
Uma das vozes mais representativas do samba brasileiro ganha uma nova leitura pelo olhar da moda. Está em cartaz no Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) a exposição Clara Nunes — Eu Sou a Tal Mineira. A mostra reúne figurinos, adereços, documentos e fotos que percorrem a trajetória da mineira, desde suas origens em Caetanópolis (MG) até o estrelato nacional e internacional [saiba mais abaixo].
Clara Nunes, aliás, tinha uma relação intrínseca com a moda desde criança — o pai trabalhou em uma fábrica de tecidos no interior de Minas Gerais, e ela mesma começou a trabalhar como tecelã. Esse olhar cuidadoso para o figurino seguiu quando Clara ingressou na carreira artística — ela mesma tratava de escolher suas vestimentas e acessórios, inspirados na cultura do carnaval e da religiosidade afro.
Alguns dos estilistas que assinavam suas roupas eram ligados diretamente ao carnaval, como Arlindo Rodrigues, Geraldo Sobreira e Reinaldo Cabral.
A exposição conta com looks cheios de renda, bordados, cordas, búzios e conchas — alguns deles até foram capas de disco e figurinos de shows importantes.
Distribuídos pelos dois andares do MUMO, os figurinos estão integrados a documentos, recortes de jornais, fotografias e objetos pessoais que contextualizam cada fase da vida de Clara. A mostra também destaca a importância da moda não apenas como vestimenta, mas como parte essencial da construção da imagem pública e da expressão artística da cantora.
A exposição foi prorrogada até agosto deste ano. A entrada é gratuita.
Moda a serviço da ancestralidade
Clara iniciou a carreira nos anos 1960 como crooner de boleros e sambas-canção — inclusive, cantava nas noites mineiras com o então baixista Milton Nascimento — mas foi na década seguinte que encontrou sua assinatura artística ao mergulhar no samba de raiz, na religiosidade de matriz africana e nas festas populares, elementos que passaram a atravessar seus discos.
Lançou 16 álbuns de estúdio, incluindo Clara Nunes (1971), Alvorecer (1974) — que a tornou a primeira cantora brasileira a ultrapassar a marca de 100 mil cópias vendidas com um LP — e Claridade (1975).
Exposição “Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira”
Rua da Bahia, 1.149, Centro, Belo Horizonte (MG)
Prorrogada até agosto de 2016
Quarta a sábado, das 10h às 18h
Entrada gratuita

















