
Você provavelmente se lembra de programas de televisão dedicados aos clipes. O tempo passou, a forma de consumir música, também, e nem todos os artistas hoje investem nesse formato. O que muita gente talvez não esperasse é que uma nova geração fosse se encantar pelos videoclipes — mais especificamente, os de antigamente, do auge da era MTV.
Uma pesquisa divulgada pela Vevo, chamada Then is Now, realizada nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália, mostrou que a Geração Z — que corresponde às pessoas nascidas entre o final dos anos 1990 e 2010 — tem usado clipes para descobrir artistas e músicas de outras épocas.
A pesquisa aponta que videoclipes lançados antes mesmo do nascimento dessa geração têm voltado a mostrar números consideráveis, como é o caso de “No Woman, No Cry”, clássico de Bob Marley & The Wailers: segundo a pesquisa, 74% dos espectadores nasceram depois da faixa clássica lançada em 1979. Madonna, Abba e The Police também são citados.
Saudades do que não vivemos
O levantamento mostra que 65% dessa parcela da população sente nostalgia de momentos da história que eles não viveram. A partir da entrevista feita com 1,8 mil jovens, a empresa caracterizou esse sentimento como “nostalgia compartilhada”, um fenômeno que também pode ser sentido em menor escala, 54% entre a geração X e 55% entre os millennials.
“A nostalgia não se resume mais a olhar para o passado – tornou-se uma forma poderosa do público se conectar com a cultura no presente”, explica Rob Christensen, vice-presidente executivo de vendas globais da Vevo em comunicado no site da empresa.
“O conteúdo nostálgico não apenas ressoa com o público que vivenciou esses momentos em primeira mão, como também se conecta com os espectadores mais jovens que os descobrem pela primeira vez”, explica a vice-presidente de Pesquisa e Mensuração da Vevo, Laura Vanison.
“Ao equilibrar momentos de estreia com conteúdo de catálogo culturalmente relevante, as marcas podem construir estratégias que alcancem públicos de diferentes gerações de maneiras mais autênticas e emocionalmente impactantes”.
Os videoclipes continuam sendo uma poderosa ferramenta para a divulgação de artistas pop, como é o caso de Rosalía, que inaugurou a era Lux (2025) com o comentado clipe de “Berghain”.
No Brasil, Marina Sena deu o pontapé inicial nos trabalhos de Coisas Naturais (2026) com um vídeo dedicado a “Numa Ilha”, ou Anitta, que trouxe a artista Nídia Aranha para enriquecer a estética dos audiovisuais de Equilibrivm (2026). Outro defensor ferrenho da importância dos clipes é o músico e apresentador Chinaina, que estendeu a proposta do Caça Joia para uma versão dedicada aos vídeos que, segundo ele, nunca deveriam ter perdido espaço. A gente concorda.







