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“Minha força vem do cavaquinho”: Rodrigo Maranhão comenta “Amor e o Tempo”


Por:

Vitória Prates

Fotos: Leo Aversa

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Para quem já está em clima de Carnaval, aproveite para dar play em Amor e o Tempo (2026), sexto álbum de Rodrigo Maranhão. O fundador do bloco Bangalafumenga — fundado em 1998, o bloco acontece tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro e se tornou um dos mais populares em ambas as capitais, com repertório que vai do samba ao funk.

Em dez faixas inéditas e produção de João Vianna, as participações de Chico Chico (“Samba Torto”), Mart’nália (“Saudade de Nós”) e Pretinho da Serrinha, comandando a percussão por todo o disco, coroam Amor e o Tempo: “Sonhei com esse time”, afirmou Rodrigo, em entrevista à Noize

Do papel de compositor — já assinou composições para Zélia Duncan e Maria Rita — o vencedor do Grammy Latino coloca sua voz no centro, reverenciando o samba raiz. Às vésperas do lançamento, a Noize conversou com Rodrigo por e-mail sobre o álbum. O artista abriu detalhes sobre o retorno ao estúdio, parcerias e o que define como “regionalidade carioca”. 

O Amor e o Tempo chega depois de um período de hiato. Quando você sentiu que era hora de voltar ao estúdio? 

A música me puxou de volta. Literalmente. Descobri que isso não é negociável.  Quando falo música, é sobre o que ela tem de mais sagrado pra mim. Ser artista não é fácil. Mas viver longe da arte é impossível. O Amor e o Tempo é um retorno ao meu território.

Como se deu a parceria com o João Viana? Como você sente que as trocas com ele engrandeceram o projeto? 

A amizade veio antes. João participou de todo processo pré disco. Quando me senti forte pra voltar, queria muito que ele fosse o produtor. É muito importante para mim juntar competência e afeto. Ter intimidade e confiança para deixar o processo acontecer. 

Sonhamos com um time dos sonhos e eles vieram pro jogo. Isso é um capítulo à parte nesse disco. A força dos músicos que participaram deste álbum é absurda. O João está presente em cada escolha e fiz questão de deixar isso com ele. Em outros discos que fiz, queria as coisas do meu jeito, tinha muitas certezas, estava muito fechado no meu mundo acústico. Nesse disco queria ser surpreendido, o disco é nosso. Não existiria sem o João. 

No álbum participam Mart’nália, Chico Chico e Pretinho da Serrinha, como seu deu a escolha dessas participações e como cada um deu seu toque especial nas faixas?

Como falei antes, sonhamos com um time e eles vieram. A banda base desse disco é brincadeira... João Viana (bateria), Pretinho da Serrinha (percussão), Alberto Continentino (baixo) e Davi Moraes (guitarra). João foi juntando mais gente e fez questão de metais e orquestra, acreditou muito nas canções e as vestiu lindamente. 

Mart'nália eu amo e sempre me faltou coragem. Quando fiz o samba “Saudade de Nós” com o Moyseis Marques senti que era pra ela. Foi lindo. O Chico Chico traz uma modernidade carregada de muita história e significado pra mim e pro João. Quando começamos a produzir a faixa “Samba Torto”, achamos que a energia da música estava pedindo alguém para potencializar e pensamos nele. Ele veio. Oh sorte!

Você define o disco como um “reencontro com a regionalidade carioca”. Como o Rio de Janeiro aparece como protagonista do álbum? 

O carioca se acha universal. É uma cidade com muitas influências e destino de muitos artistas do Brasil, mas não tem jeito, minha força vem do cavaquinho, da música que faço quando quero celebrar, é ela que nos acolhe e protege. O samba nunca abandona ninguém.

O samba raiz ocupa o centro do disco. Que diferença existe entre o samba do palco e o samba da rua para você? 

O samba de rua é um ritual. Existem vários fatores e regras. Se você tá perto da mesa bate palma e canta com vontade. Mas tem todo o entorno. É um acontecimento. No palco o músico está mais exposto e o público reage diferente. É outro tipo de conversa.

Muitas das suas composições ganharam vida na voz de outros artistas. O que muda quando você coloca sua própria voz no centro? 

É a voz do compositor [risos], sempre gostei de ouvir. Nada impede que gravem depois. Meu primeiro disco foi todo regravado por outros artistas. Gosto de jogar músicas inéditas ao vento.

Hoje, você se define como “mais músico do que artista”. O que essa afirmação revela sobre seu modo de estar na música e como reverbera nesse disco? 

É o papo do sagrado. É sobre onde me sinto bem. Todo artista passa por fases. Em alguns momentos, fui mais produtor e empresário do que artista, paguei um preço caro por isso. E enquanto artista, gosto de estar perto do meu instrumento, de reservar meu tempo de estudo e lapidar meu jeito de tocar. Nada me deixa mais calmo. O cavaquinho é meu amuleto, meu poder vem dele, mas isso é pessoal. Não é uma regra e claro que reflete no disco, na linguagem, nos arranjos. Somos “atletas”. É preciso treinar pra hora do jogo.

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Vitória Prates

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