
Rael lançou em março seu sétimo disco, Nas Profundezas da Onda (2026). Em 11 faixas inéditas e produção assinada por Nave e Fejuca, o rapper explora uma sonoridade híbrida, que vai do clássico boom bap ao reggae e afrobeat, dando continuidade ao universo de Onda (2025).
“Esse álbum representa um mergulho de verdade. Estou em um momento mais consciente, mais maduro, mas ainda inquieto. Esse disco mostra isso, luz e sombra. É o Rael que já viveu muita coisa e ainda quer ir mais fundo", contextualiza o artista.
No álbum, Rael é narrador e personagem. Sem participações, o músico consegue mergulhar mais fundo em suas próprias vivências, que passa por reflexões mais introspectivas (“Esquece)” e baladas românticas (“Vou Alto” e “Cabulosa”).
A caneta afiada vem nas críticas à indústria musical, como em “Forma Abstrata”, em que rima: "E o mercado me diz que eu sou raiz do hip-hop, preto demais pra ser pop, que tal urban music?". Outros temas polêmicos passam pelo armamento da população, como na faixa “Em Dobro”. Nos versos, ele diz: "Enquanto a violência se promove, eu nunca fui fã de revólver".
Rael ainda passeia por temas como identidade, saúde mental, espiritualidade, amor, ancestralidade e consciência social, com referências sonoras que transcendem as fronteiras do Brasil e chegam à percussão africana e ao reggaeton caribenho.
“Hoje parece que todo mundo precisa performar o tempo todo. Mas arte de verdade não nasce de trend. Esse disco fala sobre ser quem você é, mesmo quando o mundo pede outra coisa. Tudo me leva a crer que é o melhor disco da minha carreira até o momento”, comenta o cantor, também duas vezes indicado ao Grammy Latino.
Confira Nas Profundezas da Onda faixa a faixa:
"Forma Abstrata": a primeira faixa do disco já começa com Rael apontando incongruências da indústria musical, em um manifesto de autonomia e reconhecimento da própria caminhada, onde prega sobre ser você mesmo, ser fiel a si, não fazer só o que as pessoas esperam de você. Fala sobre os formatos e as transições que teve na música ao longo dos anos e como foi experienciar essas mudanças como artista
"Vou Alto": mais acelerada, a segunda faixa do disco traz um lado adormecido do cantor, com rimas de empoderamento, diferindo do Rael romântico e calmo. Uma faixa eletrizante, em que a performance ao vivo deve movimentar o público.
“Em Dobro”: segue o ritmo de empoderamento de “Vou Alto” em um reggae anti armamentista. Rael surge como quem busca paz, mas caso cruzem seu caminho com maldade, o artista retribui na mesma moeda.
"Cabulosa": temos uma love song que explora as texturas, sentidos e sensações por meio das palavras somadas a uma melodia mais minimalista, com mais abertura de acordes. Rael aconchega o ouvinte nesse momento do álbum, mesmo denso após abordar assuntos mais sérios, mas sem perder a profundidade.
"Katyafya": fazendo a analogia de Catch a Fya do Bob Marley, Katyafya tem a batida do reggaeton, trazendo a forte influência africana e caribenha, onde Rael traz a vibe da sensualidade e das relações íntimas, em tom leve e envolvente.
"Ehlaia": segue para a próxima faixa em seu completo oposto. Com mais profundidade, o artista aborda os relacionamentos em tom de compromisso e mais romântico. A faixa, que era uma composição para um projeto de Thiaguinho, acabou integrando o Nas Profundezas da Onda trazendo a energia do samba rock.
"Esqueсе": seguindo na linha da profundidade das relações, mas trazendo também sobre o caos que é o mundo atual, o mergulho dentro dos pensamentos mais íntimos de Rael mostra uma versão mais introspectiva do artista que busca refúgio de todos os perigos e violências envolvendo a sociedade. O cantor busca refúgio dentro do afago dos afetos.
"Manauara": abordando sobre ecocídio e feminicídio, “Manauara” chega como um reggae californiano com elementos do trap, com snares acentuados. Rael fez a faixa inspirado por estudos sobre os rios suspensos da Amazônia, onde ele destina a mensagem à flora da floresta representada por uma mulher.
"Sem Final": em tom dançante e de festa, seguindo a linha de “Na pista sem lei” de Onda, Rael mescla o clima envolvente da vida noturna ao mesmo tempo que mescla sobre negritude, espiritualidade e autoestima. Repleto de referências à black music, a faixa é acompanhada de instrumentos de sopro que agregam ao suingado e ao groove.
"Todo Um Processo": prestes a finalizar o álbum, Rael aparece em sua forma mais crua, em que fala de si fora do glamour que o público associa ao mundo artístico. É um retorno do cantor à sua versão do Jardim Iporanga, na Zona Sul de São Paulo, onde cresceu e se desenvolveu como o artista plural que conhecemos.
"Cabulosa (Reggae)": neste remix de Cabulosa, o ritmo do reggae agrega à lovesong mais ênfase nas texturas, sentidos e sensações que Rael busca aconchegar o ouvinte, em encerramento do novo projeto que explorou novos âmbitos do artista













