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Conheça 10 trilhas sonoras de Ludwig Göransson, compositor de “A Odisseia”


Por:

Giulia Cardoso

Fotos: Reprodução

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O lançamento do épico A Odisseia nesta quinta (16/7) marca a terceira colaboração de Ludwig Göransson com o diretor Christopher Nolan. O compositor sueco já trabalhou com artistas como Childish Gambino, Rihanna e Adele, além de ter uma assinatura musical pautada por instrumentos tradicionais e étnicos com a produção moderna de hip-hop e música pop. Agora, ele recebeu o desafio de traduzir a grandiosidade do clássico de Homero em forma de música no filme estrelado por Matt Damon, Zendaya, Tom Holland, Robert Pattinson e Anne Hathaway

Em declaração à revista Time, Ludwig revelou que a decisão de afastar as orquestrações convencionais partiu de uma preocupação que amarra rigor criativo e reconstrução histórica. “Naquele tempo, orquestras não existiam. Foi um desafio, mas também uma oportunidade de tentar criar algo realmente único”, explicou. 

Para contornar a ausência de um conjunto sinfônico tradicional, o produtor musical alugou 35 gongos de bronze de proporções variadas. No estúdio, Göransson experimentou novas texturas microtonais gravando as peças metálicas em atrito com sintetizadores modernos. O resultado desse laboratório acústico gerou as primeiras composições conceituais enviadas diretamente para a validação de Christopher Nolan.

A ousadia estrutural ecoa os rumos de sua premiada carreira nas telas, que inclui sucessos massivos como Pantera Negra (2018) e o recente Pecadores (2025) — que marcou sua quinta parceria com o cineasta Ryan Coogler — e três estatuetas do Oscar.

Além das texturas instrumentais que embalam o longa, Göransson estendeu seu trabalho até os créditos finais na faixa inédita “When I'm Home”. A música amarra o conceito do filme ao promover o encontro entre Travis Scott e James Blake. Scott, inclusive,  integra o elenco de A Odisseia  interpretando o bardo, um poeta grego. A faixa foi escrita pelo próprio Christopher Nolan em sua estreia oficial como letrista.

Confira abaixo 10 trilhas sonoras compostas por Ludwig Göransson:

A Odisseia (2026)

Em entrevista detalhada à revista Gramophone, o compositor explicou que, para construir a partitura baseada nos gongos de bronze, sua equipe precisou encarar um severo desafio de engenharia de áudio. Como os gongos tradicionais não seguem a escala ocidental de doze notas — a afinação padrão dos pianos e das orquestras —, o compositor passou semanas trabalhando com microtons. Segundo revelou à publicação, ele utilizou softwares de modulação avançados para esticar e distorcer as frequências naturais do bronze batido, criando acordes e texturas melódicas sombrias a partir de notas que "habitam as frestas" da música tradicional.

Pecadores (2025)

O longa-metragem marcou a quinta parceria de Ludwig com o cineasta Ryan Coogler. Afastando-se de melodias convencionais, ele apostou no uso de distorções de frequências subgraves — desenhadas para provocar uma resposta de vibração física no corpo do espectador — e na sobreposição de arranjos que conferem uma sensação sufocante à atmosfera do longa.

Oppenheimer (2023)

Trabalho que rendeu ao compositor o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. Para traduzir as complexidades da física quântica e a angústia psicológica do protagonista, Göransson elegeu o violino como base condutora da partitura. O instrumento transita com velocidade entre melodias intimistas e arranjos orquestrais caóticos, que incorporam efeitos eletrônicos e sintetizadores para mimetizar reações em cadeia.

Pantera Negra (2018)

Obra icônica que rendeu a Göransson seu primeiro Oscar. O compositor viajou pelo continente africano para pesquisar ritmos tradicionais e acervos ancestrais, registrando as batidas do tambor falante (talking drum) e coros locais. 

Creed: Nascido para Lutar (2015)

Na revitalização da franquia derivada de Rocky, Göransson honrou o legado das composições clássicas de Bill Conti (Rocky e Karatê Kid), mas inseriu o projeto na realidade das ruas da Filadélfia. A trilha mescla arranjos de metais imponentes com batidas de trap contemporâneo e rimas de hip-hop, amarrando o arco dramático de superação do lutador a uma estética urbana.

Tenet (2020)

A primeira parceria com Christopher Nolan aconteceu aqui. Para acompanhar a mecânica de inversão temporal do roteiro estrelado por John David Washington e Robert Pattinson, Göransson manipulou áudios orquestrais gravados ao contrário, misturando arranjos industriais, guitarras distorcidas e o som de sua própria respiração processada em sintetizadores.

Red: Crescer é uma Fera (2022)

Nesta animação da Pixar, o compositor demonstrou sua versatilidade ao mesclar as texturas tradicionais de orquestra com a energia vibrante e nostálgica do pop e do hip-hop dos anos 90 e 2000. 

Venom (2018)

Para o anti-herói da Marvel, o produtor sueco apostou na fusão entre música eletrônica industrial e guitarras de rock pesado. A trilha opera de forma invasiva, utilizando texturas ruidosas e colagens sonoras distorcidas para refletir de maneira acústica a simbiose violenta e a dualidade psicológica entre o protagonista e a criatura.

O Mandaloriano (2019)

Responsável por redefinir a identidade musical do universo de Star Wars na televisão, Göransson evitou emular as clássicas orquestrações de John Williams. Em vez disso, ele construiu o tema do caçador de recompensas a partir de uma flauta doce contrabaixo, combinando elementos do space-western clássico, guitarras elétricas isoladas e sintetizadores de vanguarda.

Fruitvale Station: A Última Parada (2013)

O ponto de partida de sua parceria com Ryan Coogler. Trata-se de uma partitura minimalista e confessional, estruturada para guiar a tensão dramática com extrema economia de recursos. Göransson utilizou arranjos ao piano e captações de áudios urbanos reais modificados eletronicamente para construir o tom documental, íntimo e melancólico exigido pela tragédia real

Por:

Giulia Cardoso

Fotos: Reprodução

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