
O funk é resistência e, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, também virou tema de exposição temporária. Funk: um grito de ousadia e liberdade está em exibição na capital paulista até agosto de 2026, após sucesso no Museu de Arte do Rio (MAR).
Do batidão ao funk consciente passando pela ostentação, a exposição apresenta diferentes universos dentro desta cultura, que não se resume ao som, mas também passa pela linguagem, moda e fotografia. Com curadoria de Taísa Machado, Dom Filó, Amanda Bonan, Marcelo Campos e Renata Prado, a mostra traz 473 obras, algumas inéditas.
Espaço de Inclusão
Quando chegou em São Paulo, em novembro de 2025, a exposição ganhou uma parte dedicada ao funk paulista, da capital a Baixada Santista. A redação visitou a exposição acompanhada de Renata. A pedagoga, pesquisadora e idealizadora da Frente Nacional de Mulheres no Funk é responsável por reunir o acervo de São Paulo.
“O funk é um potência econômica dentro da periferia. Garante trabalho, espaço e inclusão dentro da indústria musical, os artistas periféricos enxergam o funk como possibilidade de emancipação social a partir da cultura e da arte”, explica Renata, em entrevista à Noize.
Ao entrar na exposição, o visitante mergulha nos Estados Unidos dos anos 60 e 70 e percebe como a Era Black foi o pontapé inicial do gênero. Depois, é hora de conhecer a fundo o Rio de Janeiro, berço do funk brasileiro, com os primeiros bailes e muita influência do soul e do samba. Há, também, uma parte dedicada às mulheres que fizeram história no estilo, como Tati Quebra Barraco e Deize Tigrona.
“É importante garantir a presença do funk em espaços institucionais para que a sociedade reconheça, cada vez mais, a importância e a relevância da cultura funk como parte da arte negra brasileira”, diz Renata.
Se no Rio de Janeiro o funk se guia pelo corpo, reverenciando, até os dias de hoje, batidas do tambor ancestral, ao chegar em São Paulo, a força motriz é outra, mas ainda mantém a importância do Movimento Negro e como ele fortalece a era funk na capital paulista.
Do funk ostentação da capital, a exposição finaliza com a Baixada Santista e seu funk consciente, relembrando os bailes de espuma, acervo de CDs, duplas como Jorginho e Daniel, Souza e Valdir e Pixote e Careca, e artistas que já nos deixaram.
Durante a visita, não deixe de conferir o térreo do museu com obra em homenagem às vítimas do massacre de Paraisópolis. “É importante olhar para o funk como a música do futuro. Ele precisa ser acadêmico, politizado e ainda mais consciente do que já é, presente do currículo escolar aos museus de todo o mundo”, finaliza Renata.
Funk: um grito de ousadia e liberdade
até agosto de 2026
Praça da Luz, s/n, Luz, São Paulo
R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia). Grátis aos sábados e aos domingos
Mais informações: via site oficial














