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4 álbuns essenciais para entender o universo particular de Marisa Monte


Por:

Ariel Fagundes

Fotos: Jorge Rosenberg

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É fácil se deslumbrar observando o infinito particular da discografia de Marisa Monte. Na paisagem desenhada por galáxias de sucessos, cada faixa brilha com luz própria, como estrelas que crepitam barulhinhos bons. Pela tapeçaria de seus fonogramas, entendemos a relatividade do tempo e somos convidados a ver como o passado, o presente e o futuro entrelaçam-se diariamente. Daqui, é possível perceber que as fronteiras são convenções imaginadas e não há necessidade de criar rótulos para falar de algo tão espontâneo quanto é a música. 

Compositora, intérprete, produtora, empresária, Marisa Monte orquestra sua arte com elegância e maestria, mas sem concessões, regendo a órbita de suas obras como uma grande arquiteta cósmica.

Seja em eloquentes declarações de amor ou cantando as lembranças do que passou, sua voz ilumina o que toca. Seus discos reluzem como o ouro, o diamante ou a platina que celebram seus recordes de vendagens. Aqui, destacamos quatro momentos de sua discografia reluzente.

Mais (1991)

Após o primogênito MM (1989), um disco de versões e gravado praticamente ao vivo (há só uma faixa feita em estúdio), Mais chega com cara de estreia. Produzido por Arto Lindsay, o álbum abre com “Beija Eu”, um dos maiores sucessos de toda carreira de Marisa, e traz ainda outros mega-hits, como “Ainda Lembro”, “Diariamente” e “Eu Sei (Na Mira)”. Esse disco inaugura a assinatura sonora da artista, uma musicalidade totalmente autoral, mas também decorrência do encontro, por vezes até inusitado, de instrumentistas de altíssimo gabarito - característica que segue nos álbuns seguintes. A ficha do disco une nomes tão fortes (e diferentes) quanto Marc Ribot e Naná Vasconcellos, Bernie Worrell e Robertinho do Recife, Ryuichi Sakamoto e as Pastoras da Velha Guarda da Portela.    

Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical (1995) 

Se há algo que perpassa toda discografia da artista é a busca por questionar conceitos pré-estabelecidos. Barulhinho Bom é o quarto lançamento de Marisa, mas é um disco duplo, sendo que um deles é ao vivo e o outro é gravado em estúdio. Ou seja, ao mesmo tempo, é o segundo disco ao vivo de Marisa e o seu terceiro de estúdio. O set ao vivo foi gravado na turnê do disco anterior, Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), e traz algumas de suas músicas, mas também outros temas já consagrados, como “Beija Eu” e “Ainda Lembro”, e versões inéditas de sucessos de artistas que lhe inspiram, como Novos Baianos e George Harrison. Já na parte em estúdio, destaca-se a parceria com Carlinhos Brown, que contribuiu com três composições incríveis: “Arrepio”, “Magamalabares” e “Maraçá”. 

Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000)

Junto a Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, é um dos álbuns mais vendidos de Marisa Monte, com direito a Disco de Diamante e cifras de vendagem milionárias. E não é por acaso: pelo menos quatro das suas faixas são sucessos gigantescos e, até hoje, são algumas das canções mais aclamadas de Marisa: “Não Vá Embora”, “Não É Fácil”, “Gentileza” e, claro, “Amor, I Love You”. O álbum reforça a presença de Brown e traz ainda a de Arnaldo Antunes, antecipando o projeto Tribalistas (lançado dois anos depois) na faixa “Água Também É Mar”, uma composição do trio. Pra completar, o disco ganhou o Grammy Latino na Categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

O Que Você Quer Saber De Verdade (2011) 

O álbum inova ao trazer em seu elenco Rodrigo Amarante e músicos da Nação Zumbi (Pupillo, Lúcio Maia e Dengue). Por outro lado, consolida parcerias antigas, como os Tribalistas Brown e Arnaldo, com quem Marisa canta “Hoje Eu Não Saio Não”. Apesar de ser lançado após a popularização da internet e, consequentemente, em um momento em que os CDs já não vendiam como antes, esse disco, assim como todos seus antecessores, ficou no topo das vendas do país. Cinco de suas músicas foram incluídas em trilhas de novelas e, hoje, se olharmos os números de execuções nas plataformas de streaming, algumas de suas faixas superam os sucessos antigos de Marisa. O clipe de “Ainda Bem” tem cerca de 70 milhões de visualizações no YouTube, enquanto o clássico clipe de “Segue o Seco” tem “apenas” dois milhões. Os dados apenas ilustram o óbvio: há 30 anos, Marisa permanece cativando novas gerações de fãs.

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Ariel Fagundes

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