abertura: em Sorocaba, a abertura fica por conta da Tank Tape; em Belo Horizonte, de Clara Bicho; e em Brasília foi a vez da banda Verônica Não Veio chegar.

Dinho é vocalista, guitarrista e compositor do Boogarins, uma das bandas mais importantes do rock brasileiro contemporâneo. Indicado ao Grammy Latino e com passagens por festivais como o SXSW, ele também já assinou faixas para Céu e Ava Rocha. Seu projeto solo, iniciado na temporada, Águas Turvas, reconfigura o repertório da banda em formato mais intimista, intercalando clássicos com inéditas e parcerias.
Já Ottopapi (Otto Dardenne) é músico e designer gráfico atuante nos bastidores e palcos do indie rock paulista. Cofundador do selo Seloki Records, passou por Gumes e Goldenloki antes de lançar seu projeto solo. Seu álbum de estreia, Bala de Banana (2025) (produzido por Chuck Hipolitho), funde rock de garagem e pós-punk com uma pitada de ironia e autodeboche.

À Noize, Dinho e Ottopapi contaram sobre essa tour em conjunto. Confira:
Dinho
"Alô, alô, galera da Noize, aqui é o Dinho, falando um pouco sobre a experiência da tour. Dinho solo junto com o Ottopapi, pra galera da + Um. Foi uma experiência muito maluca. Pela primeira vez eu estou viajando tantos dias, tantos shows, sem os meus amigos da banda. Eu tive minha primeira experiência de show solo em 2023, na temporada Águas Turvas, que fiz no Centro da Terra, a convite do [Alexandre] Matias, e foi uma coisa diferente. Foram quatro shows, só um eu fiz sozinho, de fato.
Foi legal desenvolver esse repertório, tocar músicas do Boogarins em formato intimista, tipo estou apresentando a gênese da composição pro público. A rota era familiarizada — Brasília é um lugar onde eu tocava muito com minha banda antiga, o Ultravespa, tenho amigos lá há quase 20 anos. E botar os meninos em contato com a nossa cena, né? Foi foda ver eles lá em Goiânia, trocando ideia com os amigos, entendendo as paradas. O Otto foi mais dedicado, viu os dois documentários que eu mandei pra ele do Rock Goiânia, assim. Eu acho que é legal essas bandas de São Paulo sair da cidade pra fazer turnê, acho muito foda. Acho que São Paulo vive uma outra realidade aqui, que é mais estruturada, que tem outra parada, que é um conflito muito grande com essas outras cenas, assim, de Brasília, Goiânia, e Uberlândia também.
É nessa troca que a gente existe, que a coisa toda acontece. A gente precisa disso, de estruturas de circulação, de plataformas que façam a nova música circular. Porque é criando boas coisas que a gente permite que grandes artistas surjam."

Ottopapi
"Não é moleza. A pré-produção pra uma viagem dessa já é desgastante, bater agenda de todos da banda, alguns tiram férias, outros colocam substitutos. Mas realizar o sonho que todos já sonharam, viajar com a banda tocando pelo país, isso é realmente encantador. Em Sorocaba tivemos festinha no Asteroid, em Belo Horizonte tocamos no Festival da Luz, em Goiânia ficamos três dias, lanches de madrugada, vitaminas coloridas, zoológico, bar do Zeca com jukebox tocando de The Cure a Zezé.
Goiânia pra Brasília, cerrado, 'não há nada como o sol daqui, mesmo sem mar' martelando na minha cabeça. Brasília é gigante, fiquei com olhar de João de Santo Cristo pro tamanho daquela cidade, um plano de Brasil que ficou pelo caminho. Conhecemos a Infinu, um complexo alternativo, tocamos lá, encontramos amigos, depois do show fomos ver "os baguio" de Brasília, fumando vários e admiramos toda aquele cenário brasileiro.
Em Uberlândia, o Dinho tocou 'Pó Poeira' com a gente, quantas vezes já não voltei pra casa com o coração aquecido. Mas no final, de volta a Campinas com a van quebrada, o Brasil perdendo pra Noruega, voltei pra casa podre de cansado num domingo à noite. Precisava voltar a trabalhar, terminar minhas entregas, fazer dinheiro. O conto de fadas tinha acabado. Preciso de mais."




