
O guitarrista Luiz Carlini, conhecido por ter tocado com Rita Lee no Tutti Frutti e pelas colaborações com Erasmo Carlos, Titãs, Catto e Guilherme Arantes, morreu na última quinta (7/5), aos 73 anos. A causa da morte não foi confirmada.
O guitarrista seguia em plena atividade, e estava tocando com Guilherme Arantes na tour de 50 anos do cantor. Arantes publicou em homenagem ao amigo em seu Instagram: "Minha carreira musical é tão profundamente marcada pela sua genialidade, sua sonoridade única, sua companhia em estúdio e no palco, que posso dizer que você é um pedaço gigantesco de mim".
Luiz Carlini é o nome por trás do solo de "Ovelha Negra", um dos mais marcantes do rock nacional, além de ter assinado composições como "Corista de Rock", do álbum Entradas e Bandeiras (1976), de Rita Lee. No Tutti Frutti, tocou com Lee Marcucci e Emilson Colantonio, que, antes de Rita Lee, formaram a banda de rock psicodélico Lisergia.
Como nasceu o solo de “Ovelha Negra”
Em entrevista à Noize no início deste ano, Carlini relembrou que o solo de "Ovelha Negra" “baixou nele”. Ninguém pensava que a grande balada do Fruto Proibido precisasse de um solo, mas ele chegou com a ideia no estúdio, tocou e deixou todo mundo em êxtase. "Gravei o solo, queria mandar um drive, alguma coisa assim, mas nem tive tempo. O Andy [Mills, produtor] já foi tirando a fita da máquina e acabou" [risos].
“Lembro de ouvir todo mundo cantando junto ao solo de ‘Ovelha Negra’ num estádio. Aquilo foi demais”
Apesar do controverso rompimento entre Rita e o Tutti Frutti nos anos 1970, o tempo curou as mágoas, e Carlini seguiu carregando o legado de um dos álbuns mais marcantes da cantora e da carreira do guitarrista. Em plena atividade, ele tocou o Fruto Proibido (1975) no Blue Note, em São Paulo, em comemoração ao aniversário da capital paulista. Na ocasião, Carlini chamou ao palco a também guitarrista Lucinha Turnbull.
Morador do bairro Pompeia desde a juventude, Carlini tornou-se um dos símbolos do rock brasileiro e também da cidade que o acolheu durante toda a vida. Foi no bairro da zona oeste de São Paulo que ele viu nascer os Mutantes e formou o Tutti Frutti. No nosso bate-papo em janeiro, ele relembrou shows icônicos da banda, como o da inauguração do Colégio Objetivo e apresentações no Teatro Oficina, de Zé Celso, no Bixiga. “Também tocamos no Teatro 13 de Maio. É um lugar muito especial pra mim, porque foi onde vi os Secos e Molhados pela primeira vez”, lembrou ele.
A morte de Luiz Carlini aos 73 anos encerra uma trajetória de mais de cinco décadas no rock brasileiro. Em um desses acasos difíceis de explicar, a notícia de que Carlini nos deixou acontece no aniversário de três anos da morte de Rita Lee. O velório do guitarrista será nesta sexta (8/5), de 12h às 18h30, no Cemitério da Lapa, em São Paulo. Mais informações aqui.




