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Discoteca Básica: Céu elege 5 discos definidores para seu álbum de estreia


Por:

Damy Coelho

Fotos: Luiza Ananias

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Não deve ser tarefa fácil para Céu, que cresceu rodeada por música, pincelar os discos que fizeram sua cabeça naquele início de milênio. Mas ela topou o desafio. A música, para ela, veio de berço – o pai, Edgard Poças, é compositor responsável por sucessos do Balão Mágico, e a avó teve aulas de piano com ninguém menos que Mário de Andrade. Abaixo, ela elege os álbuns que nunca pararam de girar em sua discoteca afetiva:

Catch a Fire (1973)

The Wailers

Marley e a música jamaicana foram muito impactantes ao longo da minha carreira – quase todos os meus discos têm reggae. Então, é importante falar da importância que esse compositor, essa vertente, teve na minha vida. Ouvia muita coisa de reggae, mas o Catch a Fire, com “Concret Jungle”, ficou emblemático pra mim. 

Canta en Español Con Los Panchos (1964)

Eydie Gorme & Trio Los Panchos

Meu pai me mostrou uma cantora que eu amava muito, Eydie Gorme. Ela se apresentava com um trio de backing vocals masculinos, o Los Panchos. Eu achava aquilo um desbunde de lindo! Ainda tenho esse disco aqui comigo, amo de paixão. Ele também mostra como o bolero teve um impacto muito forte em mim.

Elis (1973)

Elis Regina

Ainda era adolescente quando a Elis entrou na minha vida. Ia muito com uma turma de amigos músicos para o litoral Norte de São Paulo, ouvindo música, vidrada no som. Um dia alguém soltou: “Caralho, ouve isso!”, e era o programa Ensaio, da Elis, com o Fernando Faro na TV Cultura. Fiquei chocada com a precisão técnica, a emoção, a performance, a sincronia dela com a banda. E como eu sempre tive uma relação de musicista com meus músicos – muito próxima, quase um jeito de jazz de pensar a banda – meu queixo caiu. Elis trazia uma sincronicidade com a banda, um minimalismo, emoção, técnica – foi uma aula pra mim. Tem também o fato de ela cantar muitas faixas do Aldir Blanc neste disco, compositor que também foi fundamental na minha musicalidade.

Coisas (1965)

Moacyr Santos

Esse disco me atravessou muito na época. Foi meu pai quem me mostrou. Ele é um pianista profundo, um puta professor de música, com um entendimento impressionante de harmonia, e, ainda, autodidata. A gente falava muito sobre música; ele observava meus movimentos para me entender como filha, o que eu iria gostar. Diferente do meu irmão, que vinha mais da escola dele – bossa nova, jazz – ele ia trazendo referências que sentia terem a ver comigo. Aí, um dia ele me mostrou esse do Moacir. O impacto em um foi enorme: era fora da curva do que a gente ouvia em casa, abriu minha cabeça na harmonia, na melodia, na rítmica. Fiquei completamente entregue.

Nelson Cavaquinho (1972)

Nelson Cavaquinho

Outro som que me foi apresentado pelo meu pai. A gente ouvia muito essas músicas juntos; ele me trouxe esse repertório, e eu aprendi a tocar violão com algumas coisas do Nelson. O samba acabou se tornando muito recorrente nas minhas composições – se você observar, sempre fica um pouco de samba ali. Até hoje.


Por:

Damy Coelho

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