Ruka-TD-1

Toca-discos vertical estraga os discos de vinil? Entenda os riscos


Por:

Damy Coelho

Fotos: Reprodução/Ruka, Fuse Audio

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Se você ama discos de vinil, provavelmente o algoritmo já deve ter te mandado algum modelo de toca-discos vertical. As imagens impressionam, mostrando o vinil girando surpreendentemente na vertical (sem cair!), e costumam ser de uma beleza que equipara esses produtos a obras de arte. Mas, se nem o famoso cachimbo de René Magritte tinha a funcionalidade de um cachimbo real, será que os toca-discos verticais são mesmo funcionais ou só servem para ficarem bonitos na parede?

Entre os modelos que pipocaram no mercado recentemente estão os da californiana Fuse Audio, especializada nesse formato. Um dos slogans da marca — “O vinil hoje é feito para ser ouvido e visto” — mostra como eles apostam mesmo no fator estético. O Fuse Vert e o GLD, por exemplo, são compatíveis com 33, 45 e 78 rpm e com conexão Bluetooth.

Outro lançamento que chamou a atenção é o Ruka TD-1, da Ruka Studio, que aposta em um sistema de calibração da força de tração da agulha e em uma presilha magnética para manter o LP no lugar durante a reprodução (ou seja, ele não vai cair!). O valor, porém, é salgado: sai por US$ 1.399 (cerca de R$ 7,2 mil). A marca de Hong Kong CoolGeek também lançou o CoolGeek VS-01, com Bluetooth, reprodução em 33/45 rpm, sistema de controle de velocidade e alto-falantes integrados, sem falar no acabamento em couro.

O Ruka TD-1, por exemplo, está em pré-venda e só deve chegar ao mercado em 2027 — portanto, ainda não é possível testá-lo. Mas o fabricante garante que os aparelhos incluem um sistema que calibra e mantém a força de tração adequada da agulha durante a execução.

Modelo Fuse Wrap Bamboo
Modelo Fuse Wrap Bamboo

A ideia, porém, está longe de ser nova. Nos anos 1980, a Sharp lançou o VZ-2000, um toca-discos vertical (e portátil!) com sistema estéreo, que trocava o lado do disco com a ajuda de um botão. Apesar da inovação para a época, o formato nunca se consolidou entre os equipamentos preferidos dos audiófilos, em parte pelas dificuldades de controle do braço e da pressão da agulha sobre o sulco.

Hoje, contudo, o modelo ganhou status de cult entre colecionadores, justamente por sua estética e pela tecnologia pouco convencional.

Mas funciona?

Fomos atrás de especialistas para entender os dilemas que envolvem esses toca-discos. Afinal, reproduzir um disco na vertical pode acelerar seu desgaste? Para Carlos Alberto de Mattos, fundador da Caverna Rock Discos, a avaliação exige cautela. “Esses braços costumam ser muito leves, o que não permite uma regulagem adequada na vertical. Com isso, a agulha exerce uma pressão excessiva sobre o sulco do disco, acelerando seu desgaste. O consumo da agulha também acaba sendo maior”, afirma. E ele ressalta: “É uma tecnologia que já foi lançada no passado, mas não funcionou bem, mesmo com materiais melhores do que os utilizados hoje.”

Assim, embora os novos toca-discos verticais recuperem uma estética sedutora e tragam soluções tecnológicas diferentes das encontradas nos modelos antigos, ainda é preciso um tempo considerável para testá-lo e ver se os discos estragam. No caso do Ruka TD-1, então, esse teste precisa esperar até que o aparelho esteja disponível no mercado. E aí, você arriscaria?

Por:

Damy Coelho

Fotos: Reprodução/Ruka, Fuse Audio

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