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A trajetória de Luiz Melodia até a obra-prima “Pérola Negra”


Por:

Ariel Fagundes

Fotos: Rubens Maia/Acervo Rubens Mais Jr., Reprodução/Daryan Dornelles, Embaúba Filmes

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Nesta quarta-feira (7/1) Luiz Melodia completaria 75 anos. Figura central da música brasileira, o cantor e compositor carioca deixou um legado marcado pela fusão singular entre samba, soul, rock e lirismo urbano. Em 2020, o álbum Pérola Negra (1973) foi o título #43 do Noize Record Club. Na matéria de capa, a redação apresenta o músico em suas várias facetas, com entrevistas com amigos e familiares.

“Ele era uma pessoa de raiz. Totalmente ligado no mundo, mas do Estácio. Esse era ele. Luiz Carlos dos Santos, filho do seu Oswaldo Melodia e Dona Eurídice. Nascido no São Carlos. Sem mais nem menos, era aquilo ali”, diz carinhosamente Jane Melodia, companheira do músico.

Nossa conversa acontece três anos após a partida de Luiz Melodia e a saudade surge na voz dela como um verniz que patina cada palavra. O encontro deles durou exatos 40 anos, desde que Jane e Luiz se conheceram, no verão de 1977, até a morte dele, em 2017. Durante esse tempo, ela foi não apenas esposa, mas também empresária, produtora, musa inspiradora e mãe do seu segundo filho, Mahal Reis. 

Poucos podem dizer que conheceram Luiz tanto quanto Jane e ela lembra que a conexão do artista com o bairro em que nasceu foi fonte de inspiração eterna para ele. Quando Oswaldo dos Santos e Eurídice Rosa de Oliveira foram morar no Estácio e tiveram Luiz, o primeiro de seus quatro filhos, em 1951, o local já era um polo cultural (chamado de periférico, mas, na realidade, central) do Rio de Janeiro. Ali, cerca de 20 anos antes, Ismael Silva havia fundado a Deixa Falar, a primeira escola de samba da história.

A música chegava a Luiz pelas janelas, mas também era feita dentro de casa. Apesar de ganhar a vida como funcionário público, Oswaldo tocava bem uma viola de quatro cordas e era compositor, tanto que foi apelidado de Oswaldo Melodia (em 1991, Luiz chegou a gravar uma música sua, “Maura”). Ao mesmo tempo, era devoto fervoroso da Igreja Batista e obrigava os filhos a irem aos cultos aos domingos e proibia eventos ligados à escola de samba Estácio de Sá.   

Quando criança, Luiz acatava as regras, mas, conforme a adolescência veio, chegou a vontade de fazer outras coisas. Quando o pai não estava, começou a pegar sua viola, que ficava pendurada na parede, e a aprender sozinho a tocar. Era o momento em que o rock brasileiro dava seus primeiros passos e Luiz estava atento. Segundo Toninho Vaz narra na biografia Meu nome é ébano - A vida e obra de Luiz Melodia (2020) — cuja pesquisa serve de fonte para vários trechos dessa matéria —, no mesmo ano em que Roberto Carlos lançou o disco Jovem Guarda (1965), Luiz compôs “Céu, Terra e Mar”, sua primeira canção, aos 14 anos. Aos 15, ele já não era mais visto na igreja, mas sim nas esquinas do bairro tocando lindamente.  

O colégio ele também abandonou, seu estudo formal foi até o Ginásio, o que equivale ao Ensino Fundamental de hoje. Luiz começou então a trabalhar para ajudar no orçamento doméstico, foi tipógrafo em um gráfica, atendente no bar de uma academia e vendedor e caixa de loja. Mas o que gostava mesmo era de jogar bola, tocar e cantar. Rapidamente, seu talento notório chamou a atenção e ele passou a se apresentar de forma informal nas reuniões dos seus amigos. Seu repertório incluía Roberto Carlos, Renato e Seus Blue Caps, mas também Elvis, The Fevers e, claro, The Beatles.

Ainda que não fosse uma profissão, a música foi tomando um espaço cada vez maior da sua vida e, aos 16, Luiz formou com três amigos sua primeira banda: Os Instantâneos, que tocou apenas em reuniões no próprio Estácio. Ele chegou a compor com Mizinho, seu parceiro no conjunto, duas músicas chamadas “Guarida” e “O playboy”. Na época, Luiz começou a escrever mais e mais, tanto que sua família ainda tem guardadas letras que ele fez entre 1967 e 1969, como “Quero você perto de mim”, “Ferimento” e “A revolta”. Os Instantâneos foram rebatizados de Os Filhos do Sol e chegaram a se apresentar em outros bairros, mas foi uma experiência curta. “Era brincadeira de bairro, ele compunha em casa e depois mostrava aos amigos. Era isso. Não saía atrás de ninguém pra gravar”, explica Jane.

Gradualmente, Luiz começou a tocar em alguns bares e a participar de programas de calouros em rádios e clubes do Rio. Quando alcançou a maioridade, foi prestar serviço militar obrigatório no exército, um período “barra pesada” conforme o artista revelou em entrevista ao projeto Gafieiras, em junho de 2002, ao repórteres Dafne Sampaio, Daniel Almeida, Max Eluard, Ricardo Tacioli e Sérgio Seabra. Na ocasião, Luiz revelou que chegou a escoltar presos políticos e que quase foi expulso da corporação. Por outro lado, ressaltou que fez amigos lá e que tocou muito violão. “Imagino o sacrifício que deve ter sido”, diz Jane sobre esse período: “Ele gostava muito dos amigos, mas deve ter sido insuportável”. 

Foi nesse momento, em 1969, que Luiz compôs a música que redefiniria seus rumos: “Pérola Negra”. Inicialmente chamada de “My Black, Meu Nego”, a composição foi inspirada em Marlene Selix, uma adolescente de 15 anos por quem Luiz se apaixonou. Segundo a biografia de Toninho Vaz, há controvérsias, pois há quem defenda que havia duas outras meninas, ambas chamadas Rosângela, que seriam possíveis candidatas.

E há ainda uma terceira versão, que está registrada em algumas fontes, de que essa música seria dedicada a um amigo gay ou uma travesti que morava no Estácio e chamava-se Pérola Negra. Porém, conforme a pesquisa de Vaz, o próprio Melodia afirmou ao programa Fantástico, da TV Globo, que a música era mesmo para Marlene e Jane confirma: “Era a Marlene. Ele era meio que o segundo dela, ela tinha um fixo e ele era o stand by”, explica, o que ajuda a entender o tom dramático da letra.

A composição dessa música coincide com a relação que Luiz criou com uma amiga chamada Rosemari, para quem ele faria “Baby Rose”, lançada no álbum Maravilhas Contemporâneas (1976). Rose ficou amiga, primeiro, do artista visual Hélio Oiticica e esse encontro teve um efeito incandescente, que varreu o Estácio como napalm. Por um lado, Rose trouxe consigo seus quatro irmãos, que, com Luiz, formavam um grande grupo de amigos. Por outro, Oiticica apresentou-lhes a um grupo de artistas que incluía os irmãos Waly e Jorge Salomão, Torquato Neto, Lygia Pape, Jards Macalé e Rubens Maia.  

Segundo Vaz, tudo indica que foi Rose quem apresentou Waly para Melodia e esse foi o encontro que mudou tudo. Na ocasião, ele tocou “My Black, Meu Nego” e Waly ficou estupefato com a qualidade lírica e musical. Sugeriu apenas que ele trocasse o título da música para “Pérola Negra”. Isso já era por volta de 1970/1971 e Waly estava muito próximo a Torquato Neto, que produzia então um show da cantora Lena Rios. Conforme Melodia disse ao site Entre Cultura, em 2016, foi Lena quem primeiro gravou uma música de Melodia, “Garanto”. Porém, essa gravação foi lançada somente em 1972 no obscuro EP Sem Essa, Aranha!

Waly também trabalhava na época com Jards Macalé e Gal Costa em um novo espetáculo da baiana, que aconteceria no Teatro Teresa Raquel e seria gravado ao vivo. O resultado disso foi o antológico Fa-Tal (Gal a Todo Vapor) (1971), o primeiro álbum duplo e ao vivo lançado no Brasil (meses antes saiu o LP Dez Anos Depois, de Nara Leão, o primeiro álbum duplo de estúdio brasileiro). Os shows da série Fa-Tal acabaram sendo responsáveis por subitamente jogar os holofotes sobre o nome do jovem Luiz, pois foi nesse espetáculo que a música “Pérola Negra” foi apresentada ao público. 

O cantor, guitarrista, produtor e compositor Hyldon conta que estava presente na reunião na casa do empresário Guilherme Araújo, que agenciava Gal, em que foi decidido o repertório do show. “Eu fui lá e o Luiz também. Foi aí que ele mostrou ‘Pérola Negra’, e ela acabou gravando”, lembra Hyldon: “Tive um impacto no dia em que eu conheci o Melodia, logo de cara, porque ele tinha um timbre e uma maneira de fazer as letras diferentes”.

A ideia original de Gal era incluir outra composição de Luiz, “Presente Cotidiano”, porém a música não foi aprovada pela censura em 1971 e só seria lançada no disco seguinte dela, Índia (1973). “Pérola Negra” ganhou sua primeira versão de estúdio no ano seguinte na voz de Angela Maria, que lançou a faixa no seu LP Angela (1972). Nesse mesmo ano, Maria Bethânia gravou “Estácio Holly Estácio” no disco Drama - Anjo Exterminado. O sucesso de Gal já havia chamado atenção para Luiz, que começou a fazer seus primeiros shows com mais destaque depois disso, mas a gravação de Bethânia veio como uma consagração. 

Já estava evidente para todos que Luiz precisava gravar um disco próprio. Roberto Menescal, diretor artístico da Philips na época, disse em entrevista à Folha de S. Paulo, em 2013, que o guitarrista e arranjador baiano Perinho Albuquerque foi quem o incentivou a chamar Melodia para a gravadora, em 1972. Renato Piau, guitarrista e parceiro de Melodia desde essa época até o fim de sua vida, lembra que foi mais ou menos assim: “Guilherme Araújo de vez em quando fazia uns jantares e a gente ia. Um desses jantares foi uma reunião para o Luiz ser contratado, primeiramente do Guilherme, segundamente da própria Philips”. Assim, começou o projeto do LP Pérola Negra.

“O Melodia era muito garoto, era um diamante bruto, com muita qualidade. Um poeta fantástico e um cantor dono de uma voz ímpar, com um estilo muito definido”, lembra o maestro e arranjador Arthur Verocai. Assim como Hyldon, Verocai conheceu Melodia na casa de Guilherme Araújo, mas não na produção do Fa-Tal, e sim cerca de um ano depois, na criação do disco Índia, que traz os arranjos de Verocai, inclusive na faixa “Presente Cotidiano”, de Melodia.  

Guilherme, além de empresário de Luiz, era o produtor do seu disco e, no segundo semestre de 72, a partir das reuniões na sua casa, começou a ser desenhado como seria o LP. “Aí foi acertado que o Perinho Albuquerque ia fazer os arranjos, quais músicos seriam chamados e tal”, diz Piau:  

"Aí, devem ter pensado assim: Onde é que esses caras moram? O Melodia estava praticamente morando na casa de Suzana de Moraes [filha de Vinicius de Moraes e amiga dele] e lá em cima, no morro do São Carlos. Eu morava no Méier, longe pra caramba. Sei que apareceu a casa do Tibério Gaspar, lá no Recreio dos Bandeirantes, e nós fomos pra lá durante a feitura do disco. A Philips alugou para o período da gravação" — completa.

“A gente vivia pulando de apartamentos, que eram as nossas bases”, lembra o baixista Rubão Sabino, que ficou com Piau e Melodia nessa casa do Recreio. A amizade de Rubão e Melodia começou ainda 1970. “Ele já tinha me sacado, pois eu tocava no grupo Dom Salvador e o Grupo Abolição. O grupo era e é fodástico”, conta Rubão: “Ele sabia do meu potencial e me convidou para gravar o Pérola Negra, disco que eu tenho orgulho de ter participado. Daí, começamos a tocar juntos”. Sobre morar com Luiz, Rubão fala pouco, mas fala muito: “Posso te dizer que era uma loucura maravilhosa”.  

Segundo Piau, por um período que durou cerca de um mês, ele ficou nessa casa com Luiz, Rubão e Daminhão Experiença, outro grande amigo de Melodia e que fez sua primeira gravação justamente no Pérola Negra. O guitarrista conta que Daminhão era quem dirigia e levava a banda todos os dias da casa para o estúdio. “O Daminhão tinha um ciúme monstruoso do carro dele, era um Fusca novinho e você não podia nem encostar. Ele vivia com a flanela limpando, não deixava a gente dirigir, não deixava nada”, conta Piau. 

"O Recreio dos Bandeirantes era um lugar ermo, não tinha ninguém. Então, era praticamente uma prisão! [risos]. Não tinha um botequim pra ir. E o Daminhão não parava o carro em lugar nenhum. O Macalé apareceu lá uma vez, o Rubens Maia também. Sábado e domingo a gente ia pra praia, aí segunda voltávamos pra dentro do estúdio" —  diz Piau, que gravou as guitarras de “Farrapo Humano”.

As gravações aconteciam das 9h às 15h e foram feitas no estúdio Somil e no estúdio da Phonogram. “Guilheme [Araújo] entrou com grana e era o organizador do projeto, mas foi o Perinho Albuquerque quem organizou os horários de estúdio e arranjou por cima das bases que criamos”, explica Rubão. 

Os arranjos de Perinho merecem uma atenção à parte. Não havia uma fórmula, ou uma estrutura fixa para a concepção sonora do disco inteiro, cada música trazia uma composição própria de instrumentistas, tanto que nenhum músico gravou todas as faixas, exceto Luiz. Os mais frequentes são o baixista Rubão e o próprio Perinho (no violão e guitarra), ambos estão em seis das dez músicas. “Perinho era craque, era arranjador do Caetano e da Bethania na época. [Os arranjos] foram da cabeça dele e da genialidade do Luiz. Um completava o outro”, comenta Piau. 

O guitarrista destaca ainda a grandeza dos músicos presentes: “A maioria se destacou. Era uma banda, embora pequena, com uma sonoridade ímpar”. Além dos já citados, participaram de Pérola Negra artistas como Dominguinhos, Rildo Hora, Robertinho Silva, Lula Nascimento, Luiz Alves, Antonio Perna Fróes e Regional do Canhoto (com Altamiro Carrilho). Luiz Melodia não tocou, apenas cantou. 

Outros dois pesos pesados do disco são Verocai e Hyldon, ambos na faixa “Pra Aquietar”. Os entrevistados não souberam explicar o motivo, mas essa música não foi gravada como as outras. “Essa não é do Perinho. Não sei por quê”, diz Piau. “Eu estava começando a trabalhar com o Guilherme Araújo, aí ele me escalou pra fazer [‘Pra Aquietar’]”, diz Verocai: 

"Acho que quebrei um galho. Foi uma música que, de repente, estava faltando e eu fiz esse arranjo só por causa disso. Não sei. Mas lembro que eu fiz no estúdio, não levei pra casa, organizei lá mesmo. Era só a base que tinha, aí botei aquela guitarra distorcida", diz o maestro. Hyldon conta uma história parecida:

"Nessa fase, eu estava começando a entrar lá na Polygram como assistente de produtor do Mazzola. Mas eu sempre tive uma guitarra muito boa. Aí me chamaram, mas não tive contato nenhum com o Melodia no estúdio nem com os outros músicos. Só sei que botei minha guitarrinha lá, disse.

“Pra Aquietar” teve outra particularidade: foi uma das faixas censuradas pela Ditadura. Ainda que a letra falasse de um inocente passeio à Ilha de Paquetá, Melodia precisou fazer uma adaptação, que gerou o verso non-sense “não posso pra lá, paraguaio para”. Outras duas músicas foram censuradas e não entraram no disco: “Feras que Virão” e “Feto, poeta do morro”. “Farrapo Humano” também foi barrada inicialmente, mas acabou liberada. 

Sobre as letras de Pérola Negra, Jane Melodia diz que se impressiona até hoje com a densidade poética que Luiz apresentava em composições como "Abundantemente Morte”: “Fico impressionada com um menino já estar mergulhado num sentimento desses. Ele tinha esse lado, mas era muito alegre também”. Ela conta ainda que, além de Marlene, em “Pérola Negra”, outra grande inspiração romântica de Luiz na época foi uma mulher chamada Deda, sobre quem não restou muitas informações.

Sabe-se apenas que ela não era brasileira, a princípio era argentina, filha de um Cônsul estrangeiro, teve uma atuação como militante política no Brasil e que, além de Luiz, namorou Waly Salomão. Ela era cerca de dez anos mais velha que Luiz e o caso rápido e intenso que tiveram motivou “Magrelinha”, “Vale Quanto Pesa”, “Farrapo Humano” e “Objeto H” (segundo Jane, o objeto em questão era o carro de Deda, que Luiz pegava sem saber dirigir direito e andava no bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio, onde ela morava).    

De incompreendido a legado da música brasileira

Quando saiu, no primeiro semestre de 1973, Pérola Negra não foi um sucesso massivo de vendas, mas recebeu críticas positivas. Do meio pro fim do ano, houve shows de lançamentos no Teatro Tereza Rachel, que contaram com a direção musical de Verocai. “O Guilherme me chamou e dei uma de diretor musical. Chamei um grupinho, lembro que a gente ensaiou um pouco, mas foi rapidinho. Acho que fiz uns dois ensaios só”, diz Verocai. “Fizemos uma temporada média  pra longa, foram vários shows, também com sucesso”, diz o baixista Rubão Sabino. “Eu cheguei até a ensaiar para esse show, mas deu um rolo e eu acabei não tocando. Quem tocou foi o Perinho Santana”, lembra Piau.

Com o passar do tempo, Pérola Negra foi sendo mais e mais compreendido e amado, até que atingiu o status de um pilar da nossa música. “Tudo estava a favor”, diz Rubão Sabino: “O resultado foi o esperado. Um disco histórico, de suma importância, fundamental nos conceitos históricos da arte afro-brasileira”. “É um disco pra ser lembrado daqui a muitas gerações. É um disco eterno”, declara Hyldon. 

Ao longo de 40 anos, Jane viu de perto Luiz compor, gravar e lançar dez álbuns de estúdio e quatro ao vivo. Isso sem contar as muitas coletâneas e participações especiais de Luiz nos trabalhos de outros artistas. Foram muitos os projetos e ela diz que nem sempre Luiz Melodia teve o seu trabalho compreendido. “Era um jovem negro, vindo da periferia, com um pensamento diferente, e isso fazia tudo ficar um pouco mais difícil”, diz Jane. Mas, com o passar do tempo, ela sente que a obra dele tem sido mais e mais reconhecida.   

Ele foi um guerreiro. Um homem muito forte, no sentido de ter personalidade forte e de trilhar seu caminho da forma que achava que tinha que ser, mas de uma doçura imensa. Foi isso que ficou. Apesar de ser esse leão, que ele foi, é assim que as pessoas lembram dele: com amor e doçura. 

Hoje, Pérola Negra é presença obrigatória em qualquer lista que elenque os melhores ou mais importantes discos nacionais. Muitas de suas faixas ganharam diversas versões nos anos seguintes e o álbum é tido como uma das jóias mais preciosas que a nossa música já produziu. Forjado com delicadeza e passionalidade, ornado de filigranas líricas e musicais, trazendo pepitas mineradas no Estácio, mas um acabamento inspirado nos sons de vários locais do mundo, essa é uma obra-prima, perfeita. Um patrimônio da cultura brasileira que merece todas as nossas homenagens e eternas reverências.

*Esta matéria foi publicada originalmente na revista Noize #43 que acompanha o disco Pérola Negra, de Luiz Melodia, lançado pelo Noize Record Club em 2020.

Por:

Ariel Fagundes

Fotos: Rubens Maia/Acervo Rubens Mais Jr., Reprodução/Daryan Dornelles, Embaúba Filmes

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