
Há pouco menos de dois anos, Madonna deixou os fãs em alerta ao postar uma foto ao lado do produtor Stuart Price com a legenda “Confessions on a Dance Floor part 2?”. Os sinais estavam claros: a Rainha do Pop, ao lado do DJ responsável pela produção do clássico Confessions on a Dance Floor (2005), estava tramando alguma coisa.
Entre rumores de uma versão comemorativa de 20 anos com remixes ou algum tipo de deluxe, foi anunciado, em setembro do ano passado, que a diva simplesmente lançaria um disco novo, como uma continuação do anterior: o Confessions II.
Desde o aclamado álbum que inclui hits como “Hung Up”, “Sorry”, “Get Together” e “Jump”, a artista lançou Hard Candy (2008), MDNA (2012), Rebel Heart (2015) e Madame X (2019) — um dos movimentos mais ousados, no qual ela flerta com o pop latino e o reggaeton. Há, inclusive, parcerias com Maluma e com Anitta, com direito à versão em português.
Em julho do ano passado, a artista lançou Veronica Electronica (2025), uma compilação com remixes de oito faixas do aclamado Ray of Light (1998), além da inédita “Gone Gone Gone”, produzida na época do disco, mas que acabou ficando de fora da tracklist.
Caindo no house
Ao contrário do primeiro Confessions, no qual Madonna explorou a disco music dos anos 1970, em Confessions II (2026), ela se debruça sobre a versatilidade da house music com a adição de batidas eletrônicas aos hits da disco, criados nos Estados Unidos por produtores e DJs latinos, negros que integravam a comunidade LGBTQ+.
A comunidade, aliás, sempre foi parte essencial da carreira dela, e Madonna já defendeu essa parcela da população em diversas ocasiões. Inclusive, para o lançamento do álbum, a artista firmou uma parceria com o Grindr, aplicativo de encontros focado na comunidade LGBTQ+, para anunciar a pré-venda exclusiva. A parceria ainda rendeu a edição limitada do disco em vinil.
A artista também lançou um filme com participações de nomes como Julia Gardner — que viveria a cantora num filme biográfico cancelado após desentendimentos entre a cantora e a Universal em relação ao orçamento — Benedict Cumberbatch, Feid (que também colabora com a artista no álbum), Odessa A'zion, Debi Mazar, Kate Moss, o jogador de futebol brasileiro João Pedro e Lourdes Leon, filha da cantora. Numa pegada Bitch I’m Madonna, a artista mostra que continua no centro da indústria pop.
Listamos abaixo alguns fatos sobre o retorno triunfal de Madonna às pistas de dança. Confira:
Sold out
Um retorno em grande estilo pede grandes celebrações e Madonna sabe fazer isso como ninguém. A artista lançou diversas versões físicas de Confessions II, são elas: Vinyl 2 LP Deluxe numerado e Vinyl 2 LP Deluxe Premium, ambos com 16 faixas. Tem também o Vinyl Picture Disc, com 12 faixas. Há ainda os CDs, um com 12 faixas e outro com 16, além do CD Pocket - Deluxe, com 16 faixas e um livreto de fotos. A artista também lançou uma versão em cassete e vinis exclusivos para lojas como Amazon, HMV e RSD, todos com 12 faixas. Há ainda os vinis Indie-ecomm exclusive pink e o Community Exclusive, ambos com 12 faixas. Para completar, tem ainda o Grindr Exxxclusive Picture Disc, lançado no aplicativo e que também conta com 12 faixas.
O disco já é um sucesso de vendas e as projeções de vendas indicam que a obra deve superar a antecessora, Madame X. No Brasil, a loja Locomotiva Discos classificou o projeto como um fenômeno, tornando-se o CD mais vendido da história do empreendimento. Em um vídeo, eles revelaram que, em apenas quatro dias, o disco superou Brat (2024), o disco mais vendido dos últimos dois anos pela loja.
Wild Side
Em Confessions II, Madonna e Stuart Price abusaram dos samples e interpolações. Entre eles está uma facilmente reconhecível: o “Do-do-do, do-do, do-do-do” do clássico “Walk on the Wild Side”, do Lou Reed, ganha uma versão no hit “Danceteria”.
O álbum também conta com samples que vão desde “Gnossienne No. 1”, do compositor francês Erik Satie, usada em “Betrayal” até “My Army of Lovers”, do grupo de música eletrônica Army of Lovers, que serviu de base para a faixa “My Sins Are My Savior”. Também rolaram samples de “Good Life”, do Inner City em “Bring Your Love”, parceria com Sabrina Carpenter e do produtor francês Lil’ Louis, com um sample de “French Kiss (Back Up Your Conversation Mix)”, lançada no final da década de 1980, sampleado em “I Feel So Free”, faixa que abre o álbum de Madonna.
Brasil na pista
Assim como o disco lançado em 2005, Confessions II tem uma identidade visual marcante e para isso, Madonna contou com o reforço de dois nomes importantes: Rafael Pavarotti e IB Kamara.
O primeiro, Rafael, é um fotógrafo de moda nascido em Belém. O artista, acostumado a fotografar grandes nomes, já trabalhou com Beyoncé, Seu Jorge, Charli XCX e A$AP ROCKY. “Todo o meu amor para a única e inigualável deusa do pop, com suavidade e cremosidade incomparáveis”, escreveu o fotógrafo no Instagram.
Já Ibrahim Kamara, mais conhecido como IB Kamara, é estilista e diretor criativo da Off-White. Nascido em Serra Leoa e radicado em Londres, ele colaborou com a rainha do pop e com Rafael na identidade visual do disco. Kamara também assinou o styling de algumas imagens de divulgação do projeto.
Parcerias renovadas
O décimo quinto álbum de estúdio de Madonna marca o reencontro da artista com Stuart Price após o icônico Confessions On a Dance Floor (2005), mas engana-se quem pensa que a parceria dos dois se resume apenas aos álbuns. O britânico trabalhou com ela na Celebration, que passeou pela trajetória da artista na comemoração de 40 anos de carreira dela.
Ainda nas produções e composições, ela contou com um verdadeiro time dos sonhos que inclui Cirkut, produtor canadense que já colaborou com nomes como Lady Gaga (em Mayhem, de 2025). A venezuelana Arca também colabora com Madgie em “I Feel So Free”, ela abriu os shows da Celebration Tour. Há ainda em “Danceteria” a participação de Andrew Watt, vencedor de um Grammy na categoria de Produtor do Ano, que também colaborou com Gaga em Mayhem.
Nas colaborações, Madonna contou com a nova it girl do pop Sabrina Carpenter em “Bring Your Love”. Em “Read My Lips” ela divide os vocais com o colombiano Feid. Grande nome do EDM, o DJ e produtor Martin Garrix está em “Bizarre”. Em uma publicação no Instagram, o holandês se declarou “muito grato” por fazer parte do projeto. “My Sins Are My Savior” conta com a participação do belga Stromae. Por último, mas definitivamente não menos importante, Lourdes Leon, filha da rainha do pop está em “The Test”.
Uma volta ao passado
Confessions II revisita a história de Madonna, não só pela conexão com o álbum anterior, mas pela maneira como referencia episódios importantes de sua vida ao longo das faixas. É o caso de “Danceteria”, que faz alusão à icônica boate nova-iorquina da qual a artista era habituée.
A artista estava, de fato, olhando para a própria história durante a produção do disco. Ela escreveu o roteiro para uma cinebiografia que foi engavetada pela Warner por questões orçamentárias, apesar de tentar buscar alternativas. “Encontrei uma forma de fazer por menos dinheiro na Sérvia, mas acho que eles não estavam muito interessados na ideia. Talvez não acreditassem em mim. Uma das primeiras reações deles foi: ‘Não acreditamos que você ficaria na Sérvia por mais de quatro dias’ e eu disse: ‘Vocês leram o roteiro?’. Minha vida inteira foi sobre sobrevivência. Eu não estou indo para lá de férias.”, declarou a artista em uma entrevista à Interview Magazine.
Já "L.E.S. Girl", que encerra o disco, relembra as dificuldades da juventude, entre amores perdidos e aluguéis atrasados. Já em "Betrayal" e "Fragile", ela canta para a madrasta e seu irmão Christopher Ciccone, que morreu em 2024, transformando o disco num equilíbrio entre luto e celebração.










