
Na edição #97 da Revista Noize, que acompanhava o vinil Axé!, de Candeia, lançado em 2020, Martinho da Vila falou sobre escolas de samba como movimento cultural. Martinho sempre foi Vila Isabel, enquanto Candeia compunha para a Portela. Mas, no fim, o espírito é o mesmo: preservar as memórias de um Carnaval ancestral e símbolo da cultura brasileira. Confira abaixo o depoimento do sambista:
Nada fica igual. Tudo que permanece igual, tende a desaparecer. Uma escola de samba, lá atrás, tinha cerca de 500 componentes; hoje, esse é o número de integrantes de uma bateria. Ou seja, uma escola que desfilava com 600 componentes, hoje desfila com 3, 4 mil pessoas.
Elas foram crescendo e hoje, elas possuem uma importância econômica para o Rio de Janeiro, uma importância social dentro da cidade, tudo. Se um presidente de uma escola de samba quer falar com o prefeito, o prefeito atende.
Acho isso interessante. Se não acompanha o tempo, aquela manifestação cultural desaparece. A escola de samba, hoje, também é um espetáculo. A questão é crescer, se atualizar, e não perder a essência. Isso é que é o importante.















