Entrevista | “Eu sou um cara feliz”, diz o criador do Nouvelle Vague

27/11/2015

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Ariel Fagundes

Por: Ariel Fagundes

Fotos: Reprodução

27/11/2015

Em meados de 2003, os franceses Marc Collin e Olivier Libaux resolveram fazer um disco. Não era nada muito sério: basicamente, a ideia era fazer um álbum de covers de clássicos do punk rock, pós-punk e new wave executados em arranjos influenciados pela bossa nova brasileira e pela chanson francesa.

Essa fórmula poderia soar banal, no entanto se tornou um sucesso mundial. Nos doze anos seguintes, Marc e Olivier gravaram cinco discos de estúdio (e algumas coletâneas) que contam com várias cantoras se revezando entre as faixas. No próximo dia 5, o grupo volta ao Brasil para tocar no festival #RockTheMountain, que acontece em Petrópolis, no interior do Rio (mais informações aqui).

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Antes de desembarcar por aqui, nós trocamos uma ideia com Marc Collin. Leia abaixo:

Faz mais de dez anos que você criou o Nouvelle Vague. Lá em 2003, você imaginou que esse projeto se tornaria tão grande?
Claro que não. Era inicialmente apenas uma ideia para fazer um disco, quase que para nós mesmos. Aí nós fizemos ele de uma forma muito simples e rápida, sem imaginar que as pessoas ainda estariam falando sobre isso dez anos depois!

Vocês costumam ser associados à bossa nova, ainda que esse gênero seja apenas mais uma referência para a banda. Como vocês conheceram a música brasileira?
Eu descobri a bossa nova através de um documentário que eu vi na TV francesa há muito tempo atrás. Fiquei impressionado pela beleza das letras, sua poesia e pela grandeza da música. Eu vim pro Brasil pela primeira vez em 2000 e, na época, imaginava que iria ouvir bossa nova em todo lugar. Essa música é muito associada ao país! Eu fiquei surpreso ao ver que existem tantos outros gêneros musicais no Brasil que são praticamente desconhecidos fora do país.

E o que você sente quando vem ao Brasil? O que mais você descobriu ao vir aqui?
Eu vim com uma certa frequência desde essa primeira vez, e eu descobri algumas lojas de discos muito boas, especialmente no Rio, onde pude completar minha coleção. Também lembro de comprar um DVD da Elis Regina (com um show televisionado em preto e branco, de 1973) que foi muito inspirador para mim. Agora, nós também já conhecemos alguns músicos brasileiros incríveis e eles nos mostraram outros grandes artistas do Brasil. Uma das melhores lembranças que tenho foi provavelmente o show do Marcos Valle com Stacey Kent que aconteceu em Brasília alguns anos atrás.

Como você percebeu que poderia misturar a bossa nova com o pós-punk?
Esses dois gêneros musicais, de alguma forma, compartilham a mesma melancolia. É por isso que eu vi conexões possíveis entre eles.

O que você prefere: uma música alegre sobre um tema triste ou uma música triste sobre um tema feliz? Por quê?
Uma música triste, com certeza. Porque eu gosto quando a música está me trazendo emoções, e eu não estou procurando por felicidade na arte. Eu sou um cara feliz.

Em 2012, você disse que estava cansado de gravar covers. Em entrevista à NOIZE, você já disse que a banda planejava lançar um disco chamado “Nouvelle Vague by Nouvelle” com músicas autorais. Você ainda tem esse plano? O que você pode adiantar sobre novos projetos?
Bem, o plano é lançar algo novo no ano que vem. Talvez uma coletânea de quatro EPs diferentes com remixes, novos arranjos, novos covers e nossas músicas próprias também! E nós vamos fazer uma grande turnê ao redor do mundo para celebrar os 12 de Nouvelle Vague!

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27/11/2015

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