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João Rock 2026: de BaianaSystem a Marina Sena, veja os destaques do festival


Por:

Maria Paula Santos

Fotos: Alisson Demetrio, Nivaldo Junior/Divulgação

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O João Rock 2026, que rolou no último sábado (1/8) em Ribeirão Preto, mostrou por que segue um dos festivais mais importantes do calendário brasileiro. Em um momento em que muitos eventos apostam cada vez mais em line-ups internacionais, o festival reuniu cerca de 65 mil pessoas, reafirmando sua identidade ao apresentar mais de 30 atrações distribuídas em cinco palcos em um recorte que passeia por diferentes gerações e sonoridades da música nacional. Rock, rap, reggae, manguebeat, pop, mainstream e independente, o festival provou que "viver a música brasileira" pode significar muitas coisas ao mesmo tempo.

Se o palco principal concentrou nomes consagrados como Zé Ramalho, Os Paralamas do Sucesso, CPM 22 e Alceu Valença, os outros espaços mostraram um festival cada vez mais interessado em olhar para o presente. O Palco Brasil, neste ano com o tema "De Norte a Sul", colocou lado a lado artistas dos quatro cantos do país, enquanto o Aquarela celebrou a força feminina reunindo nomes fundamentais da nova MPB e do pop brasileiro, como Rachel Reis e Ana Carolina. Já o Fortalecendo a Cena seguiu cumprindo seu papel de ampliar espaços com artistas do hip hop brasileiro como Djonga, Criolo e FBC.

Com o tema “O Brasil vive aqui”, a 23ª edição do João Rock manteve uma característica que poucos festivais conseguem preservar depois de mais de duas décadas: crescer sem abandonar a própria identidade. O rock continua sendo o ponto de partida, mas divide espaço com gêneros que hoje ajudam a contar a história da música brasileira contemporânea.

A equipe da Noize esteve em Ribeirão Preto e selecionou os shows que mais marcaram a edição de 2026:

Palco João Rock

Responsável por reunir alguns dos nomes mais consagrados da programação, o Palco João Rock foi um encontro entre diferentes gerações da música brasileira. A banda Detonautas escolheu o festival para estrear a turnê "Rádio Love Nacional". Sem economizar nos clássicos, o grupo costurou diferentes fases da carreira em um repertório que manteve a plateia cantando do início ao fim. O vocalista, Tico Santa Cruz, deixou uma mensagem de amor e celebração de Deus, independentemente da religião ou crença. 

Em seguida, Os Paralamas do Sucesso transformaram a plateia de diferentes gerações em um grande coro ao revisitar sucessos que atravessam mais de quatro décadas de carreira. A banda fez homenagens a Tim Maia e Gilberto Gil nas músicas “Você” e “A novidade”.  De maneira descontraída, puxavam seus clássicos sempre perguntando ao público se lembrava daquele hit, como se fosse possível ouvir e esquecer Paralamas. 

Na sequência, CPM 22 levou sua tradicional intensidade ao palco e surpreendeu o público ao receber Di Ferrero para uma performance de "Dias Atrás", um dos momentos mais celebrados da noite em uma parceria que nasce justamente desses encontros em festivais pelo país: diferentes gerações do rock brasileiro, mas com a mesma mensagem e força nos palcos. É um momento mágico, daqueles que carregam muita nostalgia no coração, mas também o enchem de esperança para as próximas gerações do rock brasileiro. 

Já o BaianaSystem fez do evento, como sempre, uma grande roda punk, colocando milhares de pessoas para cantar, pular e acompanhar a força de seu repertório, levantando toda a poeira do chão do Parque Permanente de Exposições. O grupo ainda contou com participações especiais de BNegão e Vandal, que apareceram de surpresa e elevaram ainda mais a energia da apresentação. Acompanhar um show do Baiana é sempre como um arrebatamento, limpa até aquilo que você não sabia que precisava e de repente parece que é Carnaval de novo, que o Brasil ganhou a Copa e que devemos começar uma revolução, já!

Fechando a programação do principal palco do festival, o projeto Charlie Brown Jr. Acústico reuniu Marcão Britto e Thiago Castanho ao lado de Negra Li e Marcelo Nova para celebrar o legado da banda santista, surpreendendo a todos e praticamente recriando ao vivo o álbum acústico gravado pela MTV. Negra Li, naquela gravação no início dos anos 2000, era só uma menina em começo de carreira e hoje, tornou-se uma das maiores referências do rap no país. A apresentação ainda ganhou mais um momento especial com a entrada surpresa de Tico Santa Cruz, que dividiu os vocais e encerrou a noite em clima de celebração.

Palco Brasil

Com o tema "De Norte a Sul", o Palco Brasil reafirmou uma das propostas mais interessantes do João Rock: transformar a diversidade musical do país em protagonista. Em uma mesma programação, artistas de diferentes regiões dividiram espaço mostrando como a identidade da música brasileira se constrói justamente a partir da mistura de ritmos, sotaques e histórias.

Os Tucumanus representaram a região Norte do país ao lado de Victor Xamã em um espetáculo atravessado por referências à Amazônia, unindo rap, música regional e elementos da cultura nortista em uma apresentação que reforçou a potência artística da região. O público nortista estava em peso na apresentação, que parecia ter levado o calor de Manaus para a pista. Destaque para Xamã, que acaba de lançar o álbum Estreito em parceria com Willsbife, mas levou suas músicas de maior sucesso ao palco em uma energia surreal e contagiante, numa banda com duas baterias.

Na sequência, a Nação Zumbi fez do manguebeat o fio condutor de um show intenso, misturando guitarras, alfaias e ritmos pernambucanos que seguem atuais mais de três décadas após o surgimento do movimento. Em entrevista, Jorge du Peixe adiantou sobre o álbum que virá após um longo hiato de produções. 

Representando o sul do país, Armandinho manteve a atmosfera leve e praiana característica de seus shows, conduzindo a plateia por sucessos que marcaram sua trajetória e reforçando, entre uma música e outra, que é o público quem constrói a caminhada de um artista. O cantor parecia não querer sair do palco, mostrando que seu catálogo de sucessos é extenso demais para apenas uma hora de show, deixando aquele gosto de "quero mais” para os fãs, e prometeu voltar a Ribeirão Preto para sanar essa vontade. 

Mais tarde, Marcelo D2 convidou Rael para um encontro que aproximou rap e samba com a naturalidade que ambos carregam em suas carreiras, em um dos momentos mais simbólicos da noite no palco. Misturando hip hop, samba e tudo o que há de bom, a dupla trouxe uma energia musical diferenciada ao festival, fazendo com que D2 até elogiasse a falta de celulares para o alto e uma presença real do público. Rael, que voltou pela terceira vez ao João Rock, cantou seus maiores sucessos nas batidas características de D2. 

Palco Aquarela

Dedicado à pluralidade da música brasileira, o Palco Aquarela reuniu artistas de diferentes gerações e estilos ao longo do dia. Urias abriu a programação com uma apresentação intensa e performática, mesmo debaixo de um sol escaldante, conseguindo reunir um público com as letras de suas músicas na ponta da língua. Os hits "Diaba” e “Voz do Brasil”, que se tornaram um segundo hino brasileiro do público da cantora, provaram como Urias é uma artista capaz de jogar na sua cara os maiores problemas sociais do país e ainda te fazer dançar. Do ditado "não se faz música como antigamente”, deveríamos alterar para “não se faz música como a Urias faz”. Afinal, poucos são capazes disso. 

Em seguida, Luedji Luna fez sua estreia no festival levando um espetáculo elegante, passeando por referências afro-brasileiras, jazz, R&B e MPB. A baiana está viajando o Brasil com dois shows, entre eles um projeto acústico onde explora sua capacidade vocal ao máximo e prova mais uma vez, o porquê de ser uma das vozes mais potentes no país atualmente. Mesmo assim, ela não para. Nos bastidores, revelou em entrevista à Noize seus desejos no audiovisual brasileiro, com participações até em dublagem de animes. Em breve, mais informações.

Já a diva Marina Sena retornou ao João Rock pela terceira vez e brincou com o público ao dizer que já poderia pedir uma residência fixa no festival. A artista já virou figura carimbada nos principais eventos musicais desse ano, e o motivo é claro: ela leva consigo uma plateia que canta do começo ao fim todas as suas músicas, seja de início de carreira como "Por Supuesto” ou o hit de "CARNAVAL” em 2026. Com a turnê de Coisas Naturais, lançada pelo NRC, a artista entregou um show sensual e hipnotizante, chegando inclusive a se emocionar no palco em uma de suas músicas. Marina não precisa de bailarinos, nem de uma grande banda para provar que é uma das maiores artistas brasileiras atuais. Basta você olhar para ela e ouvi-la cantar.

Fortalecendo a Cena

Criado para ampliar o espaço dedicado à nova geração da música brasileira, o Palco Fortalecendo a Cena abriu caminho para artistas que vêm renovando o cenário nacional. Sinônimo para isso também se chama: AJULIACOSTA, que apresentou músicas do álbum Novo Testamento (2026), reafirmando a potência de sua escrita e presença de palco. Em sua estreia no festival, ela também arrastou uma multidão que parecia não se importar com o sol na cara, afirmando a posição de "diva” da cantora, que em um dos seus discursos fez questão de ressaltar que não faz rap feminino, e sim rap!

Yago Oproprio surpreendeu ao receber seu amigo de longa data, que também acaba de lançar um álbum: Rô Rosa, em uma participação especial que não havia sido anunciada previamente. Estreante no palco do festival, depois de dois anos do lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, Oproprio (também lançado pelo NRC), o artista foi muito bem recebido pelo seu público. Em papo com a Noize, revelou estar gravando seu próximo projeto que será lançado em breve.

Eisen Rock Station

Voltado às novas apostas do rock nacional, o Eisen Rock Station reuniu artistas em diferentes momentos de suas carreiras, mostrando a renovação da cena. Ao longo do dia, passaram diversos nomes que estão rodando o país com seu som independente, mas o destaque do palco é para a banda amazonense Jambu, que entregou um show repleto de energia e uma sonoridade diferenciada. Cantando seus sucessos, onde as referências sonoras são bastante claras, a banda formada por Briel (Gabriel Mar), Bob (Roberto Freire) e Yasmin (Yasmim Costa) transforma a experiência do show ao vivo em algo realmente mágico, com guitarras gritando e bateria nas alturas, Jambu faz a gente lembrar por que amamos rock.

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Maria Paula Santos

Fotos: Alisson Demetrio, Nivaldo Junior/Divulgação

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