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Sepultura lava a alma dos fãs em show sem grades no Cine Joia


Por:

Damy Coelho

Fotos: Danilo Viegas

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A contagem regressiva começou: antes da despedida dos palcos no sábado (7/11), o Sepultura recebeu os fãs para um encontro intimista no Cine Joia, em São Paulo, nesta quinta (5/11). Era a estreia deles na casa, e o ambiente, a princípio inusitado para uma das maiores bandas de metal do planeta, se mostrou acolhedor para os quase mil camisas pretas que, pouco a pouco, tomavam a pista.

A turnê Celebrating Life Through Death, que encerra um ciclo de 40 anos de história, começou em Belo Horizonte, terra natal do grupo, e rodou o mundo antes de desembarcar em São Paulo. No meio do caminho, houve uma parada no Rock in Rio, festival que já foi palco de apresentações históricas da banda, como em 1991, pouco antes do lançamento de Arise.

Mas a última passagem do Sepultura por um grande festival dividiu críticos e fãs, ao dedicar o setlist exclusivamente à fase com Derrick Green. Foi uma bela homenagem ao vocalista carismático e talentoso que segurou as pontas após a saída de Max, mas acabou deixando de fora os hits da trinca de ouro: Arise (1991), Chaos A.D (1993) e Roots (1996).

Já no Cine Joia, os fãs saíram de alma lavada. O setlist passou pelos clássicos dos três discos sem deixar de fazer jus aos últimos 20 anos de carreira. “Beneath the Remains” - faixa-título do álbum que abriu as portas do mundo para a banda -, “Arise”, “Against”, “Territory”, “Refuse/Resist” e o cover de “Orgasmatron”, do Motörhead, dividiram espaço com “Means to an End”, de Quadra (2020); "Kairos”, do álbum homônimo; além de faixas de The Cloud of Unknowing, lançado este ano, como “All Souls Rising” e “Beyond the Dream”. Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo), Derrick Green (vocal) e Greyson Nekrutman (bateria) tocaram em total sintonia - com destaque para as pancadas na batera que ecoavam pelo Cine Joia.

O norte-americano, que assumiu as baquetas após tocar no Suicidal Tendencies, foi homenageado por Andreas no palco: “Queria agradecer a esse cara, que entrou numa roubada gigantesca três semanas antes do primeiro show da turnê”, disse o guitarrista, referindo-se à polêmica saída de Eloy Casagrande, que foi para o Slipknot. “Ele vem fazendo um trabalho fantástico e é uma pessoa maravilhosa", completou. Andreas ainda contou que Greysson ama o Brasil e “toca de Charlie Brown Jr. a Exaltasamba e Rita Lee” (ficamos curiosos para conferir).

Derrick também recebeu louros do companheiro de banda, que agradeceu pelos anos de parceria e por ter levado a segunda guitarra de volta nesta última turnê, na faixa "Mindwar".

No meio do show, o público puxou um “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c…”, incentivado por Andreas e Derrick. Vale lembrar que o voto declarado em Lula foi um raro ponto de concordância entre Kisser e os irmãos Max e Iggor Cavalera, que deixaram a banda em 1996 e 2006, respectivamente.

Na plateia, a roda não parou do início ao fim, enquanto a banda despejava quase duas horas de pancadaria com a mistura de metal, letras punk e tambores brasileiros que mudou os rumos da música pesada. Volta e meia, um fã subia ao palco para um stage diving e alguns segundos de proximidade com os ídolos, fazendo do Cine Joia um ambiente curiosamente perfeito para o início dessa despedida. Como de praxe, “Roots Bloody Roots” encerrou a noite no auge.

Sem muito papo, projeções ou participações especiais, o Sepultura entregou exatamente o que os fãs queriam: um show caloroso e recheado de hits. Se a quinta foi um encontro intimista, o sábado promete ser o adeus em escala ampliada, com abertura de Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich. Os fãs já estão prontos para a última dança.

Sepultura
Sábado, 7 de novembro de 2026
Suhai Music Hall, São Paulo (SP)
Abertura: Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich
Ingressos e informações: Ticketmaster

Por:

Damy Coelho

Fotos: Danilo Viegas

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