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“Nossa força está na espontaneidade”: Foto em Grupo se prepara para Lollapalooza Brasil


Por:

Elisa Bara

Fotos: Divulgação

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Uma coisa única, aquilo que desperta a vontade por dentro, o que se lembra, o que dá saudade, um momento registrado em áudio. A banda Foto em Grupo surgiu para o público em agosto, no lineup do Lollapalooza Brasil 2026.

Composto por Ana Caetano (do duo Anavitória), Pedro Calais e Zani (do Lagum) e João Ferreira (do Daparte), o projeto já existia internamente, há algum tempo, dentro de cada um. Foi materializado com o lançamento do álbum homônimo, em dezembro, misturando pop, rock e MPB.

Acompanhamos o show da banda em Juiz de Fora (MG), durante a mini-tour que rolou em janeiro, e também aproveitamos para bater um papo com os integrantes, que você confere abaixo.

“Nos juntamos para compor o que, a princípio, não era um projeto específico: era para cada um usar nos seus próprios projetos. Mas começamos a fazer um som que não tinha a cara do Lagum, da AnaVitoria ou da Daparte. A gente começou a compor algo único, com uma cara diferente”, conta Pedro. Já o nome da banda surgiu para dar sentido ao que os integrantes sentem: “A lembrança de um tempo bom em que, constantemente, se quer viver no futuro”, explica Zani.

O álbum de estreia é um ensaio íntimo, que conduz o ouvinte para uma relação, um ensaio divertido, que surpreende faixa a faixa. As músicas são repletas de "cacos", risadas, falas espontâneas. Todas essas construções nos levam a um disco excêntrico, que nos faz querer cada vez um pouquinho mais. Como nos conta Ana:



A nossa grande força está na graça, na espontaneidade, na brincadeira

“O disco, antes de ser um disco, era um encontro. Ele nasceu ao contrário: primeiro a gente fez as músicas, para depois decidir como íamos lançar, para depois decidir que seríamos uma banda. Foi tudo ao contrário”, conta João. Esse encontro foi uma possibilidade de compor “o que desse na telha”.


A banda tinha mais composições do que as que foram lançadas, mas juntar todas em um disco foi um dos grandes desafios do quarteto, segundo João: “O que faria sentido junto?” O disco passeia por diferentes gêneros e parece não se encaixar em um só. Essa diversidade reflete referências individuais. 

Em um momento do processo de gravação do álbum, eles juntaram quatro microfones no estúdio, e todos cantaram espontaneamente, brincando, falando, gritando. O experimento entrou, na maioria, nas músicas lançadas. O intimismo apresentado no álbum de estreia não se opõe à explosividade que a banda traz ao vivo.

"É um primeiro disco. Talvez num segundo a gente descubra melhor quem a gente é”, imagina Pedro. As músicas são compostas em um processo coletivo. A primeira foi “Crime”, seguida de “Me chama pra dançar” e “Fuga da Culpa”. Pedro pontua que, ao mesmo tempo em que elas divergiam entre si, também conversavam.

Sinergia ao vivo


Quando escolhida para o line do Lollapalooza 2026, a Foto em Grupo ainda não tinha disco, não tinha ensaios. O show para o festival foi montado nesta turnê de estreia. É a primeira vez em que Pedro e Ana sobem ao palco para tocarem baixo. É a primeira vez que Zani canta uma música como voz principal.

As primeiras apresentações foram bem planejadas. “A concepção da turnê, de ser em lugares menores, também nasce da ideia de o show ser intimista como o disco é”, informa João. Há uma escolha sonora e de presença que envolve a decisão de fazer de Juiz de Fora a segunda cidade da turnê: ter uma casa onde é possível ver os fãs e os reflexos do show do palco. 

O show do Foto em Grupo traduz o que o álbum apresenta. Mantendo o intimismo que aparece nas faixas gravadas, as versões ao vivo são explosivas, barulhentas, felizes e cheias de energia. O set passeia por todo o repertório autoral lançado e, também, por músicas dos projetos individuais, como "Universo de Coisas Que Eu Desconheço" (2022), de AnaVitória e Lagum.

Na música com maior número de streams, “Eu tenho medo”, esse intimismo transborda. Os integrantes olham nos olhos do público, que, a todo momento, vibra, grita, bate palma, chora e sorri. Já em faixas como “Me chama pra dançar”, os arranjos aparecem mais intensos e explosivos, mas sem perder o caráter lúdico que a banda apresenta.



Dentre as versões da gravação espontânea que ficaram no álbum, “Eu te odeio” tem, no início, um registro do processo de composição feito pelo celular. É uma das músicas do álbum em que os ‘cacos’ e as interações se sobressaem. Assim é no show. No Cultural Bar, durante essa música, Pedro desce do palco e passa a perguntar às pessoas o que elas odeiam. Enquanto isso, os demais integrantes fazem coro para ‘também odiar’ o que os fãs compartilham. 

Os quatro músicos transitam pelos instrumentos. A cada música, eles trocam a formação e mudam quem toca baixo, guitarra, violão e piano. O show também é uma experiência espontânea, na qual os integrantes brincam entre si, se zoam e, mais uma vez, convencem o público de que faz parte de algo maior: de uma amizade com Pedro, Ana, Zani e João.

Assim como toda a construção sonora e temática do álbum, o show não perde, em nenhum momento, a conexão e a interação com aqueles que escutam e assistem. 

Por:

Elisa Bara

Fotos: Divulgação

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