
Há 21 anos, Adriana Calcanhotto deu vida a outra persona artística: a Partimpim. O nome veio de um apelido de infância: Adriana conta que, quando pequena, não conseguia falar seu nome — quando algum adulto perguntava como ela se chamava, ela dizia “Partimpim”. O pai achou bonitinho e passou a chamá-la só assim. Ela, de volta, chamava-o de “Partimpai”.
A história é tão singela quanto o projeto a que ela deu origem. A cantora, respeitada em uma geração noventista da MPB, se arriscou a fazer arranjos de músicas conhecidas dedicadas a um público infantil. Para isso, puxou da memória as apresentações que a encantavam quando ela era uma jovem em Porto Alegre, como os figurinos das apresentações infantis de Nelson Coelho de Castro ou Os Saltimbancos, com assinatura de Chico Buarque. O que poderia ser um passo arriscado em uma carreira sólida virou mais um sucesso, consolidado por quatro álbuns — o último, O Quarto, foi lançado em 2024.
Há 15 anos, e após hits como “Fico Assim Sem Você”, versão de Claudinho e Buchecha que ganhou as rádios, Adriana reassumiu a alcunha Calcanhotto definitivamente. Partimpim ficou guardada em um cantinho, longe dos palcos, mas nunca deixando de produzir. Neste 2025, porém, a artista sentiu que era hora de Partimpim voltar a brilhar nos palcos. E há uma beleza nisso: “É a primeira vez que a Partimpim vai cantar para quem era criança no primeiro show, e vai levar suas próprias crianças”, ressalta.
É assim, na terceira pessoa, que Adriana Calcanhotto se refere ao projeto. Como quando ela explica sobre a escolha do repertório: “Partimpim é basicamente um projeto de intérprete”, conta a artista à Noize. Ele tem algumas canções autorais, mas é, sobretudo, um projeto de escuta. Partimpim ouve uma coisa uma vez — tipo ‘Fico Assim Sem Você’ — e diz: ‘essa canção é minha’. Foi assim também com ‘8 Anos’, do disco solo da Paula [Toller]. Eu ouvi o álbum e, quando chegou naquela faixa, quem ouviu foi a Partimpim.
É assim que o repertório se arma: as canções se apresentam, se mostram quando a gente precisa delas. É um modo de trabalho muito próximo ao da Adriana Calcanhotto, esse lugar de intérprete, de quem se deixa afetar pela canção", explica.
Durante nosso papo, ela contou como foi a escolha do repertório do novo disco, O Quarto (2024), passando por uma versão de Rita Lee e Roberto de Carvalho - a psicodélica “Atlântida”- a uma parceria inédita entre Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Mano Wladimir.
Sobre a faixa de Rita e Roberto, ela explica a escolha, que passa muito pelo afeto com a rainha do rock, que nos deixou em 2023.
“Atlântida’ tá na lista desde o primeiro álbum. Ela ia entrar no primeiro, no segundo, no terceiro... sempre tava lá. Mas acho que era mesmo pra ser do Quarto. A Rita dá esse toque de maravilha, né? ‘Que o mundo é dos que sonham, que toda lenda é pura verdade’. Ela fala disso, dessa capacidade de imaginação.
A gravação foi num dia muito simbólico: fazia um ano da partida da Rita. Eu preparei uma cadeira pra ela, como se ela fosse chegar e se sentar. Foi muito emocionante, muito bonito. De algum jeito, era pra ser nesse álbum — e sabe-se lá por quê, mas foi.
O ‘Bode e a Cabra’ também vem do repertório da Rita. Eu conheci a música com ela, e a versão que gravamos é do Renato, um dos autores de “Devolva-me”.
Novo show
O espetáculo “O Quarto no Palco”, que apresenta o novo álbum ao público, marca o retorno oficial de Adriana Partimpim aos palcos. Começou com uma apresentação no festival Doce Maravilha (RJ), em setembro, e já passou por cidades como Curitiba, Recife e Olinda, com agenda confirmada até janeiro. As próximas datas incluem Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Natal.
O repertório final do show soma mais de 20 canções que abrangem os quatro discos da Partimpim. Clássicos como “Fico Assim Sem Você”, “Ciranda da Bailarina” e “Oito Anos” aparecem com novos arranjos pensados para o espetáculo.
Na concepção musical, a artista trabalhou com Pretinho da Serrinha para definir a linha sonora da banda, e Marlon Sette ficou responsável pelos arranjos. A banda reúne nomes históricos do universo de Calcanhotto e Partimpim — como Davi Moraes, Arimatéa, Jorge Continentino — e nova geração instrumental: João Moreira (baixo), Luizinho do Jeje (percussão), Antonio Dal Bó (teclados) e Thomas Harres (bateria). Já a cenografia do show, assinada por Daniela Thomas em parceria com a Radiográfico, remete ao universo lúdico infantil, contando ainda com objetos do dia a dia feitos de instrumentos.
Confira abaixo a agenda de shows:
Turnê “Adriana Partimpim: O Quarto no Palco”
25 de outubro - Recife – Teatro Guararapes
1º de novembro - São Paulo – VIBRA
9 de novembro - Belo Horizonte – Palácio das Artes
15 de novembro - Rio de Janeiro – Brava Arena Jockey
16 de novembro - Porto Alegre – Auditório Araújo Vianna
22 de novembro - Salvador – Concha Acústica
18 de janeiro - Natal – Teatro Riachuelo














