Mahmundi fala sobre novo álbum, relacionamentos e próximos passos 

15/05/2023

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Isabela Yu

Por: Isabela Yu

Fotos: Divulgação/ Breno da Matta

15/05/2023

“Amor Fati”, quarto disco da carioca Mahmundi, lançado no início de maio, foi criado ao longo dos últimos três anos, entre idas e vindas na ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo. A produção musical das 10 faixas é da artista, acompanhada por uma série de parceiros criativos, como Pedro Tie, que a acompanha na codireção do álbum, além de ser coautor de arranjos e letras. 

O primeiro single, “Sem Necessidade”, introduz a estética que ela tanto buscava: “Eu tinha feito um pop e mandei para o Tagua Tagua, porque achei que ele resolveria. Acho que ele é um dos maiores produtores indies no Brasil, junto com o pessoal do Terno Rei. A gente começou a colar de novo todas as músicas. O grande trunfo é que achei esse som, que é o que eu quero fazer”. 

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A principal pergunta de Mahmundi era: que tipo de som ela quer escutar? Fã confessa da geração de artistas e produtoras que, assim como ela, começou a carreira no início da década passada – Caroline Polachek, Charli XCX, Jessie Ware, Christine and the Queens, Robyn, entre muitas outras. Assim como se interessa pelo que está sendo feito agora, como no caso de Billie Eilish e Olivia Rodrigo. 

“Aprendi muito sobre música montando o setup de gringo no Circo Voador, como Miike Snow e Toro Y Moi. Era alucinante ver como eles tiravam aquele som, depois entendi que tinha computador envolvido. Hoje estou feliz em não ter que matar a estética que eu tinha antes e que aquele som delirante não está tão distante de mim”, reflete a artista. Nos últimos anos, também se misturou pela cena nacional, de compor para a Ivete Sangalo ao Rubel, ela se manteve em movimento. 

Em bate-papo, Mahmundi revela os processos que a levaram até “Amor Fati”

Em que momento esse título surge na história? 

Eu tinha visto a expressão em alguns lugares. As pessoas falavam que eu não entenderia Nietzsche porque era difícil, mas achei relax quando li. Esse também é o nome de uma das músicas do Washed Out. O Cleber (Facchi), do Música Instantânea, sempre me manda mensagem falando dessa música. Mas é isso, ele também leu Nietzsche. Sabe quando o nome fica perseguindo você? Vi também o David Lynch falando sobre isso, então colou. Eu fui criada na igreja, então várias novidades me interessam. Finalmente parei para ver alguns filmes, como as comédias românticas dos anos 1980 e 1990, com a Meg Ryan. Isso tudo somado a vários relacionamentos abertos. No meio do caminho, você pensa que certas coisas não vão te ferir, mas no final você sai machucada. É uma forma de ver o Amor Fati, desse amor ao destino e pelas coisas que estão por vir. Me sinto feliz por ter essa coragem e essa fé nas coisas. Eu nunca vou deixar de acreditar nas coisas até que elas me provem o contrário. 

Quando aconteceu o pontapé do disco? 

Eu vim do “Mundo Novo” (2020), depois fiquei ali, no meio do caminho, vendendo os meus fonogramas para uma grande gravadora (Universal). Na hora, pensei em usar esse dinheiro para comprar equipamentos. Trabalhei com o João Milliet, que é um cara muito foda, e a gente foi trabalhando algumas ideias que eu tinha na cabeça. Gastei o meu orçamento inteiro, construímos, desmontamos, gravamos arranjo de sopro, mudamos de ideia várias vezes. Depois de conhecer o Guilherme Junqueira, a gente se tornou amigo de jogar tênis e decidimos trabalhar juntos. Ele mandou as minhas músicas para um amigo produtor dos Estados Unidos, o Tony (Lashley), que já trabalhou com o Frank Ocean e uma galera. O gringo falou duas coisas: por que Mahmundi ainda não fez funk? Percebi que ele falava funk enquanto música eletrônica, da mesma forma que eu entendo. “O disco está lindo, mas se reduzir os arranjos você consegue dar a sensação de que as pessoas estarão lá com você”. Era isso que faltava e é muito bom quando um disco tem isso. A gente só ouve música gringa, né. Desmontei o álbum de novo. 

Quantas versões cada música teve?

Muitas! Quero fazer esses vídeos explicando esse processo. Ao longo do tempo, eu pensava: e se eu fizesse algo meio Lily Allen? Então fui estudar. Percebi que não chegaria nesse resultado porque são discos caros, que envolvem muito dinheiro. Talvez para o público não faça diferença, mas faz sim. Depois que a gente fez “Sem Necessidade”, percebi que o disco poderia variar entre digital e orgânico, mas que elas se colassem na mix e na master, então o som é meio global. Foi um processo de misturar o orgânico e o digital sem que o público sinta a diferença, sabe?

A mudança para São Paulo aconteceu para finalizar o disco?

Não, esse disco é uma novela. Eu vim fazer um trabalho para o Meta em setembro do ano passado, e um amigo me chamou para ver o show da Rosalía, que aconteceu em 22 de agosto. Fui meio na orelhada e saí arrebatada do show. Pensei que precisava estar em São Paulo de novo, acho que tem uma outra energia no ar. Voltei e estou vivendo a cidade de verdade. A primeira vez que morei aqui, eu era muito fodida de grana. Na segunda, as Anelis (Assumpção) e a Tulipa (Ruiz) me chamaram para morar na Vila Anglo, na Pompéia, mas eu achava um bairro meio devagar, tenho um pouco de pânico de paz assim. Agora estou na Bela Vista, que é um bairro um pouco caótico, mas estou amando, faz sentido pra mim. 

O que você está planejando para os shows? 

Vou fazer uma turnê pensando no que eu sempre quis ver. O que eu quero ouvir com 36 anos? Não quero emular algo de 25 anos porque não sou doida. Demorei tanto para chegar até aqui. Não preciso fazer dancinha no TikTok, posso fazer outro conteúdo. Faço um show em nove de julho, no Sesc Pinheiros. Será uma noite para as pessoas sentarem e sentirem que estão assistindo a um filme. Vai ter um no Cineclube Cortina no dia 23 de junho, que é uma proposta mais festa. Falei na gravadora que eu amo MPB e essas coisas, mas o que eu gosto mesmo é de fazer música e ela não vai se rotulando. 

Enquanto produtora musical, o que um projeto precisa ter para você se interessar? 

Se me pagarem muito bem e se a pessoa for afinada. Eu já peguei uns projetos assim, mas já escutei e neguei. Não tinha condição, mandei um forte abraço, sendo que sempre tem gente que aceita resolver. A pessoa tem que ser astral. Eu tenho a sorte de conhecer várias pessoas maneiras, a Anelis (Assumpção), por exemplo, eu amo ela de paixão. Tudo que ela me pede eu faço, porque se eu pedir um almocinho, um bolo, ela faz também. Anelis é muito acolhedora e o álbum dela é sobre isso. E aí surgiu “Baby 95”, onde a Tássia (Reis) e Tulipa (Ruiz) somaram com a parte do pagode. Então acho que tem que rolar uma conexão, mas é melhor ainda se a pessoa for afinada e rica. 

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15/05/2023

Isabela Yu

Isabela Yu