Joanna Moura faz a sua estreia como colunista da NOIZE


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Revista NOIZE

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_por Joanna Moura Quando a Noize me chamou pra começar a escrever essa coluna aqui, o meu briefing era falar sobre moda de rua. Mas, já que estamos começando a nos conhecer melhor hoje, melhor você já saber uma coisinha sobre mim: eu sou ariana e raramente faço alguma coisa sem questioná-la um pouquinho antes. Por isso mesmo, pelo menos nesse nosso primeiro encontro, resolvi falar de um assunto um pouquinho diferente. Hoje se fala muito sobre o processo de democratização da moda. Sim, há 20 anos atrás moda era um mercado metido a besta pra caramba, com um punhado de pessoas que tomavam decisões e diziam pro mundo o que usar e o que não usar. Não à toa a gente fala sobre “ditar” moda. E você já parou pra pensar que quem dita é um ditador? Pois bem, só aí já dá pra sacar qual era o esquema. Quem com mais de 25 anos não se lembra de uma época em que, assim como os filmes gringos, as tendências gringas também demoravam meses pra aterrisarem por aqui? E agora compara com a velocidade em que os fenômenos da moda se disseminam mundo afora hoje em dia. Quanto tempo demorou entre uma estrela de Hollywood usar um wayfarer e o bendito aparecer com todas as cores do arco-íris em absolutamente todos os camelôs do Oiapoque ao Chuí? A indústria de moda (formal e informal) teve muita responsabilidade nesse processo. Afinal de contas, democratizar quer dizer vender mais. E não tem indústria que não esteja de olho em vender bem, não importa a quem. As grandes redes de varejo de moda começaram a investir em qualidade e em rotatividade. Cada loja da Zara recebe peças novas semanalmente. Tudo em sintonia fina com o que os grandes estilistas estão colocando nas passarelas de Milão, Nova Iorque ou Paris. A H&M foi pioneira em fechar parcerias com estilistas conceituados para fazer pocket collections (mini coleções) em grande escala e a preços super amigáveis. A nova moda já chegou também ao Brasil e Riachuelo e C&A são apenas algumas que replicaram o modelo. E hoje a gente fala muito sobre como a moda de rua ganhou importância no mercado de moda. E que a produção de moda agora ganhou mão dupla. A rua se inspira nas passarelas mas as passarelas também se inspiram nas ruas. O povo anda criando moda mais do que nunca. Mas nada disso teria acontecido sem o grande advento da internet. Sim! A internet. Foi através da web que a discussão sobre moda ganhou força e adeptos. Foi no www que anônimos sem nenhuma formação teórica na área se sentiram a vontade para se expressar, debater e exercitar sua criatividade. E, assim, blogs e tumblrs surgiram e ganharam notoriedade. Foi assim que gente como o Yvan Rodic (autor do excelente Facehunter) apareceu. Ou como a fofa Tavi Gevinson que, com apenas 13 anos, se tornou ícone fashion. Hoje eles estão nas filas do gargarejo de fashion weeks ao redor do mundo. Então, se hoje a nova passarela da moda é a rua, a nova Vogue, com certeza, é a internet. O lugar onde se pesquisa, discute e dissemina moda. Onde surgem ícones e ídolos. E onde todos tem as mesmas chances de ditar tendências. Quer dizer, ditar não. Porque ditadura é coisa do passado. Viva a democracia fashion. @umanosemzara é o blog da Joanna: 365 dias sem comprar. Ajudando as mulheres a viverem com seus armários.
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