ISF_4909 (1)

Do “Baile” ao house: Vhoor apresenta nova fase no álbum “De Keke!”; leia faixa a faixa


Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/ @umcertopontodevista

COMPARTILHE:

Quem já acompanha o trabalho de Vhoor vai se surpreender com o novo álbum do DJ e produtor, De Keke!, lançado pela Symphonic Brasil. O mineiro, que estourou após o hit “Se Tá Solteira” em parceria com o FBC, com quem assinou o álbum O Baile (2021) em que resgatam o miami bass, agora expande seu universo sonoro para o house e o breakbeat. 

O trabalho solo do produtor também é um hit à parte: com oito discos na bagagem, incluindo Baile & Bass (2022) e Resenha (2023), Vhoor nutre uma agenda de shows nos Estados Unidos e na Europa. O projeto, inclusive, dialoga com essas descobertas musicais de cada viagem.

“O álbum surgiu de uma necessidade que enxerguei ao tocar em diferentes estilos de eventos no Brasil e pelo mundo. Quis trazer essa abordagem da música eletrônica para um projeto pessoal, com a minha identidade”, diz ele.

Ao longo do álbum, a base rítmica do house se espicha, trazendo para a roda o funk e até sons de sinos de igreja — como em “Macete”, mostrando as múltiplas influências do mineiro. Quem quiser lembrar os velhos tempos pode ainda se deliciar em faixas como “Popô”, que começa no beat do miami para cair no batidão.

Para somar ao projeto, Vhoor trouxe nomes importantes do funk como MC GW, MC Beatriz, MC RD, MC Vick e MC Pbó, além de parceiros de longa data como como idontcare (Deekapz), Tui e o produtor norte-americano Sango.

Vhoor explica para a Noize De Keke! faixa a faixa. Leia abaixo:

"011": Essa é a primeira faixa do álbum, o começo de tudo. Venho recebendo alguns convites para poder tocar em festas com um enfoque mais forte na música eletrônica tradicional. Nesses lugares, comecei a reparar muito em como cada subgênero tem uma maneira muito única de utilizar técnicas de mixagem ou arranjo para poder simular situações em pista, como tensão, relaxamento e repetições como se a faixa já fosse pensada desde o arranjo até a escolha dos timbres para performance. Nesta faixa, por exemplo, a ideia é ter um som pensado pra se usar em dj set, um loop hipnótico com graves fortes e vocais recortados, sem muita harmonia ou elementos tonais para que em apresentação quem for a pessoa que tiver tocando tenha amplas opções para poder mesclar, loopar e se utilizar dessa faixa como ferramenta.

"Macete": Faixa com Tui e MC RD. Essa track foi fruto de longas conversas que tive com Tui, sobre como gêneros de música eletrônica como o eletro e house sempre foram muito fortes na música de Curitiba, cidade natal do Tui, e como gêneros novos como sarrinho; uma subvertente do tech house.

"Bang Bang!": com Mc PBO. É uma música que passa também pela ideia central do álbum, música arranjada pensada para pista com foco nos graves distorcidos e voz. Nos vocais tive a grande oportunidade de contar com o Mc Pbó, que deu muito mais peso e emoção pra faixa.

"Popô": com Idontcare e MC GW. Foi feita na ideia de aplicar truques do edm como buildup, por exemplo, no volt mix o beat tradicional dos bailes das antigas e também procurar alternativas modernas de estrutura mantendo o swing dos funks antigos. Poder ter a oportunidade de trabalhar com pessoas que admiro muito, como o Idontcare e o GW, me emociona bastante. São dois artistas muito influentes pra mim.

ISF_4853

"Me faz um favor, feat Mc Beatriz": Esse som é pra quem curte chill baile, agora com uma nova abordagem: ao invés do trap como levada tradicional, temos o house. Os vocais da Mc Beatriz funcionaram de uma maneira bem legal com a harmonia mais doce do beat, dando esse resultado mais intimista e soulful.

"Correria": A intenção nessa faixa era ter o favela trap como levada percussiva, mas também experimentar na hamornia um gênero que estava escutando muito quando fiz essa track: g funk - som muito característico do hip hop da costa oeste dos Estados Unidos.

"Madrugada": beat instrumental, um ritmado com uma energia mais minimalista. Tentei trazer na parte harmônica uma textura que pudesse levar a uma sensação mais espacial e ambiente. Na batida, tem o ritmo do funk paulista porém com timbres que conversam com o hip hop e o trap.

"Sexo": Um Lofi Funk [risos]. Você provavelmente já assistiu àqueles vídeos de hip hop instrumental para estudar. A ideia aqui era pensar em como aquilo soaria se fosse funk. Nessa ideia fiz esse beat com a incrível voz do Mc Magrão com uma pegada melódica, mais soft porém com uma linha de 808 bem forte.

"Assombrado": Sango Sango foi um beatmaker que me ensinou muito. A forma como ele aborda diversas regionalidades do hip hop americano me fez ter uma ideia completamente diferente dos gêneros periféricos no Brasil. Poder ter ele em uma faixa no meu álbum, principalmente uma faixa que leva o gênero do funk BH é bem importante. É uma faixa densa, com grave nessa pegada tuba ou box como eles chamam no funk, bem na levada das novas MTGs.

"Sigilo"" com Mc Vick. O beat de "Sigilo" foi uma surpresa muito boa de uma ideia que ainda não tinha tentado, mesclar a identidade do meu som com a levada do funk do Espírito Santo. Sempre escutei o famoso beat fino, mas foi bem legal poder trabalhar algo nessa pegada. A voz da Mc Vick encaixou muito bem, era aquele tempero que faltava no som.

"Funkzada": Essa é na pegada dos mandelas clássicos, timbres bem fortes e altos, em contraponto com uma melodia bem tranquila com uma vibe de música de videogame dos anos 90.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Divulgação/ @umcertopontodevista

COMPARTILHE:

RECEBA NOVIDADES POR E-MAIL!

Inscreva-se na nossa newsletter.