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Sérgio Mendes e Jorge Ben Jor: os artistas favoritos da namorada de Rosalía


Por:

Damy Coelho

Fotos: Reprodução X/Rosalia Brasil (@rosaliadailybr), Instagram/Loli Bahia (@lolibahia)

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Antes que polêmicas envolvendo o mercado financeiro ou o boicote a marcas de sandálias invadissem o noticiário de celebridades, os portais foram tomados por fotos de Rosalía curtindo o ano novo no Rio de Janeiro. Teve de tudo: flagra da cantora passeando em uma loja de discos carioca, tomando açaí e até um vídeo pulando ondinhas ao som de Dire Straits com uma “morena misteriosa”.  

Mas de “misteriosa”, a morena em questão não tem nada: era ninguém menos que Loli Bahia, modelo francesa disputada por marcas que vão de Chanel a Louis Vuitton, uma das grandes revelações dos últimos anos nas passarelas internacionais. Loli já estampou capas da Vogue francesa, da Dazed e outras publicações hypadas. Além de modelo, ela também toca trombone e bateria. E ela leva a sério a missão; chegou até a estudar no Conservatório de Lyon, na cidade natal dela.

Por aqui, ela não era tão conhecida. Por isso, houve um estranhamento em torno de um nome, tão, digamos, abrasileirado. Na verdade, a modelo, filha de mãe argelina e pai espanhol, não carrega conexões familiares com o Brasil. “Loli Bahia” veio de um dicionário de nomes árabes que os pais consultaram durante a gravidez — ou seja, é um nome composto, sendo “Loli” apelido para “Dolores”. Já “Bahia” significa “deslumbre” — mostrando que o mesmo nome dado ao estado brasileiro não veio à toa. 

"Tem Seu Jorge?"

As conexões de Loli com o Brasil vêm de outro lugar: a música. A modelo é aficionada por bossa nova e samba rock. No seu Instagram, em um post de 2023, ela aparece dando uma voltinha de carro pela Georgia ouvindo nada menos que “Olha a Pipa”, de Jorge Ben [do álbum Alô, Alô, como Vai?, de 1980]. E ela gosta mesmo do Jorge Ben: em um vídeo publicado pela Vogue francesa em 2024, a modelo fazia compras em sua loja de discos favorita de Paris e foi logo perguntando ao vendedor: “Tem alguma coisa de música brasileira? Um Jorge Ben Jor… Seu Jorge?”.

Mostrando que sabe muito, Loli explicou que sua relação com a música brasileira veio do pai, fã da nossa cultura, que chegou até a fazer aula de capoeira. No vídeo para a Vogue, a modelo não consegue discos de Ben ou Seu Jorge, mas leva outros três bolachões para a casa — sendo um deles, um clássico da bossa nova. Ela até chega a selecionar o disco Senhora da Terra (1979), da Elza Soares (que também saiu pelo NRC). De toda forma, temos aqui os três discos escolhidos por ela:

Marvin Gaye - I Want You (1976)

Uma das músicas favoritas da modelo dá o título deste álbum, divisor de águas na carreira de Gaye. Lançado pela Motown, I Want You marca uma mudança na direção musical de Gaye, incorporando sintetizadores (marcantes na instrumental “After the Dance”) e elementos de funk e soul num som grooveado, com letras que exploram amor e (muita) sensualidade. Produzido por Gaye e Leon Ware, o disco foi inspirado em Janis Hunter, com quem o cantor um longo caso. Com faixas como "I Want You" e "After the Dance", obteve sucesso comercial e críticas mistas. De todo modo, solidificou Marvin Gaye como um dos principais artistas do soul e influência direta para o R & B e o neosoul dos anos 90.

Michael Jackson - Off the Wall (1979)

Na mesma Vogue, Loli afirma ser maluca pelo som de Michael Jackson desde a adolescência. Então, uma de suas escolhas na loja de vinis não podia ser diferente. Ela levou pra casa o Off the Wall (1989).  E não foi qualquer edição, mas sim uma japonesa, que conta com pouco mais de mil registros no Discogs. O disco, clássico absoluto na carreira de MJ, teve seis singles de nove músicas prensadas (!) e produção do próprio em parceria com Quincy Jones. Dele, vieram clássicos como "Don't Stop 'Til You Get Enough" e "Rock with You", num caldeirão elegante de disco, funk, soul e pop sofisticado. Marca, também, a fase em que Paul McCartney e Michael ainda eram amigos — é do ex-Beatle a faixa “Girlfriend”. Foi só em 1985 que a amizade seria para sempre abalada, quando Michael comprou os direitos autorais dos Beatles sem Paul ficar sabendo.

Sérgio Mendes - Sergio Mendes & Brasil 77’ (1977)

Loli conta que foi o pai que a aplicou nos sons brasileiros — “desde então, estou imersa nessa sonoridade, conta”. Para a matéria da Vogue, ela elegeu um dos grandes pilares da internacionalização da bossa nova, Sérgio Mendes. Sergio Mendes & Brasil 77’ (1977) surge depois do auge comercial do Brasil ’66, grupo que levou a bossa nova e o pop brasileiro para o mainstream norte-americano nos anos 1960. Nos anos 70, Mendes reformula o projeto: o Brasil ’77 reflete um som mais alinhado ao soul, funk, soft rock, com poucos elementos de bossa, mas que ainda refletem a identidade do estilo musical. Destaque para a superbanda que o acompanhava: Anthony Jackson, Nathan Watts, Steve Gadd, Michael Sembello, Dave Grusin, e ninguém menos que Stevie Wonder, que assina “Love City”, “The Real Thing” e ainda toca clarinete. Este clássico, cuja foto de capa simula um time de futebol, reforça o diálogo entre a tradição brasileira e o soul.

Por:

Damy Coelho

Fotos: Reprodução X/Rosalia Brasil (@rosaliadailybr), Instagram/Loli Bahia (@lolibahia)

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