P1090616 (1)

“Marisa, I Love You”: 10 artistas da nova geração falam sobre influência de Marisa Monte


Por:

Felipe Tellis

Fotos: Acervo Pessoal

COMPARTILHE:

O que faz um artista ser corajoso? Talvez seja a originalidade ou desafiar as normas do mercado. Pode ser falar de amor com sinceridade. É evidente a influência de Marisa Monte nas gerações seguintes. Da composição à performance, nomes de diferentes estilos musicais a reverenciam como farol em seus trabalhos. 

Marina Sena, por exemplo, decretou que “tudo que veio depois de Marisa Monte é inspirado nela”, em entrevista à Rádio Alpha, em 2021. No caso de Anitta, no Carnaval deste ano, em conversa com a Rádio Novabrasil, expressou o desejo de dividir o palco com ela: “É um sonho. Não consigo nem pensar como eu me sentiria”. João Gomes, em 2025, disse ter sido uma honra gravar uma parceria com ela. Silva gravou dois trabalhos, em 2016 e 2017, homenageando-a.

A fadista portuguesa Carminho, por exemplo, que tem duas colaborações com Marisa, “Chuva no Mar”, do álbum Canto (2015), e “Estrada do Sol”, presente no disco Carminho Canta Tom Jobim (2016), diz admirar além da Marisa artista, afirma que ela é também uma pessoa extraordinária e generosa. 

A cantora Lio, da banda Tuyo, rodou o país com um show em homenagem a ela, o Lio Canta Marisa. Na adolescência, a cantora se aproximou da poesia, algo que sentia certa resistência por conta da pouca idade. Hoje, ela afirma que uma das características que mais ama na obra de Marisa é a proximidade de suas letras com a literatura brasileira.

Bebé, uma das revelações da MPB, coloca luz sobre a sensibilidade estética e coerência artística de Marisa, dando importância ao cuidado que ela tem com o som, a palavra, os arranjos e até o silêncio: “Ela valoriza a tradição da música brasileira sem deixar de ser contemporânea”.

Já o ícone do forró, Xand Avião, também está na lista dos admiradores e diz que poderia passar horas falando da artista. Longe dos palcos, em momentos de intimidade, escuta hits como "Bem que Se Quis" e coloca a cantora no panteão composto por Caetano Veloso, Elis Regina e Tom Jobim. Veja algumas declarações de amor a Marisa:

Bebé

"Ela foi uma das primeiras inspirações da minha vida. Minha mãe colocava o CD de Barulhinho Bom (1996) no caminho para a escola. A forma como ela canta me ensinou desde cedo que interpretar é também amar aquilo que se canta. Marisa transita entre o popular e o sofisticado de forma muito natural, criando músicas profundas e, ao mesmo tempo, extremamente acessíveis emocionalmente. Consegue falar de amor com uma elegância rara. Existe uma mistura de doçura, introspecção e força que torna suas canções humanas e verdadeiras. O amor na obra dela não é apenas idealizado, é vivido."

Carminho 

"Marisa sempre foi uma inspiração. Quando a conheci pessoalmente, cresceu a admiração pela pessoa extraordinária que ela é. Artista segura, corajosa e realmente comprometida com sua arte. É sinônimo de comunidade e de crença no sonho. Suas canções acabam por refletir essa pluralidade de olhares. Tem uma alegria sempre contagiante. Ela chega aos corações. Será sempre original, pois trata um assunto comum com distinção. Ela fala de amor com detalhe e se entrega inteira à canção. Suas canções são mais que diferentes, são de verdade."

DJ Zé Pedro

"O que me chamou atenção de imediato foi a condução de sua carreira. Recusou diversos convites para fazer o primeiro álbum e gravou um show para ser exibido pela TV Manchete num domingo à noite, maculando a soberania do Fantástico, estratégia jamais vista. Ela tem coragem. Faz uma pausa longa entre seus projetos para retornar sempre inovadora. Antes de Marisa, isso era inimaginável para um artista consagrado da MPB. Marisa é pescadora de pérolas. Mergulha fundo na tradição do samba e trouxe de volta nomes que andavam eclipsados."

Julia Mestre

"Sempre admirei como ela pensa os discos como obras completas, com conceito, estética e uma identidade muito forte. Ela é grandiosa, mas ao mesmo tempo tem um cuidado com o momento íntimo da criação. Amo também a presença de palco, existe ali um flerte muito bonito com o teatro e com a cena. E cada disco parece um mergulho profundo em um universo próprio. Cada era tem uma estética muito bem amarrada. Ela tem um olhar muito curioso e apaixonado sobre o amor. Ela coloca uma verdade muito grande em tudo que canta e isso faz com que as músicas nos toquem de um jeito muito profundo."

Lio

"Na adolescência, as canções da Marisa foram um convite para eu observar tudo que existia de delicado ao meu redor quando as coisas começaram a parecer desagradáveis, desconfortáveis e hostis. Foi com Marisa que caminhei pelas belezinhas do apaixonamento com alguma segurança e identificação. Tenho alguma resistência em me sentir arrebatada quando o assunto é amor, mas com ela me sinto segura pra deixar meu pensamento navegar. Agora, já são 20 anos deixando Marisa Monte forjar um pouco da minha voz e pensamentos. Que sorte!"

Luedji Luna

"Marisa Monte me inspira em muitos níveis artisticamente. Ela é uma referência não somente no canto – um canto brasileiro, mas também é uma referência de postura artística. Marisa é discreta, low profile e focada na música e na arte. O que mais amo no trabalho dela são o repertório e o canto, afinal ela é uma cantora que domina a voz. Na verdade, não acho que a maneira de falar de amor da Marisa seja diferente. Porém, a partir dela uma geração foi moldada."

Mariana Aydar

"Marisa sempre foi uma grande inspiração em diversos aspectos: como cantora, pela voz linda e límpida, unindo técnica e emoção, e como gestora de sua própria carreira, fazendo isso de maneira muito inteligente e com muita autonomia, algo raro de se ver, ainda mais para uma mulher. Admiro também a inteligência dela para escolher seu repertório, unindo suas composições e de seus pares contemporâneos, junto com regravações de mestres tão importantes da música brasileira, como Luiz Gonzaga, Cartola e Paulinho da Viola. Ela jogou luz na história para outras gerações. Ela abriu os caminhos."

Silvia Machete

"Fomos todos arrebatados no final dos anos 80 com “Bem Que Se Quis”. Na época, eu era uma garota do coral obcecada por música. Minhas fontes eram o rádio e a coleção de vinis dos meus pais. Ou seja, viciei. O que mais amo na Marisa é que ela é cinematográfica e canta o amor contemporâneo, além de saber se comunicar com o público de forma profunda e ao mesmo tempo super pop. Ela leva para o palco de forma teatral todo um espetáculo que cresce a cada show que ela monta e ainda navega por vários gêneros  musicais, com um estilo próprio de cantar e compor."

Sophia Chablau

"Ver uma mulher que além de cantora é produtora, me inspira demais, afinal ela criou um estilo muito próprio de cantar e também de arranjar músicas. Essa autenticidade dela é inspiradora. “Vilarejo” é uma das músicas mais bonitas que eu conheço sobre utopia. Não só acho que a Marisa fala de amor de um jeito diferente, como sinto que ela criou um jeito muito específico. É uma ideia de paixão e plenitude somadas. É paixão e amor de forma exuberante, que tem a ver com um preenchimento do espírito. A interpretação dela traz paz. É muito acalentador."

Xand Avião

"Marisa me inspira na forma como compõe, canta e dá vida à melodia e à música. Virei fã da Marisa através da música “Bem Que Se Quis”, que fazia parte da trilha sonora da novela O Salvador da Pátria (1989). Eu ainda ia fazer 10 anos e ficava me perguntando como uma pessoa podia ter uma voz de anjo como aquela. Marisa Monte tem uma fórmula para cantar e falar de amor. Ela consegue falar de amor no sentido literal da palavra: de amar ao próximo e de se amar."

*Esta matéria foi publicada originalmente na Revista Noize #171, que acompanhou o vinil de "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", de Marisa Monte, lançado em 2026 pelo Noize Record Club.

Por:

Felipe Tellis

Fotos: Acervo Pessoal

COMPARTILHE:


VER MAIS

RECEBA NOVIDADES POR E-MAIL!

Inscreva-se na nossa newsletter.