
Se alguém tinha dúvidas de que a audiofilia deu match com a moda, Jil Sander está aí para provar que essa tendência está cada vez mais forte. Recentemente, a marca alemã lançou um vinil e um sound zine junto à coleção primavera/verão, em um evento especial sediado na Cisco Records, em Tóquio. Ícone da cultura do vinil desde 1970, a loja em Shibuya foi reaberta temporariamente para receber a instalação, que fica até 10 de maio.
A Cisco foi um patrimônio cultural dos fãs de vinil, fundada em 1970, em Shibuya. Com curadoria focada em jazz e rock, a loja fechou em 2007, e foi reaberta por curto período especialmente para receber a nova coleção da Jil Sander.
A instalação funciona como uma plataforma editorial e sonora em andamento, que explora o tema “Som e Ambiente”. A primeira edição reúne conversas com Simone Bellotti, Laurel Halo e Ruggero Pietromarchi, além de vozes fundamentais da música ambiente japonesa, como Yutaka Hirose, Soshi Takeda e Hiroyasu Sato.
Essa não é a primeira vez que a marca lança um vinil. No ano passado, para comemorar a chegada de Simone Bellott como Diretor Criativo, eles lançaram o JS EP (2025), em parceria com Bochum Welt, com 11 faixas instrumentais inspiradas na cena eletrônica alemã.

"A música é uma ferramenta poderosa que pode criar emoções sem filtros. O Japão, com sua sensibilidade refinada, possui uma forte cultura musical. Há sempre um toque de magia nela”, declara Simone Bellott, Diretor Criativo da marca.
Para contar essa história, Simone revisita suas próprias memórias, de ouvir Duran Duran e Spandau Ballet com a irmã na infância, as baladas com os amigos, que a levou a se interessar pelo house. O artista, inclusive, é apaixonado por mídia física.
"Graças a um amigo que é engenheiro de som, consegui criar um ambiente onde posso sempre desfrutar do som da melhor maneira possível. A maior parte do meu equipamento é fabricada no Japão ou na Alemanha, e grande parte dele utiliza tecnologia antiga”, diz.
Ele continua: “Recentemente, comprei um amplificador da Air Tight, que segue os mesmos padrões da década de 1920. Leva cerca de 20 minutos após ligá-lo para poder ouvir música, mas eu realmente aprecio esse tempo de espera quase ritualístico."
“Foi essencial encontrar músicas que dialoguem com a nossa expressão sutil, sem comprometer a imagem das roupas. A nossa abordagem foi optar por músicas calmas”, explica Simone. O grupo Laurel Halo foi responsável pela produção musical do LP.
Audiofilia na moda
Para a especialista em tendências Nina Grando, há um motivo simples para a moda estar cada vez mais conectada com a audiofilia: "Pegar num disco, ver o encarte… O ritual de ouvir música e os encontros proporcionados por ela vêm sendo valorizados. Há um luxo em você parar um pouco o tempo que é tão corrido", diz ela.




