
Depois dos sucessos das exposições de Raul Seixas e Ney Matogrosso, o Museu de Imagem e Som de São Paulo inaugura Janis, mostra inédita que mergulha na vida e na obra de Joplin. A redação visitou o espaço acompanhada de André Sturm, diretor do MIS e curador da exposição.
Ele destaca: “A marca mais presente da Janis é a intensidade das emoções. Dividimos a exposição por áreas como tristeza, alegria, sexualidade e liberdade”. Segundo ele, o acesso ao acervo, guardado desde a morte da artista, foi o ponto de partida do projeto.
“Tivemos acesso a mais de 300 objetos pessoais, cedidos pela família pela primeira vez. A partir disso, o desafio foi pensar como expor tudo isso de forma viva, criando uma experiência sensorial”, explica. O resultado são ambientes imersivos que aludem a festivais a espaços íntimos, como sua casa, com cartas, roupas, instrumentos e mais.

Entre os destaques, está a recriação do histórico Monterey Pop Festival, show de 1967 que projetou a artista internacionalmente. “Antes de Woodstock, teve Monterey, e foi ali que ela foi descoberta. O show foi tão impactante que a banda voltou ao palco só para que pudesse ser filmado”, afirma Sturm. O espaço convida o público a deitar em almofadas e assistir às apresentações de nomes como Jimi Hendrix e The Who.
A exposição também revisita a relação da cantora com o Brasil, incluindo sua passagem pelo país em 1970 após assistir ao filme Orfeu Negro (1956), de Marcel Camus. “Ela se encantou pelo país e decidiu vir. Passou pelo Rio e pela Bahia, e conseguimos reunir fotos, vídeos e depoimentos, como o de Alcione, desse período”, diz o curador.
Legado musical
Nascida no Texas em uma família conservadora, Janis rompeu expectativas ao buscar uma vida livre em São Francisco, onde construiu sua identidade artística. Para Sturm, essa autenticidade é central em sua obra: “Ela não queria impressionar ninguém, só queria viver com liberdade. Essa verdade é o que faz dela tão poderosa até hoje”.
A carreira curta também impressiona — mas sua discografia ajuda a dimensionar o impacto. Com a banda Big Brother and the Holding Company, lançou Big Brother and the Holding Company (1967) e o clássico Cheap Thrills (1968). Já em carreira solo, vieram I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969) e Pearl (1971), este último lançado postumamente é considerado um de seus trabalhos mais emblemáticos. “Eu sabia que ela tinha morrido jovem, mas não tinha dimensão de como foi rápido. Mesmo assim, ela criou uma obra que atravessa décadas”, comenta Sturm.
Janis
até 14 de junho
Av. Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo
R$ 30 (meia-entrada) e R$ 60 (inteira)
Mais informações no site oficial













