
A construção da trajetória artística de Vandal foi traçada de maneira vanguardista. O baiano foi pioneiro do grime e do drill — vertentes do rap oriundas do Reino Unido e dos Estados Unidos, respectivamente. Já em pré-venda, o kit traz um LP translúcido e um zine especial com imagens do projeto.
Agora, ele bate no peito e assume essa postura de visionário no primeiro álbum, VANGUARDAH (2026). O projeto será prensado na loja NRC+ na edição em vinil translúcido, acompanhado de um zine com imagens que mostram a construção da identidade visual do projeto do rapper.
A musicalidade marcante das faixas do disco pedia uma identidade visual à altura. Para isso, Vandal assina, em parceria com Phodismo, a direção criativa do projeto, que traz na capa imagens e elementos que remetem a figuras religiosas. Mas, basta um olhar mais atento para perceber que não há somente imagens sagradas ali.
Na contramão dos processos cada vez mais automatizados, o artista recorreu à Cerâmica São Francisco, tradicional fábrica familiar de imagens sacras localizada no bairro de Valéria, em Salvador. Com um molde desenvolvido pelo escultor e tatuador William, os artesãos-chefes Francisco Castro e Cristina Cerqueira, conceberam as imagens do artista que vemos na capa.
Diferentemente das mixtapes lançadas pelo artista anteriormente — TIPOLASVEGAZH MIXTAPEH (2015) e PHODI$MO MIXTAPEH, VOL.1 (2021) — o álbum parte de dois pilares conceituais. O primeiro, ligado à fé e à afetividade, lançado no dia em que se comemora Santa Dulce dos Pobres entre os católicos (13 de agosto), o projeto é dedicado a ela, bem como a Dona Neusa, avó do artista, responsável pela sua criação.
“Sou devoto de Santa Dulce dos Pobres. Junto com a minha avó, ela é a maior referência de vida. Essas duas mulheres moldaram o meu pensamento. Sou um menino criado por vó, vivi minha vida com ela,” explica sobre a importância dessas figuras para a sua formação.
O segundo pilar é uma reverência à história do próprio Vandal que, ao longo das 10 faixas, traz para o rap dele elementos oriundos de outros estilos musicais, como samba-reggae e música afro-sinfônica, transformando o disco em uma festa de largo, manifestação cultural típica baiana em que elementos religiosos se misturam a outras festividades.
“Não sou como os MCs convencionais – e não falo isso de uma forma soberba. Não venho da escola de rap norte-americano ou das batalhas de freestyle,” reflete o rapper baiano. “Minha escola musical foram as festas de largo, minhas primeiras letras eu escrevi para as bandas de pagode dos meus amigos e meus primeiros palcos foram os das festas de largo, com trilha sonora de lambada, arrocha, axé music, samba-reggae e samba duro.”
Para ajudar na construção do projeto, Vandal contou com Russo Passapusso, que participa de VANGUARDAH na faixa “SONÄNBULOH” e assina a direção musical do álbum e aproximou o MC do maestro Ubiratan Marques e da Orquestra Afrosinfônica, que estão no álbum tranzendo mais camadas sonoras às letras do músico. Também participam do disco KL Jay, Liz Reis, Orquestra Afrosinfônica, Hiran, Josyara, Giovani Cidreira, suhhh, Paulo Pitta, Colibri, Livia Nery.
TRACKLIST
1. SAVEIROZH
2. VANGUARDAH
3. PONTOH DEH REVOLTAH
4. AH VERDADEH DAH CIDADEH
5. AVEMARIAH
6. ANJOH BOMH DAH BAHIAH
7. SUPEREH
8. RÉQUIEMH PARAH UMH SONHOH
9. MULHEREZH DAH MINHAH VIDAH
10. SONÄNBULOH















