
Cinco décadas após seu lançamento, Falso Brilhante (1976) segue como um dos capítulos mais marcantes da trajetória de Elis Regina, e também da história da MPB. Nesta terça-feira (17/3), dia em que a cantora completaria 81 anos, a Noize traz cinco curiosidades sobre o álbum.
Natural de Porto Alegre, Elis apaixonou-se pela música na infância, primeiro no rádio, com Ângela Maria e Cauby Peixoto, e depois nas aulas de piano. Aos 11 anos, apresenta-se no Clube do Guri, na Rádio Farroupilha, em seguida, é contratada pela Rádio e TV Gaúcha.
Aos 16 anos estreia com Viva a Brotolândia (1961), o primeiro de 27 álbuns. Quando se muda para o Rio de Janeiro, em 1964, conhece Vinicius de Morais, Edu Lobo, Jair Rodrigues, e tantos nomes da cena que geram parcerias férteis ao longo da carreira.
Nos anos 70, a Pimentinha viveu o auge. Lançando canções que dialogam não só com a MPB, mas também o pop, rock e soul, ela regravou “As Curvas da Estrada de Santos”, deRoberto e Erasmo Carlos e o icônico Elis e Tom (1974), ao lado de Tom Jobim.
Falso Brilhante nasceu do espetáculo homônimo que levou multidões ao teatro e revelou uma artista em plena maturidade criativa, capaz de unir música, interpretação e crítica social no mesmo palco. No repertório, entram canções de Belchior (“Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”); João Bosco e Aldir Blanc (“Um Por Todos”, “Jardins de Infância” e “O Cavaleiro e os Moinhos”), Thomas Roth (“Quero”) e Chico Buarque (“Tatuagem”).
Produzido por Marco Mazzola, o álbum ainda traz canções internacionais, como do argentino Atahualpa Yupanqui (“Los Hermanos”); a chilena Violeta Para (“Gracias a La Vida”); o francês Maurice de Féraudy e o italiano Dante Pilade Marchetti (“Fascinação”).
Sob os holofotes
O espetáculo homônimo, dirigido por Myriam Muniz, estreou em dezembro de 1975 e permaneceu por dois anos em cartaz no Teatro Bandeirantes, em São Paulo. Durante a temporada, reuniu cerca de 280 mil espectadores em uma performance que evidenciava não apenas o talento de Elis como cantora, mas também sua força como atriz.
Origem do nome do álbum
O espetáculo trazia uma retrospectiva da carreira da cantora que, na época, completava uma década de carreira. Da experiência nos palcos, nasceu o álbum homônimo, cujo título Elis extraiu do bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, de João Bosco e Aldir Blanc, do álbum Caça à Raposa (1975), lançado no ano anterior de Falso Brilhante.
Repertório político
Transformar um show de duas horas em um álbum foi um desafio. Das 42 músicas do repertório original, apenas dez entraram no disco final. Assim como o show, Falso Brilhante é múltiplo, que vai desde a valsa “Fascinação”, do italiano Dante Pilade Marchetti, até “Tatuagem”, de Chico Buarque, mas todas políticas, uma crítica direta à Ditadura Militar.
Recepção
O álbum foi gravado em apenas dois dias, nas folgas do espetáculo. Mesmo hoje sendo considerado um marco na MPB, a recepção da crítica da época foi mista. Alguns consideraram o trabalho inferior aos últimos lançamentos de Elis — como o antecessor Elis e Tom (1974) — outros a elogiaram pela grande emoção na performance de cada faixa.
Parceria com Belchior
O artista é o autor de um dos maiores sucessos de Elis, “Como Nossos Pais”. A interpretação da gaúcha impulsionou a carreira do cearense que, no mesmo ano que lançaram Falso Brilhante, a Philips o convidou para gravar Alucinação (1976), ambos produzidos por Marco Mazzola.



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