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Arto Lindsay desvenda bastidores “Memórias Crônicas e Declarações de Amor” faixa a faixa


Por:

Revista NOIZE

Fotos: Divulgação

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Lançado em 2000, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor consolidou Marisa Monte como uma das vozes mais inventivas da música brasileira — um disco que transita entre o pop e o samba. Por trás da produção está Arto Lindsay, parceiro musical da cantora desde os tempos de Mais (1991), com quem construiu uma linguagem sonora que atravessa continentes: as faixas foram gravadas entre Rio de Janeiro, Salvador e Nova York, reunindo um time que passa por Liminha, Davi Moraes, Jaques Morelenbaum, e, claro, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.

Nova-iorquino que viveu na Bahia e hoje mora no Rio, Lindsay é figura central na ponte entre a cena experimental novaiorquina, o que se comprova por sua passagem pelo No Wave com o Ambitious Lovers. Ele também assina a produção de discos brasileiros que se tornaram clássicos, caso de O Estrangeiro (1989), de Caetano Veloso, e Barulhinho Bom, também de Marisa. O disco ganhou edição em vinil pelo NRC+.

Neste faixa a faixa, Lindsay relembra os bastidores de cada canção de Memórias, Crônicas e Declarações de Amor — dos dois pianos entrelaçados de João Donato em "Abololô" à faixa que Caetano Veloso escreveu especialmente para a voz de Marisa. No meio do caminho, uma regravação de Paulinho da Viola e um time de colaboradores que atravessa Nova York, Rio e Salvador mostram como o disco foi, antes de tudo, um exercício de amizade que ultrapassou fronteiras.

Lado A 

“Amor, I Love You”: Quando ouvi, falei: é hit. É uma das felicidades do Brown, em termos de letra. É engraçado porque, em “Amor I Love You”, a música já emplaca pelo título. Tipo “Beija Eu” [do álbum Mais (1991)]: a música emplaca já pelo título.

“Não Vá Embora”: Outra muito boa, uma parceria com o Arnaldo Antunes. Tem essa coisa meio soul. Foi toda gravada em Nova York, com arranjos do Greg Cohen, do Masada, que tocou com muita gente, tipo Lou Reed e Tom Waits.


“O que Me Importa”
: Essa vem de uma uma sequência boa. Tem teclado do Mark Batson, um super pianista de música clássica que já gravou vários R&Bs, um dos produtores do Dr. Dre.


“Não É Fácil”
: Essa tem uma pegada brasileira, percussiva, que a Marisa quis trazer para o disco. Tem o baixo do Liminha e o Davi Moraes na bateria. Um time muito bom.


“Perdão Você”
: Outra letra do Brown, dessa vez em parceria com o Alaim Tavares. O disco foi gravado entre Nova York, Rio e Salvador, e essa foi uma das músicas que fizeram essa viagem.

“Tema de Amor”: O uso de percussão misturada com uma levada pop já era um movimento da Marisa pelo menos desde Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994). Tem um time de percussão nessa, passando pelo Carlinhos, Kabo Duca e Alexandre Guedes. 

Lado B 

“Abololô”: Para essa instrumental, contamos com João Donato no piano. Ele é daqueles caras que já chegam com o arranjo decorado na cabeça. Já sabia até como o segundo piano poderia soar. Ele gravou dois pianos entrelaçados! E a gente ficou ali, maravilhado.

“Para Ver as Meninas”: Uma regravação do Paulinho da Viola. Marisa também sempre teve uma amizade artística e pessoal, além de uma grande admiração por ele. Essa faixa tem o grande Mauro Diniz no cavaquinho. Na percussão, o Trambique, que tocou bastante com ela, e o Paulão Sete Cordas, braço direito de Zeca Pagodinho. É uma turma muito boa.

“Gentileza”: Esse é um bom exemplo de música cuja primeira base foi gravada no Rio, com Liminha, Davi, Marisa no violão, Berna [Cepas] e Kassin nos efeitos, e depois levava para Nova York pra aplicar os sopros. Outra que teve muita gente envolvida!

“Água Também É Mar”: Essa já foi diferente, gravamos em NY e depois foi incluído o cello de Jaques Morelenbaum. É uma parceria da Marisa com Carlinhos e Arnaldo na letra. 


“Gotas de Luar”
: Vale destacar a participação de Romário Lubambo, um violonista brasileiro que mora nos Estados Unidos há muitos anos, um mestre pouco conhecido no Brasil. Ele gravou com todo mundo em Nova York e com a gente, no Cor de Rosa e nessa música.


“Sou Seu Sabiá”
: Essa, o Caetano Veloso fez especialmente pra Marisa gravar no disco. Tem uma base norte-americana, um pouco mais jazzística, que fecha bem o disco.

*Esta matéria foi publicada originalmente na Revista Noize #171, que acompanhou o vinil de "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", de Marisa Monte, lançado em 2026 pelo Noize Record Club.

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Revista NOIZE

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