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Samantha Schmütz detalha álbum com Adrian Younge, do Jazz Is Dead, em clima soul dos anos 1970


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação

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O brasileiro conhece Samantha Schmütz pela TV e pelos palcos do teatro, em papéis cômicos ou dramáticos. Mas a carioca, há muito tempo, também se dedica à música — tendo iniciado a carreira cantando em bares de Niterói, elegendo Amy Winehouse e Whitney Houston como favoritas . De prontidão, Adrian Younge, o músico e produtor norte-americano idealizador da gravadora Jazz Is Dead, viu esse talento nela logo ao conhecê-la, durante um show de Marcos Valle em Los Angeles e, desde então, se uniram pela música.

Em agosto de 2025, lançaram juntos o disco Samantha & Adrian. Ouvi-lo é como embarcar em uma viagem direto para os anos 1970: gravado com equipamentos analógicos no estúdio Linear Labs, o disco mistura a atmosfera soul da época com pinceladas de MPB.

Samantha canta com emoção, imputando sua técnica de teatro para o cantar. “Tenho uma conexão musical de tempos. Eu amo cantar como amo atuar. O palco é meu lugar”, diz a artista. Um dos singles, inclusive — "Samba Canção" — exalta também a música brasileira e o hábito de ouvir música em vinil: “tocando o vinil, você pode ouvir a alma”, canta ela.

Confira a entrevista com Samantha e o faixa a faixa de Samantha & Adrian (2025).

Como foi o convite para tocar com o Adrian Younge? Como se conheceram?

Nos conhecemos em um show do Marcos Valle, em Los Angeles. A partir desse dia, começamos a nos falar e trocar mensagens. Ele é um cara que, de pronto, você vê que é diferente, especial, talentoso, autêntico…

Mandei para ele um vídeo do meu programa no Canal Bis, Samantha Canta, no episódio sobre a Elis Regina, em que cantei com o Criolo o famoso medley dela com o Jair Rodrigues. Ele viu e sentiu que a nossa parceria precisava acontecer. Então, me convidou para cantar com o Arthur Verocai na turnê pelos Estados Unidos que ele estava produzindo.

Aprofundamos nossa afinidade artística e pessoal, o que culminou no desejo de fazermos um álbum juntos.

O que você trouxe da sua essência musical para o álbum?

Trouxe tudo [risos]… eu estou toda ali… minha musicalidade, minha paixão pela música, referências entranhadas dessa vida e das passadas… histórias de amor e solidão, alegrias e tristezas…

E ele? Quais pontos vocês têm de sinergia, de gostos em comum?

Ele trouxe também todo o amor dele pela música brasileira, além das suas referências refinadas. O gosto pela soul music, pela psicodelia, pelo hip hop…

Encontramos sinergia em um lugar que não sei definir em palavras. Fizemos juntos uma coisa meio dark romântica, verdadeiramente crua e pessoal.

Transformamos isso em um álbum único, nosso — você percebe referências e influências, mas não parece cópia de nada.

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Como foi o processo criativo e de composição do disco?

Foi incrivelmente artesanal. Ele primeiro escreveu os arranjos e depois chamou os músicos para gravarem a orquestra. Eu acompanhei as gravações com um caderno na mão e ia largando o dedo, escrevendo o que vinha na minha mente diante daquela experiência.

Era um ninho repleto de músicos talentosíssimos, que tocam com artistas como Lauryn Hill… essas sonoridades me inspiraram muito.

Depois, eu ia para o hotel organizar as ideias. Também foi inspirador compor na atmosfera do Chateau Marmont, um hotel icônico por onde passaram — e passam — grandes artistas de Hollywood. O ar vintage… tudo nesse álbum tem muito cheiro de passado, mas com frescor de presente que vai ficar no futuro.

Pode nos contar curiosidades de estúdio e os bastidores?

O Adrian me deixou muito à vontade para criar, mas confesso que senti medo de não conseguir chegar ao nível da música tão virtuosa que ele criou — melodias dignas de um filme de 007.

Eu me cobro muito, por respeitar demais tanto a música quanto ele. Mas ele confiava mais em mim do que eu mesma, e isso me fez ser livre.

Algumas vezes, pedi para regravar, porque sentia que poderia fazer melhor, e ele disse que não. Ele não queria só o meu melhor, queria a minha emoção e a minha verdade.

Atuar e cantar, para você, despertam a mesma emoção?

Eu amo o palco… posso fazer os dois… amo os dois. O palco é o meu lugar!

Faixa a faixa - Samantha & Adrian

“Depois do Amor”: Fala de quando um amor vai embora depois de uma noite romântica. Às vezes, ele leva com ele a luz e deixa a incerteza, o mau tempo e as memórias.

“Nossa Cor”: É um sambinha cheio de psicodelia que fala das transformações do amor, assim como as estações do ano. Fala do tempo que passa, do que precisa ser dito e do que precisa continuar oculto.

“Quando o Sol Chegar”: Fala da espera, da vontade de ficar perto. Tem uma atmosfera romântica, de uma noite de amor vivida ao som de Cassiano. Um amor que se acaba com o nascer do sol, mas que deixa a porta aberta para a próxima vez.

“Samba Canção”: É um samba que fala sobre as desafinadas que a vida dá em relação ao nosso desejo, mas que ainda assim continua sendo música. O vocal delicioso de Loren Oden e Adrian Younge traz a vibe dessa balada romântica e a certeza de que podemos ser felizes e dançar a música como ela se apresenta.

“Revoada”: É uma marcha que indaga a realidade das periferias, que passam pela incoerência de ser morto por quem deveria proteger. Tem uma melodia tensa e conta a história de mais uma criança inocente que se foi — como um pássaro que foi para o céu da pior forma, com suas asas cortadas. Assim, se junta a tantos outros em uma revoada que precisa cessar. Os vocais representam o som de metralhadoras, que jamais deveriam ser ouvidas.

“More Than Love”: É uma volta às pistas de dança, a la Studio 54. Também é uma canção de amor — na verdade, mais que amor. Um dueto eletrizante com o talentoso e lindo Loren Oden. É para dançar, se divertir, se esbaldar nas pistas. É sobre amar muito e ser feliz nos encontros — às vezes eu sinto isso por algumas pessoas… mais que amor.

“Bem Me Quer, Mal Me Quer”: Tematiza um relacionamento incerto. Metais tristes e violinos choram junto com esse buquê que chega cheio de rosas, mas nenhuma delas é para você. Uma harpa traz esperança, mas, novamente, as cordas trazem a incerteza desse amor.

“Feitiço”: É uma homenagem ao meu pai Oxalá e à minha espiritualidade, à minha maneira de orar através da música. É vibrante, percussiva e densa, com metais que cantam junto em homenagem a esse orixá.

“Nosso Reflexo”: Fala de dois amantes que enxergam na natureza o reflexo desse encontro. Imagino esse casal em um momento de profunda conexão, sensualidade e reciprocidade. A orquestra cresce junto com os vocais e o som da guitarra “grita” esse amor.

Por:

Damy Coelho

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