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Pedro Faissal & o Meiofree está entre a psicodelia e o surf rock em “Intermares”


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação

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O que define um projeto longevo nos dias de hoje, em que bandas e projetos surgem e acabam de maneira efêmera? A trajetória do Pedro Faissal & o Meiofree pode nos dar algumas pistas. A banda paraibana existe há 19 anos, já tocou na MTV e em festivais pelo país, junto a Cidade Negra e Lobão. Hoje, trabalham o EP Intermares (2026), título inspirado no bairro que conecta as cidades de João Pessoa e Cabedelo (PB).

A banda hoje é formada, claro, pelo fundador, Pedro Faissal, junto a Kleber Jackson, João Aires, Danilo Pacine e André dos Santos. Com cinco músicas, sendo quatro delas inéditas e o single “Não Binário”, o EP carrega o significado do estar “entre” duas coisas, incluindo a mensagem central de liberdade que a banda traz desde sua formação.

Sonoramente, fazem um rock swingado, com influências de MPB, surf rock e reggae. É como um encontro inusitado entre Mundo Livre S.A e os tempos áureos do Red Hot Chilli Peppers, de Blood Sugar Sex Magik (1992) — ou seja, um som perfeito para ouvir neste verão. Confira abaixo enquanto lê o faixa a faixa:

“Não Binário”: Inspirada no consultório de psicologia, segunda atividade do músico Pedro Faissal, esta faixa expõe uma ferida do nosso tempo. A dificuldade de ser o nosso verdadeiro eu. Num tempo onde a gente precisa parecer ser, pra caber nos, ainda fortes modelos de coerção cultural, não binário foi escrita como uma espécie de protesto, pra fazer alusão a esta sociedade paralela que criamos para podermos viver nosso principal personagem, quem somos em essência. Rock cru e libertário pra música-chefe do disco.

“Sim Não”: Uma música pra versar sobre relacionamentos da pós-modernidade. Um mar sem fim de reatividade, que muitas vezes afasta o amor e nos encerra impotentes em provar aquilo que deve ser despretensioso. Marcado por irreverência, fala das incoerências que trazemos à tona em termos de se relacionar com o outro. A gente pode lutar contra muitas coisas, o amor definitivamente não pode ser uma delas.

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“Ego”: Quando levamos o corpo à exaustão, forçando com o ego aquilo que nos parece ser o certo, a vida vem e dá uma lição. Um freio de arrumação pra nos regular na direção de uma nova frequência. O tempo da vida, dos mares e das coisas, que está no simples, como tomar café da manhã na feira da Torre, tradicional bairro de João Pessoa ilustrado na letra, onde seremos apenas mais um cidadão comum, entre todos os outros. Uma música pra reparar a justiça consigo mesmo, desistir do que faz mal, se proteger.

“Rendido”: seis dias depois da internação na UTI que quase levou embora o líder da banda,por uma síndrome metabólica, fruto de excesso de trabalho na pandemia enquanto psicoterapeuta, surgiu esta faixa. Quando tudo desmorona, quem está ao seu lado?  Perder-se de si mesmo e diminuir a frequência, se render aos limites do corpo e confiar no processo. Nos ciclos e na certeza de que algo maior nos regula. Como os mares de Intermares. 

“Tudo que eu”: Última faixa que satiriza a velocidade das coisas no nosso tempo. Numa tentativa de resgatar tempos de outrora, como a referência do histórico maio de 68 na letra ou no refrão, afirmando que 3g é melhor do que wi-fi. Pra olhar pro que realmente importa, se não, tudo fica raso e medíocre, como diz o final da letra: "Falta meio campo no Brasil, só um centroavante que não leu um livro". Jogador de qualidade pra mediar a vida e ajudar a entender o que realmente importa. É o simples e no tempo dos mares que curam. Essa é a metáfora por trás de todo o disco. Menos ego, mais liberdade. 

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