
Âmy B mora em Lyon, no interior da França, e Anazú na capital paulista. Mas mesmo os nove mil km de distância não impediram o encontro entre elas, que deu origem ao Vinil Ancestral. Desde 2025, o projeto pesquisa a ancestralidade e a música negra brasileira em vinil.
O projeto nasce como uma página do Instagram e hoje reverbera em discotecagens ao vivo. Na página do Instagram, a dupla apresenta um artista negro por semana, contando sua história. Desta vez, o escolhido é o Trio Ternura, mas elas também já falaram sobre Marku Ribas, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara, Os Tincoãs, Zezé Motta e muitos outros.
Conexão além-mar
“Mesmo vivendo em países diferentes, identificamos um ponto de encontro muito claro: o compromisso com a cultura negra e com a preservação de suas narrativas. A parceria fez sentido porque nossas trajetórias dialogam a partir do mesmo princípio: o cuidado com a memória ancestral e a música como resistência”, explica a dupla, em entrevista à Noize.
As DJs e pesquisadoras culturais criaram o Vinil Ancestral com o compromisso de documentar a música negra brasileira. Suas vivências individuais se cruzam no coletivo e na curadoria. Anazú traz sua atuação como educadora, Âmy B, como produtora cultural, contribui para ampliar o alcance do vinil como linguagem cultural.
O resultado: turnês na Europa, sets Brasil afora e perfil com 24 mil seguidores — a próxima apresentação da dupla, inclusive, já tem data marcada: acontece nesta sexta-feira (27/2) no Vão Livre do MASP, em São Paulo, das 18h às 22h, com repertório do soul ao samba.
Em sua curadoria, artistas mulheres também aparecem em peso: “O Vinil Ancestral contribui para o fortalecimento do protagonismo de mulheres negras dentro da cultura do vinil, um espaço historicamente masculinizado e embranquecido”, contam.
Não há surpresa quando se trata da magnitude da música preta. Nosso maior objetivo é popularizar a cultura do vinil.
“Não se trata apenas de tocar discos. Nós contamos histórias”. Por isso, as pesquisadoras se veem responsáveis por dar continuidade ao legado de outras artistas pretas. “É pela preservação da nossa ancestralidade”, finalizam.
O vinil nos permite acessar narrativas apagadas ou silenciadas e reafirmar a importância da música negra como base da cultura brasileira















