
Na sexta-feira (30/1), Julieta Social lançou seu primeiro álbum: Julieta (2026), via Seloki Records. O quarteto formado por Rafael Bastos (voz), João Durão (voz e violão), Rodrigo Mattos (bateria) e Rubens Abati (guitarra e produção) estreou o disco nos palcos no sábado (31/1), no Porta, em São Paulo.
No ano passado, o grupo lançou quatro singles que pavimentaram o caminho para o álbum, que começou a ser desenhado em 2022. Entre as principais referências, a banda cita Rolling Stones, Clube da Esquina, Jorge Ben, Chico Buarque, Radiohead, The Strokes, Tame Impala, Mutantes, Oasis e Velvet Underground. Do rock alternativo à MPB, as menções reverberam no som, que é pop, mas também não tem medo de experimentar, entre a introspecção, o dreampop a psicodelia.
A banda promete destaque na cena indie paulistana. A ordem das 11 faixas não é por acaso, como explicam os integrantes: “Enxergamos a cronologia do disco como um final de semana na vida de um jovem”. “Casos de Colômbia”, por exemplo, começa com uma festa caótica, segue com a volta para casa de manhã em “Nuvem Nua” e assim se constrói a narrativa até a reflexão final em “Poodle Marciano”.
O grupo contou com participações de Ricardo Paes, assinando a composição de “Dorme pra ver se me esquece” e “Quem Nunca Quis Demais”, e outros instrumentistas em cada faixa, reforçando o caráter colaborativo do projeto. Entre dores, amores, ressacas e encontros inesquecíveis, o grupo se dividiu neste faixa a faixa exclusivo para Noize.
Confira Julieta faixa a faixa:
"Casos de Colombia": é uma música de dois acordes, então me desafiei a criar uma harmonia vocal que expandisse além da simplicidade melódica do violão. Um exercício bem divertido de fazer. Nela, soltei a criatividade e improvisei vocais em cima desses acordes, explorando caminhos menos óbvios e fugindo do convencional. Me inspirei no meu repertório de cultura latina para a letra e brinquei um pouco com o fato de estar em meio a um exercício onde a maior parte do que saía era porcaria." - João
"Representa muito do que passamos como banda, ao meu ver. O som mudou a gente, o som mudou tudo, ou melhor, ele muda. Tivemos de abrir o olho para as mesmas e tentar enxergar o que é e é real. Talvez, só perdendo pra descobrir como as coisas realmente são. Cada vez mais, tudo fica assim. É uma canção que inspira estar ciente de algo que está por vir, seja bom, seja ruim. Não tenha vergonha de quem você é. Abrace isso, esteja à frente da nova era, onde a originalidade é falsa." - Rafael
"Nuvem Nua": esse som foi bem legal de fazer, começou comigo sozinho escutando uns sons e compondo. Me veio essa melodia do "uuuu" que tem no coro do pré refrão e uma progressão de acordes. Como tradição, quando gosto de uma melodia, pego o gravador de voz e faço uns primeiros takes falando/murmurando qualquer coisa. Com essa, de cara senti algo bom. Na próxima vez que vi o digo, mostrei pra ele e começamos a compor, ele curtiu e trouxe o processo dele para construção do som (algo que tá virando tradição também). Ali nos escutamos, definimos um primeiro ritmo, melodia e letra em questão de horas. O Digo gosta muito de Drummond, sempre fala sobre o jeito que ele cria imagens ao escrever e foi bem isso que tentamos fazer. Nossas diferenças de escrita e gostos musicais foram o que fizeram o som, é uma boa união dos nossos sons e estilos”. - Rafael
"Dorme pra ver se me esquece": “É uma canção do Ricardo Paes, que a trouxe pro Rafa na hora certa, num momento grande de término não só amoroso como espiritual. O coro do refrão nasceu na hora que todos escutaram pela primeira vez juntos, da forma mais Julieta possível! Dorme é a love song do álbum, que nem é tanto uma love song assim, pois ela fala de uma incerteza, pode ser interpretado de várias formas nesse universo do amor, mas vemos como um adeus uma libertação,coisas boas também precisam de um fim.” - Rodrigo
"Quem nunca Quis demais": A letra feita a quatro mãos por mim e Ricardo Paes, Rodrigo usou com referência a levada de bateria da música “Dias de Janeiro” do Otto Ferreira. Uma música etérea que busca uma reflexão do frustramento, o que fazer dele. De rompimento de expectativas e como lidar com elas. De “peixes estranhos”. - Rafa
"Um tempo pra pensar": Obra de João Durão, a vontade, a certeza. O grito o desejo estampado. A ação. “Garotos se preparam para cumprir suas missões”. O pensar e fazer, não se perder nas distrações que hoje são muito presentes na vida do jovem. Estar presente, uma viagem ao imaginário do que pode ser e querer lutar por isso!
“Eu to sempre atento no que o durão está compondo ás vezes vou nos arquivos dele e acho umas pedradas, essa não foi diferente, na verdade de primeira não gostei, ma na segunda escuta já fiquei de cara, levei pro estúdio e todos pularam nessa imersão que essa música proporciona, só para os fortes, se prepararem”- Rafael

"Cê La Vie": Outra obra de João Durão, o interlude do álbum. Um momento de transição indo de um lugar para o outro, é justamente o caminhar, a locomoção do ambiente e o que acontece durante esse caminho. O momento em que estamos mais vulneráveis, reflexivos e sozinhos. Mais andando. “A música me apareceu no momento que estávamos prestes a dar o segundo passo na gravação do disco, no meio da caminhada do "Julieta” em 2024.”- João
"Como te Dizer": “Essa faixa surgiu faz tempo, há 3 anos quando estávamos fazendo os primeiros shows e dando os primeiros passos, essa música surgiu depois de um show quando fomos para uma casa de um dono desconhecido, mas a deixamos de lado naquele momento. Com as mudanças ela reaparece para mudar um pouco nossos ares, então trouxemos mais referências do Groove/disco como daft punk e parcels. Ela traz frustração na incerteza de não agir a partir do que você sente. Arrependimento. Nesta faixa contamos com a participação do jovem escritor Bernardo Florentino, que nos ajudou na letra para trazer isso da melhor forma, trazendo nossas referências e ideias para música.” - Rafael
"Rubbish Shuffle": Em meio a gravação do disco gostávamos de ir mostrando ideias novas sem compromisso, o Rubens principalmente, sempre nos deixava atualizado do que estava criando e rubbish é um caso desses que foi parar no disco. “O Rubens tava escutando bastante Sharon Jones e fez uma gravação instrumental, quando eu e o Rafa escutamos já começamos a cantar algo alí, acabando a sessão fomos pro home studio da casa do Rafa gravar uma demo nossa em cima da demo do Rubens, chamamos uns amigos e deu nisso”- Rodrigo
"Fome": Foi um processo coletivo, depois individual e se finalizou no coletivo novamente. Depois de mais de 8 anos tocando e criando com o João Durão, ‘Fome’ chegou até mim desse jeito. Já mais maduros, depois de termos nos entendido como grupo, passado problemas e, se apresentado para algo além do que era nosso espaço, João veio em casa e falou, a gente precisa da nossa "505” (Arctic Monkeys). É engraçado, mas eu entendi perfeitamente o que ele quis dizer. Somos muito conectados com nossas referências, era uma música misteriosa, calma, forte e fácil pro ouvido que ele queria, sentamos no estudio e começamos, chegamos numa progressão de dois acordes e soltamos umas frases, João ficou imitando algo parecido com Zé Ramalho, saiu a palavra ‘Fome’, uma melodia parecida com a final e logo foi embora” - Rafael
"Astronauta": Vemos a música como uma nave espacial ligando, decolando e chegando no espaço, tentamos representar isso no instrumental. Em 2023, achei um microfone japonês dos anos 90, levei para o Rubens Adati (produtor), conectamos num mini amplificador de brinquedo e microfonamos isso. Rubens falou para eu deitar, quase em posição fetal, e cantar. Mandamos pro Capilé (produtor) e ele potencializou totalmente essa ideia do Rubens. E saiu isso.” - Rafael
"Poddle marciano": JAM!!! O poodle chegou em Marte e encontrou o Astronauta. - Rafael














