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Chico Chico e Juliana Linhares falam sobre homenagem a Belchior no Doce Maravilha


Por:

Damy Coelho

Fotos: Elisa Mendes, Zabenzi/Divulgação

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Nesta sexta-feira (7/8) começa a quarta edição do Festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, que vai até o domingo (9/8). Celebrando os encontros, o line-up deste ano tem como headliners Caetano Veloso convidando Emicida e Paulinho da Viola com Maria Bethânia. Entre feats que prometem boas surpresas, com Fresno e a Nova Orquestra, há também os reencontros de velhos amigos: a saber, Chico Chico com Juliana Linhares celebrando a obra de Belchior. Eles bateram um papo com a Noize e contam o que o público pode esperar desse show, que acontece no sábado (8/8), às 15h45, no Palco Bradesco.

Chico Chico e Juliana são amigos de longa data. Como conta Juliana, a amizade vem desde a adolescência: "Eu e Chico a gente é amigo há muitos anos, na verdade. Chico era muito jovem, acho que tinha 16, 17 anos. A gente tinha um amigo em comum, o Rodrigo Garcia, que foi responsável por unir essa galera. Era uma época em que a gente ia muito para a Serra, tinha shows no Beco das Garrafas.... Tínhamos alguns projetos que se cruzavam ali numa cena que tava começando no Rio. A gente ficou muito amigo."

E essa amizade já foi selada, inclusive, musicalmente: em 2021, Juliana fez parte do coro no show do cantor no Circo Voador. Em 2024, Chico Chico convidou a amiga de novo, desta vez, para gravar o feat "Altiva", do álbum Estopim (2024). Este também não será o primeiro encontro dos dois no palco de um festival, já que eles cantaram juntos no Coala Festival de 2022.

Desde então, Chico Chico lançou Let It Burn / Deixa Arder (2025), seu trabalho mais recente, enquanto Juliana apresentou Até Cansar o Cansaço, em maio de 2026. Agora, os dois voltam a dividir o palco, desta vez para celebrar a obra de Belchior.

Para Juliana, esse momento é ainda mais especial. Em seu novo disco, ela escolheu cantar uma versão de "A Palo Seco". A faixa aparece no álbum homônimo do artista, de 1974 — lançado em vinil em 2023 pelo Noize Record Club — mas sua versão mais conhecida é do Alucinação, disco que completa 50 anos em 2026.

A relação de Juliana com Belchior vem de longe. "Desde a adolescência, sou alucinada pela obra dele. Ouvi muito o Pessoal do Ceará, tenho uma conexão especial com cada um." Para ela, Belchior "é realmente um compositor atemporal e nordestino num lugar político e poético fora de estereótipos".

"Belchior fala sobre essa nordestinidade, sobre essa retirança nordestina num lugar muito provocador. A música dele me atravessa num lugar muito conceitual, provocador."

Chico Chico também é admirador de longa data de Belchior. "Eu escuto muito. Nunca gravei nada dele, mas toco no show há muito tempo, tipo 'Na Hora do Almoço', uma música que eu acho maravilhosa." E ao refletir sobre a poesia e a forma como Belchior toca a gente, Chico observa:

"É difícil não dançar também, é engraçado, Belchior você dançar pensando, né? Eu acho que ele propõe isso."

Por fim, esse encontro marca uma celebração da amizade, mas principalmente, do amor mútuo pela música e pela obra do compositor cearense. Juliana resume o sentimento: "Me sinto muito feliz de poder cantar Belchior com Chico. Foi um convite inesperado. Achei que fazia muito sentido. Falei: 'Que bom, Belchior com Chico... livres, políticos, poéticos, dois espíritos que querem brincar'. Estou muito ansiosa. Acho que vai ser lindo."

Chico Chico completa: "É um prazer enorme poder cantar Belchior com uma amiga que admiro, como a Juliana. É um prazer enorme ter tocado com ela. Tudo muito legal."

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Damy Coelho

Fotos: Elisa Mendes, Zabenzi/Divulgação

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