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Inspiração em show do Air, look de Herchcovitch: veja bastidores da tour de 20 anos de “Céu”


Por:

Thaís Regina

Fotos: Luiza Ananias e Luiza Lian

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Em maio de 2025, o duo francês Air veio ao Brasil no C6 Fest, para um show de homenagem ao clássico Moon Safari (1998). A passagem do Air por São Paulo foi um arroubo geral, regado a histórias de êxtase e transe. E não foi diferente para Céu e Luiza Lian, que se encontraram por acaso no show e, semanas depois, ainda comentavam o impacto do espetáculo durante um café na casa de Céu.

Anos antes, em 2019, as cantoras se conheceram, também em um show. Era o lançamento de APKÁ, o quinto disco da Céu. Com o apoio de uma amiga, Luiza venceu a timidez e pediu uma foto. No dia seguinte, postou o retrato nas suas redes sociais, comentando a importância da cantora na sua carreira.

“Apesar de ser muito diferente do que eu faço, eu sinto que a Céu foi um abre-alas para essa construção estética que vem do hip-hop, mas que é uma outra coisa também”, comenta Luiza. “É uma sonoridade que tem a ver com a tradição da canção brasileira, com os cantos de lavadeira, mas também com esses chamamentos para uma linguagem de canção mais contemporânea através de uma figura muito urbana.” 

Parceria de longa data

Ainda em 2019, Céu e Luiza foram convidadas para cantarem juntas no Women's Music Event. Já em 2023, Luiza a convidou para cantar em 7 Estrelas | quem arrancou o céu? – a única participação do disco, na faixa “Tecnicolor”. Na sequência, foi a vez de Céu convidar Luiza para integrar o coro do último disco de Adrian Younge, Something About April III (2025). Ainda que esparsas, as colaborações aproximaram a dupla e, quando elas se encontraram em maio de 2025, para tomar um café e comentar o show do Air, compartilharam planos, desejos e uma vontade em comum: trabalharem, mais uma vez, juntas.

A turnê de 20 anos do disco de estreia da Céu [saiba mais abaixo] marca a primeira vez em que Luiza Lian faz a direção artística de um show que não seja o seu próprio. A proposta vem na esteira da sua participação marcante no Festival Rec Beat de 2021, que aconteceu na frente do Theatro Municipal, e de um prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria de Melhor Show, em 2023.

Para Luiza, um bom show é aquele em que nenhum elemento se destaca, mas que todos, juntos, formam um universo imersivo para o espectador. “Quando a gente era jovem, sempre que eu propunha um cuidado a mais com o show para as minhas bandas, parecia uma vaidade excessiva”, relembra Luiza. “E, para mim, foi um pouco essa chave que virou: toda informação visual é uma informação. Se você não pensou em algum aspecto, você está passando a informação errada, que pode atrapalhar, inclusive, a sua música.”

A primeira decisão de Luiza para dirigir a turnê foi que a construção poética do show teria que ser feita a partir da Céu, e não imposta sobre ela. O processo, então, envolveu várias conversas entre as duas e um olhar sensível de Luiza para o disco de 2005.

De certa forma, esse disco é o nosso Back to Black (2006)

“No sentido de que é um disco de cantora, mas que flerta com elementos do hip-hop e com linguagem de sample e tudo mais. Tem uma brincadeira entre a tradição e o contemporâneo acontecendo ali. Eu realmente acho que ele é um disco gigantesco nesse sentido e até simbólico, porque marca um momento da música, ao mesmo tempo em que se mantém absolutamente contemporâneo. Então, meu processo criativo foi me perguntar, sem saudosismo, como trazer a contemporaneidade desse disco para o presente, respeitando a linguagem dessa artista?”

Marco da música contemporânea brasileira

De um lado, a inspiração do Air. Do outro, uma queda pela Sade. E, por fim, a ideia de tomar a capa do disco como o tom da celebração de 20 anos. Você, leitor, sabe bem como é essa capa: uma mulher olha para trás, por cima do ombro esquerdo, e sorri. A luz molha suas costas e seu cabelo, preso despretensiosamente, cai sobre sua pele como ondas. O rosto lavado, o fundo desfocado. Tudo é Céu.

Por ser um disco de estreia que tem o nome dela, eu quis trabalhar a partir do nome e da voz dela, que tem esse lugar aerado também, sabe? Eu queria trabalhar a partir do céu, realmente fazer um show da Céu no céu, um espetáculo que brincasse com essa linguagem.

Do palco aos bastidores

Com duas parceiras de longa data, Bianca Turner e Maria Cau Levy, o show segue o caminho das luzes do dia. Do nascer do sol ao  calor do meio-dia, do pôr do sol urbano de um laranja radical até um anoitecer tranquilo. Com colaborações que vão de Ana Frango Elétrico à Dora Morelenbaum, Maria Cau Levy é a designer que assina todas as capas de discos de Luiza Lian e, nesse projeto, chegou para assumir a identidade visual da turnê. Já Bianca Turner faz video mapping com Luiza desde 2017.

Foi com ela que a artista fez a sua primeira investida mais arriscada em relação a performance, no show do seu disco Oyá Tempo (2017), em que projetaram uma paisagem em uma saia que Luiza vestia. Já no show de Azul Moderno (2018), o trabalho de projeção era mais voltado para o uso de laser e luz. E, por fim, no show de 7 Estrelas, Bianca se voltou para experimentar em torno do cinema expandido. “Eu convidei essas pessoas já dizendo: olha, o que eu quero aqui é muito mais minimalista do que o que a gente anda fazendo”, conta.

desenho show céu - 22

A orientação sobre o minimalismo não foi aleatória. Tudo, de novo, volta para a capa do disco 2005. “Quando eu conversei com a Céu pela primeira vez, a gente viu que tinha pouco material visual pro disco, porque as fotos da época são fotos que ela fez de uma forma super informal e acabaram virando a capa do disco”, pontua Luiza. “É muito despretensioso, é muito cru, é muito ela. E eu não queria perder essa dimensão”, afirma.

Com o iluminador Marcos Franja, que já colabora com Céu há muitos anos, Luiza desenvolveu três telas de fundo, que se assemelham a janelas, e posicionou a Céu entre elas. Assim, o trabalho se desenvolveu muito nas telas de fundo em um jogo que brinca entre blocos de cor homogêneos e degradês, de um azul imenso ao laranja radical do entardecer, dos jogos de cor da manhã aos do pôr do sol, sempre dando destaque a uma textura de céu. 

O figurino

Uma anedota curiosa do trabalho foi a relação com a stylist Renata Corrêa, que trouxe Alexandre Herchcovitch para fazer o desenho do figurino. “A primeira coisa que eu pensei, desde o primeiro momento mesmo, era que eu queria que a Céu estivesse de camiseta branca nesse show. É bota e camiseta branca. Eu queria trazer um pouco desse lugar de simplicidade e sofisticação do básico – e toda a beleza que pode surgir disso. Era meio camiseta branca realness. E, a princípio, todo mundo ficou meio… ‘mano, quem é essa louca que a gente chamou pra dirigir’?”, brinca.

A equipe derrubou a ideia e Luiza também não queria impor nada. Desenvolveu o storyboard do que imaginava para essa turnê, com as transições de cor e luz do palco. Era um rascunho, apenas, mas suficiente para a equipe vislumbrar no que estava trabalhando. “Quando elas viram o desenho do show, foi uma coisa meio geral assim de falar, bom, fudeu, agora eu só tô conseguindo ver a bota e a camiseta branca”.

Do show do Air, que selou a parceria entre as cantoras, até a turnê de celebração de 20 anos de um disco que sacudiu os anos 2000, Luiza afirma categórica: “Céu não é uma artista do passado. Céu é uma artista do agora.”

JAYDA G, GABY AMARANTOS, CÉU E MELLY 

Data: 11 de abril de 2025 (sábado)

Local: Vivo Rio

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 75 e 85 - Parque do Flamengo

Abertura da casa: 17h

Classificação etária: 18 anos

Ingressos: via Ticketmaster

Por:

Thaís Regina

Fotos: Luiza Ananias e Luiza Lian

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