Ivi Maiga Bugrimenko (banner)

Retratos Sonoros: Ivi Maiga Bugrimenko registra os fervos noturnos de São Paulo


Por:

Pedro Furlan

Fotos: Ivi Maiga Bugrimenko

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“Se você coloca o fotógrafo no lugar do contador de histórias, é visível que estou contando a minha história especificamente", diz Ivi Maiga Bugrimenko sobre seu trabalho como retratista dos fervos noturnos. “Estou sempre presente nas minhas imagens, seja pela proximidade que tenho com o tema, seja pelo tempo que gasto com isso tudo”.

Crescendo na cena punk da capital paulista, ela só foi conhecer o mundo no qual habita até hoje em 2016, ano em que seu pai faleceu. Essa morte a levou à fotografia: “Meu pai faleceu, fui ajudar minha mãe a arrumar as coisas e achamos a câmera da minha infância. Nunca mais tinha visto, era analógica e só tinha metade do filme tirada, restavam umas 15 fotos. Usei a câmera para ver o que tinha no filme e nunca mais parei”.

Após isso, conheceu um grupo de clubbers com quem começou a sair, mesmo sem ter muito apreço pela música eletrônica. “Nunca me conectei sonoramente com as festas, sempre fui mais visualmente – hoje em dia, eu gosto da música eletrônica, mas eu não gostava”. Aos poucos, começou a fotografar a festa Mamba Negra – e nunca mais parou. 

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Atualmente, carrega uma câmera Olympus para as analógicas, uma Fuji X100 para as digitais e uma snapshot da Leica para fazer as fotos em preto e branco. “A noite em que eu acredito é feita de vontade política, de comunidade, então sempre prestei atenção em quem participa do movimento”, explica, comentando como alguns rostos são frequentes pelas lentes da sua câmera. “Acho importante tirar fotos da Magra, que faz a produção da Mamba desde o começo, da Claudinha, que é uma clubber de 50 anos – a noite é feita pelas pessoas”.

Além do roteiro da capital, ela fotografa a Bicuda, em Campinas. Há dez anos, elabora sua estética autoral, reunida no fotolivro Vidacobra (2024). O projeto, criado com o designer Lucas Kröeff, da editora QuadradoCírculo, mostra um recorte do seu acervo: “Queria criar um álbum de figurinhas da noite, por isso ele tem esse ritmo meio frenético, as fotos todas têm flash – é um livro dos meus amigos e da minha vida na noite”.

Composto por fotos de diversos eventos e rostos de amigos, o livro conta uma narrativa que começa na noite e termina de manhã, com uma homenagem à sua mãe na última foto. “A minha mãe faleceu no ano retrasado e focar a minha energia no livro ajudou no processo de luto", explica a fotógrafa.

No final do ano passado, começou as trocas virtuais com Catto para a estética do disco Caminhos Selvagens. “Foi um grande encontro. A gente tem as mesmas referências por causa da idade, como PJ Harvey e Courtney Love. Então, a construção visual do ensaio foi meu sonho de fotografia", conta Ivi.

O projeto a permitiu criar imagens em estúdio pela primeira vez. A colaboração trouxe à tona a persona party girl desta fase da artista. Unindo universos, elas executaram a visão de Catto: “Criamos a Barbie de rosa, destruída em uma festa de formatura e com o coração partido – uma coisa meio Carrie, a Estranha".

Por:

Pedro Furlan

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