
Pedro Mizutani “mostra os dentes” e abre o coração no EP: Mostrando Os Dentes (2025), lançado em julho deste ano. Com cinco faixas autorais e tons de bossa pop, o trabalho conta com produção do britânico Skinshape. "É um drive melancólico que contrasta com a estética sonora”, explica Pedro.
“O nome simboliza o desconforto silencioso, aquela dor que você não grita e a estética bossa pop, um pouco low fi e minimalista”, comenta o artista. “Apesar disso, acho que é um projeto em que, nas letras, eu abordo temas com um pouco mais de profundidade".
No melhor exemplo de geração Z, Pedro começou a carreira publicando vídeos cantando no TikTok. Com a repercussão, chamou atenção da gravadora francesa Nice Guys Records, pelo qual também lançou seu trabalho anterior: Pensando Baixo (2024).
Para construir o bossa pop, do seu jeito, Pedro bebe de referências clássicas, como João Gilberto, Nara Leão e João Donato. Ele quer se tornar o contador de histórias da juventude e do próprio Rio de Janeiro, onde nasceu e cresceu.
Leia (e ouça) Mostrando Os Dentes (2025) faixa a faixa abaixo:
“Criaturas da Noite”: fiz essa música de brincadeira, sem grandes intenções. começou como uma releitura meio cômica de uma canção de amor regional, com um certo clima nordestino na minha cabeça — mas no fim foi parar num lugar que não tem muito a ver com isso.
É sobre aquele arquétipo de afogar as mágoas na noite: festas, bares, ruas iluminadas e pá. Eu não sou muito de sair, então sempre me chama atenção como as pessoas mergulham nesse mundo e saem de casa vários dias por semana, sempre em busca de algo. Mandei umas demos pro Will (Skinshape) e ele curtiu particularmente essa, o que me surpreendeu bastante”.
“Sózin”: a produção dessa foi muito fluida, tudo que a gente testava funcionava logo de cara. gosto muito do resultado. É bem pessoal, sobre querer que algo bom dure um pouco mais — uma música pros apegados. Desde o começo eu sabia que ela ia pro EP com o Skinshape. Não sei se cabe aqui, mas fiz pra minha ex que ia se mudar para fora do Brasil”.
“Canal”: começou com um loopzinho que se repete bastante e que, na minha cabeça, tinha uma pegada meio Toquinho e Baden Powell. A batida me lembra movimento, deslocamento. Gosto da letra, que fala sobre os momentos de paz que sinto quando estou ouvindo música indo ou voltando de algum lugar. Eu não botava muita fé nela, mas minha mãe sempre gostou. Por ter um lado mais classicamente “brasileiro”, eu sabia que o Will ia curtir também”.
“Deixar”: começou como uma mensagem pra mim mesmo, mas acabou entrando numa camada mais caótica, meio fluxo de consciência. A intenção era soar como um mantra exausto — especialmente o refrão, que abre a música. Pensei que as pessoas, no meio do caos do dia a dia, pudessem ouvir e sentir um momentinho de conforto”.
“Lugar de Agonia”: honestamente, não gosto muito dessa. A produção não me agrada e a composição também não tanto. Mas, é sobre algo real: voltar para um lugar mental ruim. Acontece comigo direto — do nada, me vejo super inseguro e sem entusiasmo pela vida e pelas pessoas ao redor. É sobre ter consciência dessa tendência de cair nesse cenário depressivo inercial, e se sentir impotente para evitar esse movimento pendular entre felicidade e completude, e sofrimento e fragmentação. Viajei?”







