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Como foi acompanhar a gravação do Mano a Mano com a Pitty


Por:

Isabela Yu

Fotos: Pétala Lopes

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Eleito como um dos 10 podcasts mais escutados do país, o Mano a Mano, comandado por Mano Brown e Semayat Oliveira deu o pontapé inicial em sua sexta temporada no final de março. Desde então, a bancada da dupla recebeu convidados como o percussionista Paulinho da Costa, a rapper Duquesa e a apresentadora Astrid Fontenelle. Nesta quinta-feira, 30/4, veio ao ar no Spotify Brasil o episódio com a Pitty, a primeira artista do rock entrevistada no programa. 

“A gente já acompanhava a Pitty, e a convidamos pelas ideias, posicionamento e lado artístico, indo além da categoria do rock", explica Mano Brown em entrevista à Noize. Durante quase três horas, o trio trocou ideia sobre música, política e carreira. A reportagem acompanhou o papo de dentro do estúdio e conversou com Brown e Pitty após a gravação do episódio. 

No ar desde 2021, o programa se tornou videocast desde o ano passado, então os convidados são recebidos no cenário recheado de vinis. Frente a frente, abordam temas diversos e espinhosos, e nem sempre chegam a um consenso. No processo de edição, o papo é condensado para melhorar a experiência do ouvinte, mas a espinha dorsal da conversa é preservada. 

Na segunda metade do programa, as disputas em relação ao papel dos homens no combate ao machismo entraram em cena. Com exemplos masculinos positivos dentro de casa, Semayat e Pitty abriram o jogo sobre os desafios da maternidade e abordaram os números alarmantes do feminicídio no país.

“Quando elas começaram a falar sobre questões das mulheres, eu tinha que ficar ouvindo, questões com as quais eu poderia interagir, mas preferi ouvir em alguns momentos. A Pitty sempre foi uma artista engajada", reflete o apresentador. Para ele, seria impossível falar sobre masculinidade tóxica sem o recorte do racismo, como pontuou durante a conversa. 

Já a cantora resume a experiência como surpreendente: “Adorei trocar essa ideia. Foi muito bom porque a gente foi para caminhos inesperados, e isso nos levou para outras sensações, que nos tiram do lugar comum, da resposta pronta. Eu não vim com uma pauta na cabeça, vim trocar ideia”. 

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Durante o bate-papo, Pitty revelou que tem um novo disco pronto, elaborado durante dois meses, em um rompante criativo. Autodeclarada uma “loba solitária” da música, ela contou que sempre transitou entre turmas, então não se encaixava dentro dos limites do rock. Dentre suas principais referências, citou as damas do blues, Etta James e Billie Holiday

Quando estava começando a carreira no auge da axé music, na Salvador da década de 1990, encontrou a sua turma no punk rock. A liberdade, o senso de comunidade e a visão progressista foram fundamentais na sua formação artística.

Em paralelo a isso, foi nesse momento que ela também se conectou com a cultura hip-hop: “A importância do rap é gigantesca na minha vida, mais do que as pessoas conseguem visualizar. Escuto desde que comecei a ouvir rock, mas o rap floresceu em São Paulo de um jeito mais pleno do que em Salvador. Acho que as letras e os sentimentos dialogam muito – a vida na rua, as coisas que queremos para o mundo, a vontade de sonhar e realizar". 

Mano Brown faz coro a essa ideia: “Muita gente não sabe, mas no começo do hip-hop, o punk era o principal aliado. Lá na raiz, na gênese do barato, está o punk com o hip-hop, em Nova York. O som que me fez querer fazer rap foi ouvir ‘Tougher Than Leather', do Run DMC, que é um rock. O bagulho é foda". 

Ao longo da entrevista, os artistas perceberam diversos pontos em comum, entre eles, a necessidade de movimento, não querem se repetir enquanto compositores e não são saudosistas do passado. “Romantizam o rap dos anos 1990, mas não tenho saudades dessa era de lata, pau a pique e barro", conta o rapper. 

Nas histórias saborosas do episódio, Brown conta que chegou a sonhar com Tupac Shakur rimando em português, mas ele falava que não iria surrupiar a letra. Ele disse que já foi muito abençoado por ter escrito as letras dos Racionais, mas que hoje não sente o mesmo ímpeto da caneta fervendo. Como o podcast influenciou o seu processo criativo? “A sua pergunta é interessante porque não cheguei a associar uma coisa com a outra, não tive essa sensação de interferência nas minhas buscas futuras na música". 

No caso de Pitty, o processo criativo foi sendo amadurecido com o tempo: “Não escrevo da mesma forma que no início da carreira, mas nunca fiz um disco que eu não quis fazer. Eu nunca me dou por satisfeita, sempre tenho alguma coisa nova para aprender. O que já sei não me interessa tanto, quero a próxima etapa". Na sua visão, a música é uma entidade sagrada, então o artista precisa saber escolher bem quais concessões deve fazer: “No fim das contas, é a música que fica na vida das pessoas. O post passa, mas a música fica".

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Isabela Yu

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