
Sarah Roston, compositora e cantora que integra a banda de Rael, lançou, em fevereiro, seu álbum de estreia, com Sensível ao Toque (2026). A artista dividiu o álbum em três atos, tendo a “primavera sexual feminina” como fio condutor de todo projeto. Produzido pelo irmão, Saulo Roston, o álbum contou com apoio do edital PROAC 24/2024.
Sonoramente, o pop e o R&B brilham, com inspirações como as de Frank Ocean. Mas o disco ainda é temperado com afrobeats, ijexá, samba-rock, bachata, pagodão baiano, miami bass — fruto de uma pesquisa intensa de Sarah — até a sofrência, que fez de Marília Mendonça sua maior musa, tem espaço. O álbum ainda conta com feat de Ammbbi, em “Pinóquio”.
O Ato II estreou em março, e, na última quinta-feira (9), Sensível ao Toque reuniu ambos os materiais, apresentando ainda três faixas inéditas: “Pé na Beira”, “Suquinho da Garota” e “lluminar”.
Sarah mergulhou em temas como desejo, afetos e autodescoberta para as 10 faixas: “É o álbum da minha vida. São as curvas que eu vivi na busca pelo amor. Eu sou canceriana, né? [risos] Então eu me jogo mesmo, amo com intensidade”, explica a artista.
Sensível ao Toque é uma estreia cheia de personalidade, de uma artista madura e com experiência na música. Com 12 anos de carreira, Sarah integra a banda de Rael, teve suas canções gravadas por Xênia França e participou da trilha sonora de séries e filmes como Vis a Vis, el Oásis (2020), da Netflix. Neste ano, decidiu mergulhar na sua carreira solo.
Confira Sensível ao Toque faixa a faixa:
"Ficando com Tesão": gosto da linguagem direta dessa faixa, com aberturas vocais do Pop dos anos 2000. Ela entrou no álbum quando ficou mais robusta na produção musical, com arranjos e texturas do instrumental que permitiram construir toda essa atmosfera ‘tesuda’ da faixa, como no final, em que levamos o ouvinte a “sonhar”. Tem inspirações no soul brasileiro, mas principalmente as referências de fora, como Victoria Monet, num arranjo Boss que floresceram aos arranjos de sopro do Doug Bone e na produção musical do meu irmão Saulo Roston”
"Ei Amor": compus essa música há 5 anos com o Saulo, durante a pandemia. Era uma música que fiz para a IZA, para entrar ao novo álbum dela. Mas peguei tanto apego por essa canção que não mandei! Guardei para o álbum. E é uma música que amo de paixão, acho delicada, tem uma melodia forte. Tem uma estrutura de afrobeats, mas quis linkar com melodias do pagode e assim nasceu”.
"Último Rolê": tem uma história parecida com Ei Amor. Foi feita em 2019 dentro de um camp de composição para a rapper Malia e para Clau, e essa música acabou não sendo gravada por elas. Sempre amei a música, por essa história mesmo dos relacionamentos casuais que quase, avança, e também em um lugar do groove do reggaeton, flertando com a melodia de um pagode. A estrutura dela é dessa forma desde o início. Foi uma faixa em que encorpá-la foi muito natural. Eu ficava pensando ‘Eu que vou gravar! Tomara que ninguém queira…’. E foi o que rolou mesmo, ainda bem!”
"Abstinência de Baile": foi feita em 15 minutos com o Divo e a Gab, e já tinha toda essa estrutura de festa, de farra, e eu sinto que a maioria dos grooves que nascem na Bahia batem primeiro no corpo. Primeiro escutamos com o corpo e depois com a cabeça. É uma música que fala do rompimento de uma relação levemente tóxica, morna, e aí chega o momento em que você opta por si própria, sua própria liberdade, a rua, o tesão e os encontros, mesmo que casuais. O coro dessa música é bom demais! O curta foi muito importante, a música ter esse corpo, era necessário algo a mais do que só a faixa em si. Me diverti muito atuando nele!”
"Pinóquio": sempre imaginei com muitas vozes femininas, como uma Cypher, com diversas artistas do Rap Nacional e também nos instrumentos, para abrir diversas vozes em uma faixa só. As mulheres estão se posicionando contra o machismo e devemos debochar mesmo das narrativas e posturas masculinas com ou para as mulheres. E foi isso que eu e Amabbi fizemos nessa faixa, foi um presente encontrá-la para fazer esse trabalho. Ela é uma pessoa muito bacana, límpida, muito transparente. Verdadeira, sabe? Rael nos apresentou e cedeu o estúdio da casa dela para gravarmos, o Estúdio Horta. E isso foi muito bom para o desenrolar da música. A transição do reggaeton para o pagodão baiano foi crucial para essa estrutura, porque tem um lugar de avante, que aparece em algumas faixas do álbum. É uma experimentação que traz movimento. Penso em fazer até remix com muitas mulheres da Cena”.
"Flor que tu fuma": esse álbum todo acaba sendo toda a mistura de tudo que vivi, das diversas cidades em que vivi e todas as influências que tive ao longo da minha vida. E aí, em “"Flor Que Tu Fuma”", vem nesse lugar do sertanejo em que a mulherada vem ocupando cada vez mais nos últimos anos. Nela, enquadro de novo os caras: ‘E aí, vai me amar ou não vai, hein?’. A maior inspiração não tinha como não ser Marília Mendonça, era um sonho trabalhar com ela e é uma artista que faz muita falta. Então a “sofrência” do sertanejo brinca com o sentimento do que a letra traz, com essa flor, essa “viagem” ter batido. Trazer o universo do alívio, de ter falado, se posicionado, ou ter dado efeito também, o que aparece no instrumental final numa transição de R&B inspirada em Nights do Frank Ocean. É uma das preferidas de muita gente, inclusive a minha”.
"Se eu falasse que te amo?": essa música mudou muito antes de entrar no álbum, tinha até outra letra. Mas se tornou o momento de assumir com tranquilidade. De escolher pelo amor, sabe? Eu escolho amar, quero amar. Pela curva da história do álbum, simboliza até o próprio caminho de chegar na madurez dessa escolha se posicionar. Com a Bachata, que sou apaixonada, eu consigo trazer a minha relação com a latinidade de uma forma muito viva! Porque sou apaixonada por ritmos de se dançar a dois”.
"Pé na Beira": é uma das minhas preferidas. Fala sobre o medo de se abrir, amar e se expor outra vez. Eu sou canceriana, né? Então sou muito intensa, e quando escolho amar, eu preciso tomar cuidado, porque eu me jogo. Eu vou com calma. Foi a estratégia que eu fiz com meu companheiro! Não tenho pressa, porque sei que quando eu tomar a decisão, e eu vou fundo. É uma música que eu amo, com o Ijexá um groove baiano, que a maioria das músicas de MPB nasceram dessa fonte, uma linguagem que a percussão ocupa o protagonismo o balanço reina. Sou apaixonada pelos arranjos vocais e dela, pela estrutura, foi tudo muito sonhado por mim e pelo meu irmão. É onde eu vejo potência. Sou muito honrada pelo resultado em que chegou, com esses profissionais que sou muito fã”.
"Suquinho da Garota": tem um flow na letra, um fluxo de fala que não tem exatamente um elemento de repetição. Vem de uma declaração de um amor, que mesmo com tanto tempo, o fogo não se apaga, tem uma paixão incrível. Essa também foi a escolha da identidade visual do clipe, em que tem um casal de idosos dançando juntos. É trazer a escolha desse sonho de viver com alguém, com paixão e construção. O groove foi pra um lugar mas enxuto, com elementos brasileiros que balançam com o Soul, pensando na sequência da próxima faixa”
"Iluminar": é a que, no momento, está no topo do pódio. Talvez por ter sido a mais recente a ser composta, mas pelo sonho de ter uma música com esse tipo de arranjo, com profissionais envolvidos desse nível, de um groove solar de fé na vida, com sonho de futuro e tudo que o amor abre para gente. Os arranjos de metais do Davidson Douglas, grande arranjador, grande amigo, que trabalha com grandes artistas, é uma música que me orgulho demais e que eu sentia falta de um Soul como esse. Eu procurava esse lugar espiritual que o amor abre para a gente na vida. Quando eu vejo essa cena nova do MPB e Soul Brasileiro, como Os Garotin, brilha os nossos olhos. Com certeza, pensei: ‘Essa é a hora de trazer esse som pra mesa, o lugar que temos que ocupar’. Ela finaliza o álbum da minha vida”.













